[...questionamentos casuais de mais um pré-Natal...]
Sim, eu reverencio as faces femininas do Divino.
Mas eu não sou conivente com a noção de 'feminilidade' imposta pelo patriarcado.
No meu altar não coube um Feminino obediente, socialmente ajustado, politicamente alienado, ou economicamente dependente.
Sem questionar o que entendemos por "Feminino" teremos uma visão superficial, distorcida e maculada do Sagrado.
Ao invés de deixar que nossas noções culturais tão asquerosas sobre o que é "feminino" se projetem no Sagrado, façamos o contrário.
Deixemos que a energia feminina primordial pura se revele para nós, em nosso íntimo, de dentro pra fora. E a partir disso contemplar essa essência e qual o tamanho da distorção que a cultura impõe.
E pode ser que nada venha.
Pode ser que não exista, em essência, em pureza, em verdade, algo que se possa chamar de "Sagrado Feminino" - e isso seja tudo mera construção social na nossa psique.
Estamos preparadas pra isso?
Ou pode ser que esse "Sagrado Feminino" tenha muito pouco de "virgem" e muito de "Maria". Essas que a gente encontra por aí, todo dia... Que Ela esteja em formas comuns, que seja tão perfeita que, em nossa ignorâncias, julguemos-a imperfeita. Que seja moralmente questionável ou socialmente condenável.
Estamos preparadas pra isso?
Ou pode ser o contrário também. Algo tão belo e arrebatador que tudo que vier depois de tão Visão seja completamente sem brilho, sem cor, sem sabor - não fosse por uma sutil sensação de que por detrás das aparências, é Ela que está ali. E passemos o resto da vida nos dedicando às Artes para afastar a loucura e tentar desesperadamente expressar tamanha Beleza - sem nunca conseguirmos chegar nem aos pés do que sentimos.
Estamos preparadas pra isso?
E pode ser ainda pior: que ela dê sinais de que existe de fato, mas decida nunca se revelar por completo. E não haver disciplina espiritual que a convença. Não quer, e pronto.
Estamos preparadas pra isso?
Estamos - verdadeiramente - preparadas para Ela?
12.23.2015
12.22.2015
Tem alguma coisa de profundamente pacífico
dentro do estômago da Furiosa
Enquanto Ela me digere
Eu me rendo
Rendo Poesia
ainda que crônica.
Rendo em Amor
ainda em chamas
Rendo em Gratidão
ainda que em dor
E conforme Ela me revira
Me despeça, me alucina
Eu me encontro
Em mim mesma
Sou eu que me fundo a Ela?
Ou Ela que desabrocha em mim?
Impossível saber
Mas... Ah...
Essa Paz
Esse Silêncio
Me tomam
Me arrebatam
Me trans formam
Me trans bordam
Me São
12.11.2015
Diálogos imaginários:
- Hã?! Onde eu tô?!
- Olá, bem-vindo ao seu karma.
- TAQUEOPARIU QUE SUUUSSTOO!!!! Quem é você?!
- Kali Devi, o prazer é todo seu.
- O que aconteceu?
- Você morreu.
- ...
- Já era tempo, né?
- Mas não era pra ter um julgamento, etc?
- Ah, é isso que falaram pra você? Tadinho. Erraram a lenda. Na verdade, é comigo.
- E agora?
- HE HE HE.
Cabeças rolando ao chão
*repeat por 5000 anos*
- Hã?! Onde eu tô?!
- Olá, bem-vindo ao seu karma.
- TAQUEOPARIU QUE SUUUSSTOO!!!! Quem é você?!
- Kali Devi, o prazer é todo seu.
- O que aconteceu?
- Você morreu.
- ...
- Já era tempo, né?
- Mas não era pra ter um julgamento, etc?
- Ah, é isso que falaram pra você? Tadinho. Erraram a lenda. Na verdade, é comigo.
- E agora?
- HE HE HE.
Cabeças rolando ao chão
*repeat por 5000 anos*
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