A melhor desistência é aquela
que nos faz desistir
de desistir
Ainda assim,
é uma desistência
Da qual também,
podemos desistir.
E então, entendemos...
Que pra além de desistências e resistências
Uma parte de tudo
não muda nada
Desistindo
Resistindo
Existindo
ou não.
Mas uma parte dessa nada que somos
muda muito
quando lembramos disso
Porque lembramos
que ainda que nada mude,
a parte do todo que somos
muda tudo
quando mudamos
esse nada que somos.
E desistir
mesmo quando de desistir
é uma escolha
E uma escolha,
mesmo que tentemos resistir,
é sempre
mudança.
8.31.2013
8.27.2013
Antigamente, quando sentia a avalanche de algum poema se aproximando, corria para o papel e caneta ou computador mais próximo... Como se fosse perdê-la para sempre.
Hoje, entendo que nem que queira fugir dela, eu posso...
Cada poema é poema para o próprio momento em que surge
Se anoto, é por puro acaso. É porque precisa ser escrito.
Ou para mim mesma que um dia repetirei os mesmos versos
[ainda que a leitora já seja um ser diferente da autora até lá]
Ou para outros olhos que um dia passarão pelos mesmos versos que eu
Hoje a poesia não é mais um rompante. É um estado de espírito. Um estado de Ser.
Inverte a lógica da lógica e flui do coração pra cabeça
E se a garganta não faz uma ponte decente entre eles
É nó na certa.
Não, sem desespero pelo poema que passou sem ser escrito.
Pela música que passou sem ser gravada
Quando eu precisar, outro poema virá.
Outra música virá.
Inéditos! Insubstituíveis!
E não se repetirão
Afinal, não é isso que é a vida?
Transformação constante de poemas que não voltam...?
Hoje, entendo que nem que queira fugir dela, eu posso...
Cada poema é poema para o próprio momento em que surge
Se anoto, é por puro acaso. É porque precisa ser escrito.
Ou para mim mesma que um dia repetirei os mesmos versos
[ainda que a leitora já seja um ser diferente da autora até lá]
Ou para outros olhos que um dia passarão pelos mesmos versos que eu
Hoje a poesia não é mais um rompante. É um estado de espírito. Um estado de Ser.
Inverte a lógica da lógica e flui do coração pra cabeça
E se a garganta não faz uma ponte decente entre eles
É nó na certa.
Não, sem desespero pelo poema que passou sem ser escrito.
Pela música que passou sem ser gravada
Quando eu precisar, outro poema virá.
Outra música virá.
Inéditos! Insubstituíveis!
E não se repetirão
Afinal, não é isso que é a vida?
Transformação constante de poemas que não voltam...?
8.24.2013
Do Tempo
E de repente passou pela minha cabeça como um filme, o quanto a vida passa vertiginosamente rápido!
O que foi, não volta. É sempre pra frente. E o que é, um dia não será mais. Gostemos ou não.
Da mesma forma que tudo nos é dado, tudo nos é tirado.
O ar que respiramos, o corpo que usamos, o paladar, a visão, a audição, tudo isso, é uma questão de tempo, até nos ser tirado. E é só uma questão de tempo até tudo isso ser dado a outros seres que virão. Um fluxo constante e tão forte quanto a própria vida de vida se alimentando de vida - através da "morte".
[...]
Toda a beleza e deslumbre de cada Ser, e todos os Multi-versos que cada um carrega dentro de si, tão lindos, tão preciosos, tão únicos...
...um dia não existirão mais.
E ainda assim são absolutamente lindos da sua própria maneira!
[...]
A gente pode olhar pra tudo isso, e simplesmente tentar ignorar pra fingir que vivemos em Paz.
Ou podemos olhar diretamente pra isso, nos perguntando: O que é que mesmo sabendo que será completamente desintegrado por este furacão do tempo, ainda assim, escolhe viver...?
Qual é a flor que mesmo sabendo do tornado que se arma rapidamente a alguns metros ao lado, ainda assim, decide desabrochar...?
O que é que mesmo que seja destruído tem valor que transcende o tempo?
E então podemos ir ainda mais além, nos perguntando: São estas coisas, essas flores que desabrocham no armar da tempestade, que tem permeado minha vida?
São estas questões que preenchem meu tempo e tomam minha energia?
Porque se não forem, bem...
O furacão vai passar.
E não vai pedir licença, nem te dar um tempo extra.
E do mísero instante de existência, do milésimo de segundo que é a vida...
...terá sido vazio.
A oportunidade que nos é dada já é escassa!
Já é rápido demais! Difícil demais...
...pra simplesmente esquecer
do que realmente importa.
O que foi, não volta. É sempre pra frente. E o que é, um dia não será mais. Gostemos ou não.
Da mesma forma que tudo nos é dado, tudo nos é tirado.
O ar que respiramos, o corpo que usamos, o paladar, a visão, a audição, tudo isso, é uma questão de tempo, até nos ser tirado. E é só uma questão de tempo até tudo isso ser dado a outros seres que virão. Um fluxo constante e tão forte quanto a própria vida de vida se alimentando de vida - através da "morte".
[...]
Toda a beleza e deslumbre de cada Ser, e todos os Multi-versos que cada um carrega dentro de si, tão lindos, tão preciosos, tão únicos...
...um dia não existirão mais.
E ainda assim são absolutamente lindos da sua própria maneira!
[...]
A gente pode olhar pra tudo isso, e simplesmente tentar ignorar pra fingir que vivemos em Paz.
Ou podemos olhar diretamente pra isso, nos perguntando: O que é que mesmo sabendo que será completamente desintegrado por este furacão do tempo, ainda assim, escolhe viver...?
Qual é a flor que mesmo sabendo do tornado que se arma rapidamente a alguns metros ao lado, ainda assim, decide desabrochar...?
O que é que mesmo que seja destruído tem valor que transcende o tempo?
E então podemos ir ainda mais além, nos perguntando: São estas coisas, essas flores que desabrocham no armar da tempestade, que tem permeado minha vida?
São estas questões que preenchem meu tempo e tomam minha energia?
Porque se não forem, bem...
O furacão vai passar.
E não vai pedir licença, nem te dar um tempo extra.
E do mísero instante de existência, do milésimo de segundo que é a vida...
...terá sido vazio.
A oportunidade que nos é dada já é escassa!
Já é rápido demais! Difícil demais...
...pra simplesmente esquecer
do que realmente importa.
8.22.2013
E depois de vestir-me completamente de mim mesma,
com cada véu, cada cor e cada renda no lugar exato que expressem quem sou,
tendo jogado fora toda máscara, todo adorno e toda mancha que não pertenciam a mim,
Num suspiro, sorrio de Plenitude.
Contemplo para cada traço, cada curva, cada tom, cada som
Eu poderia julgar cada um belo ou feio
em aceitável ou condenável
Mas dessa vez, não deu
A Paz de Ser por completo,
sem excluir nenhuma das partes que eu podia ver,
Era irresistível
- O êxtase do Ser
E então de repente,
como gotas d'água que começam a brotar das pedras
surge em mim uma vontade inédita
Um novo universo de possibilidades e desafios aos poucos se revela
Nessa suave vontade irresistível
de aos poucos
despir-me completamente
de mim mesma.
com cada véu, cada cor e cada renda no lugar exato que expressem quem sou,
tendo jogado fora toda máscara, todo adorno e toda mancha que não pertenciam a mim,
Num suspiro, sorrio de Plenitude.
Contemplo para cada traço, cada curva, cada tom, cada som
Eu poderia julgar cada um belo ou feio
em aceitável ou condenável
Mas dessa vez, não deu
A Paz de Ser por completo,
sem excluir nenhuma das partes que eu podia ver,
Era irresistível
- O êxtase do Ser
E então de repente,
como gotas d'água que começam a brotar das pedras
surge em mim uma vontade inédita
Um novo universo de possibilidades e desafios aos poucos se revela
Nessa suave vontade irresistível
de aos poucos
despir-me completamente
de mim mesma.
8.20.2013
A Verdade
Não é uma questão de de opinião
Não é uma questão de pensar, entender ou debater.
É uma questão de lembrar
O que sempre soubemos
Mas aos poucos esquecemos
De como saber
Ser
Não é uma questão de pensar, entender ou debater.
É uma questão de lembrar
O que sempre soubemos
Mas aos poucos esquecemos
De como saber
Ser
8.11.2013
O Vestido
Ganho de presente de aniversário dos seus pais, um vestido-bata indiano [que vc sempre achou lindo, mas nunca teve coragem de comprar por falta de coragem de usar] e nunca me senti tão bem numa roupa antes.
Dessa vez eles não brigaram comigo porque minha roupa era simples demais, esquisita demais, ou estava suja demais, ou usada demais.
Dessa vez, com a mesma naturalidade que eles compraram roupas apenas pretas pra mim durante 7 anos, compraram um vestido indiano roxo ontem.
Dessa vez, minha mãe não se importou se era algo dentro ou fora de moda. Importou-se apenas que era elegante - e fácil de lavar, porque eu sou péssima nisso.
Dessa vez, pela primeira vez, ela quis que eu usasse algo totalmente fora do esquadro. Totalmente eu.
Mais do que me aceitar - meus pais me compreendiam!
Eles, da sua própria forma de saber, sabem quem eu sou.
A prova estada ali. Estampada em roxo, preto e amarelo. Em flores, decotes e tecidos.
Meu corpo, meu rosto, meus contornos pareciam ter sido feitos pra vestidos como aquele. Sem amarras - e cheios de formas. Cheios de cores. Cheios de flores.
Dava quase para sentir o cheiro do incenso ao meu redor, ou ouvir os passos pelos corredores de algum templo perdido no tempo e no espaço.
Por um instante todos ali fomos transportados para algum lugar assim...
Um lugar onde eram cabíveis vestidos como aquele...
Deixamos para trás um momento e um lugar de opressão e tirania do quadrado, do cinza, do duro e do artificial
...E nunca mais voltamos.
Calou-se então em mim - talvez para nunca mais falar - a voz que dizia que vestidos indianos, longos, roxos e esvoaçantes, não são aceitáveis de se vestir no dia-a-dia.
Calou-se então mim - quem sabe pra nunca mais falar - a voz que dizia que ser quem eu sou não é aceitável no dia-a-dia.
Dessa vez eles não brigaram comigo porque minha roupa era simples demais, esquisita demais, ou estava suja demais, ou usada demais.
Dessa vez, com a mesma naturalidade que eles compraram roupas apenas pretas pra mim durante 7 anos, compraram um vestido indiano roxo ontem.
Dessa vez, minha mãe não se importou se era algo dentro ou fora de moda. Importou-se apenas que era elegante - e fácil de lavar, porque eu sou péssima nisso.
Dessa vez, pela primeira vez, ela quis que eu usasse algo totalmente fora do esquadro. Totalmente eu.
Mais do que me aceitar - meus pais me compreendiam!
Eles, da sua própria forma de saber, sabem quem eu sou.
A prova estada ali. Estampada em roxo, preto e amarelo. Em flores, decotes e tecidos.
Meu corpo, meu rosto, meus contornos pareciam ter sido feitos pra vestidos como aquele. Sem amarras - e cheios de formas. Cheios de cores. Cheios de flores.
Dava quase para sentir o cheiro do incenso ao meu redor, ou ouvir os passos pelos corredores de algum templo perdido no tempo e no espaço.
Por um instante todos ali fomos transportados para algum lugar assim...
Um lugar onde eram cabíveis vestidos como aquele...
Deixamos para trás um momento e um lugar de opressão e tirania do quadrado, do cinza, do duro e do artificial
...E nunca mais voltamos.
Calou-se então em mim - talvez para nunca mais falar - a voz que dizia que vestidos indianos, longos, roxos e esvoaçantes, não são aceitáveis de se vestir no dia-a-dia.
Calou-se então mim - quem sabe pra nunca mais falar - a voz que dizia que ser quem eu sou não é aceitável no dia-a-dia.
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