Solidão é coisa que se conquista.
E há um preço a se pagar.
"Cada escolha, uma renúncia."
Tem essa pessoa na minha vida agora...
Tão sólida e visível quanto fumaça
Vem, queimando,
e desaparece diante de mim
Mas sua fragrância fica.
Nos móveis
Nas cortinas
Na minha pele
Eu a encontro quando olho pela janela, contemplativa
Quando os móveis da casa encontram seus lugares
Quando no fim de noite, não há braços em que se deitar
Quando na manhã seguinte, apenas o Sol sorri pra mim
É nesse vácuo de mim
Que ela aparece
me conhece
me olha nos olhos
me reconhece
me amanhece
me anoitece
E ela sempre estará lá
Sempre estará aqui
E tenho certeza, porque...
Enquanto eu estiver,
Eu estarei.
Ela é seca como o vento
Aquece como chama
Real como a terra
Ela é Aquela que Ama.
Romantismos a parte
Bem sei dos espinhos que me cabem
Dos abraços frustrados
Dos beijos não dados
E da vida não vivida
Sim, de tudo isso sabemos
E nada disso negamos
Mas tem algo aqui...
...mais lúcido do que antes.
Mais vívido
Mais em chamas
Das ausências que me cabem,
Eu me dilato.
Da presença que me cabe
Eu me parto
Em uma só
Só mais uma
Só, mais uma.
Eu me espanto com essa mulher que surge
De repente me deparo com ela
Na sala, na cozinha, no quarto
Na rua, na mata, no carro
Ela simplesmente vem.
...como se sempre estivesse estado
E parte como se nunca tivesse partido.
Eu me assusto.
Eu me temo.
Eu me apavoro
De mim
Por quanto tempo...
Eu fugi dessa mulher?
Por quanto tempo...
...eu fugi de mim?
Ninguém sabe do que ela é capaz.
Ninguém sabe do que não é.
Nem mesmo eu
E por isso temo
Mas recebo
Porque é isso que faço
Eu só canalizo
Eu só dilato
E permito-me porque re-conheço-me.
Porque preciso dela pra sobreviver
E ela precisa de mim pra existir
É como um espelho na frente do outro
Quando se sente a própria presença
É como vazio
É vertiginoso
E a gente parece que quer chorar
Só que não
E a gente parece que quer celebrar
Só que não
E tudo que resta
É reverência
É assombro
E gratidão
Algo está finalmente
Chegando no devido lugar
Alívio
Doído
Sem tempo
nem lugar
- Satya Devi
10.26.2015
10.17.2015
Falam de 'despertar da consciência'...
Soa tão sutil e suave...
Não mencionaram
Os músculos que quase rasgaram
Os ossos que quase quebraram
Conforme o corpo espreguiçava-se
No mesmo leito em que foi sepultado
O corpo está preso,
sepultado e enterrado
A alma está vadia
perdida e em pedaços
E é preciso juntar tudo
É preciso chutar tudo
É preciso gritar
É preciso rezar
Os horizontes abrem seus olhos
E dele se levanta uma Deusa
Tão grande quanto o Céu
Todos os meus pedaços
Olham para Ela e para Ela fluem
A Alma que estava perdida
Está agora rendida
O corpo que estava enterrado
Vira fera, cava a terra
E agora está libertado
E em seus braços,
Meus seis pedaços
envolvem-se em seu abraço
E se fizeram Uma
Múltiplas
Única
E assim como veio
Assim Ela se vai...
E sei que é inútil tentar agarrá-la
Pois ela me escapa pelos dedos
Nada está pronto
Acabo de nascer
Este é só o começo
De tudo que ainda há pra se vencer...
Jaya Skandamata!
10.10.2015
Prece dos Libertários
PRECE DOS LIBERTÁRIOS
Que nada me coloque coleiras ou correntes
Nem a riqueza, nem pobreza
Nem homem, nem mulher
Nem ideologia, nem desesperança
Nem mesmo a esperança me coloque vendas
Nem mesmo a desilusão me coloque barreiras
Nem mesmo a ilusão me coloque algemas
Nem mesmo a utopia faça com que eu me esqueça
Que não me coloque dentro de grades
Nem o hoje, nem o amanhã
Nem o passado, nem o agora
Nem os sonhos que não vivi
Nem os pesadelos dos quais não acordei
Que nem mesmo os sonhos me entorpeçam
Que nem mesmo as verdades me "engrandeçam"
Que nem mesmo as mentiras me diminuam
Que nem mesmo a realidade me emudeça!
Que não me limite nem escravize
Nem a loucura, nem a sanidade
Nem mesmo a sabedoria, ou ignorância
Nem mesmo a virtude, nem os vícios
Nem mesmo meus acertos me enobreçam
Nem mesmo meus erros me humilhem
Que nem se quer o medo me arrie!
E que não me escravize
Nem repressão
E nem fetiche
Nem heróismo, nem crime
E que não me prendam, não:
Nem companhia, nem solidão
Nem mente, nem coração
Nem cérebro, nem razão
Nem corpo...
...nem Alma
Me limitem.
Que eu viva em êxtase de Liberdade
Além de maldade, ou bondade
De depreciação ou vaidade
De forma que nem mesmo as grades
Sejam proibidas para mim
De forma que nem mesmo algemas, correntes ou vendas
Estejam além do meu alcance!
Mas que eu desfrute de Tudo e de Nada
Noite após Dia, conforme meu próprio Karma
Conforme der, conforme o Dharma
Em Nirvana e em Samsara
E que nunca se sacie em mim
A sede de Mim Mesma
E que desse mar de sede floresça
A jóia secreta daquelas que são amantes de si mesmas:
A genuína Compaixão.
E que nunca se aplaque de mim
o desejo de Consciência!
E a consciência do Desejo!
Em Liberdade
De si mesmos
Hari Om Shanti Shanti Shanti Om
- Satya Devi
Que nada me coloque coleiras ou correntes
Nem a riqueza, nem pobreza
Nem homem, nem mulher
Nem ideologia, nem desesperança
Nem mesmo a esperança me coloque vendas
Nem mesmo a desilusão me coloque barreiras
Nem mesmo a ilusão me coloque algemas
Nem mesmo a utopia faça com que eu me esqueça
Que não me coloque dentro de grades
Nem o hoje, nem o amanhã
Nem o passado, nem o agora
Nem os sonhos que não vivi
Nem os pesadelos dos quais não acordei
Que nem mesmo os sonhos me entorpeçam
Que nem mesmo as verdades me "engrandeçam"
Que nem mesmo as mentiras me diminuam
Que nem mesmo a realidade me emudeça!
Que não me limite nem escravize
Nem a loucura, nem a sanidade
Nem mesmo a sabedoria, ou ignorância
Nem mesmo a virtude, nem os vícios
Nem mesmo meus acertos me enobreçam
Nem mesmo meus erros me humilhem
Que nem se quer o medo me arrie!
E que não me escravize
Nem repressão
E nem fetiche
Nem heróismo, nem crime
E que não me prendam, não:
Nem companhia, nem solidão
Nem mente, nem coração
Nem cérebro, nem razão
Nem corpo...
...nem Alma
Me limitem.
Que eu viva em êxtase de Liberdade
Além de maldade, ou bondade
De depreciação ou vaidade
De forma que nem mesmo as grades
Sejam proibidas para mim
De forma que nem mesmo algemas, correntes ou vendas
Estejam além do meu alcance!
Mas que eu desfrute de Tudo e de Nada
Noite após Dia, conforme meu próprio Karma
Conforme der, conforme o Dharma
Em Nirvana e em Samsara
E que nunca se sacie em mim
A sede de Mim Mesma
E que desse mar de sede floresça
A jóia secreta daquelas que são amantes de si mesmas:
A genuína Compaixão.
E que nunca se aplaque de mim
o desejo de Consciência!
E a consciência do Desejo!
Em Liberdade
De si mesmos
Hari Om Shanti Shanti Shanti Om
- Satya Devi
10.07.2015
Minhas 'ruindades' eu faço com elegância: sem fazer mal a ninguém.
Assim como um bom espadachim
só acerta onde quer acertar,
assim são minhas malvadezas:
Precisas!
Assim como um bom espadachim
só acerta onde quer acertar,
assim são minhas malvadezas:
Precisas!
E é bom ir treinando:
A sombra é inevitável,
Já a esbórnia de iniciante,
É desnecessária.
- salvo em raras exceções
de ruindades sócio-passionais.
Para esses casos,
chame logo uma especialista
Negra, linda
E com oito braços
Armados
e de crânios pendurados
em seu pescoço irado
[Ela mesma fez questão
De não deixar uma única gota
Cair por acidente no chão]
Mas não sendo o caso,
Aos demoninhos
[esses bastardos filhos]
Que habitam em nós,
eu, humildemente, sugiro:
Treinem mais!
Acertem o alvo
Apenas o alvo
...e nada mais.
E ao acabar seus crimes tenham a elegância
De limpar bem o chão
E lavar as mãos
Antes de se sentar à mesa
Ou acender sua piteira francesa.
Treine sim sua safadeza
mas evite deixar sujeira
Ou você pensa que foi coisa de 'anjo'
A invenção da "etiqueta"?
- Satya Devi, sobre Lua em Escorpião e Marte em Virgem.
A sombra é inevitável,
Já a esbórnia de iniciante,
É desnecessária.
- salvo em raras exceções
de ruindades sócio-passionais.
Para esses casos,
chame logo uma especialista
Negra, linda
E com oito braços
Armados
e de crânios pendurados
em seu pescoço irado
[Ela mesma fez questão
De não deixar uma única gota
Cair por acidente no chão]
Mas não sendo o caso,
Aos demoninhos
[esses bastardos filhos]
Que habitam em nós,
eu, humildemente, sugiro:
Treinem mais!
Acertem o alvo
Apenas o alvo
...e nada mais.
E ao acabar seus crimes tenham a elegância
De limpar bem o chão
E lavar as mãos
Antes de se sentar à mesa
Ou acender sua piteira francesa.
Treine sim sua safadeza
mas evite deixar sujeira
Ou você pensa que foi coisa de 'anjo'
A invenção da "etiqueta"?
- Satya Devi, sobre Lua em Escorpião e Marte em Virgem.
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