9.19.2016


Ela tem sua própria forma de apresentar-se
Quando chega o Tempo,
No lugar do Onde,
Iluminada pela Sabedoria
De todos os yogues e tantrikas

A Luz coagula e se concentra
no pseudo-soma rubro da videira
Gera a sagrada faísca...
...E Fogo!

Incinerando constante
O medo ignorante

É Sol de Shakti nas águas da madrugada
A verdade abre suas pétalas ao céu
Lótus rendido à Lua Cheia de Shiva
Que dança seus ciclos vertiginosos
Sobre os caleidoscópios de devotos
Agora,

 andrógenos


- Satya Devi 

9.12.2016

À minha cabeça não couberam auréolas angelicais
Nem coroas de ouro, nem aura de luz transcendentais
Couberam-me chifres
Galhudos e espaçosos chifres
Orgulho pagão de ser livre

Símbolo ancestal de fertilidade
Força e virilidade
Hoje em dia, nas Fêmeas
Tão raros, como se fossem novidade

Sobreviventes das fogueiras
Herdeiras das donas do caldeirão
Netas das Velhas Tecelãs
Guardiãs da sacralidade da paixão

Meus chifres são resistência
De uma linhagem que não resistiu
Ao colorido pleno da Existência
E teima em ser plenitude nesse mundo doentio

- Satya Devi