Antigamente, quando sentia a avalanche de algum poema se aproximando, corria para o papel e caneta ou computador mais próximo... Como se fosse perdê-la para sempre.
Hoje, entendo que nem que queira fugir dela, eu posso...
Cada poema é poema para o próprio momento em que surge
Se anoto, é por puro acaso. É porque precisa ser escrito.
Ou para mim mesma que um dia repetirei os mesmos versos
[ainda que a leitora já seja um ser diferente da autora até lá]
Ou para outros olhos que um dia passarão pelos mesmos versos que eu
Hoje a poesia não é mais um rompante. É um estado de espírito. Um estado de Ser.
Inverte a lógica da lógica e flui do coração pra cabeça
E se a garganta não faz uma ponte decente entre eles
É nó na certa.
Não, sem desespero pelo poema que passou sem ser escrito.
Pela música que passou sem ser gravada
Quando eu precisar, outro poema virá.
Outra música virá.
Inéditos! Insubstituíveis!
E não se repetirão
Afinal, não é isso que é a vida?
Transformação constante de poemas que não voltam...?
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