Um dia, eu era menina
e chamaram-me "Puta"
e eu chorei.
Um dia, eu era adolescente
chamaram-me "puta!"
e eu senti vergonha.
Um dia, eu era fera no cio
chamaram-me "puta!"
e eu gostei.
Um dia, eu era moça
chamaram-me "puta!"
e estremeci: será?
Um dia, eu era mulher
chamaram-me "puta!"
Eu, naturalmente, sorri.
- Satya Devi
Crônicas de Cura
12.15.2016
11.04.2016
Um Conto sobre Empoderamento
Eu reprovei minha prova de direção 3 vezes antes de ser admitida, na quarta vez e tirar minha carta.
No celtinha prata das aulas, sem direção hidráulica ou câmbio automático, diante do meu professor, eu era uma condutora exemplar.
No Astra automático do meu pai, diante dele, eu era uma negação. Tremia da cabeça aos pés, tinha sintomas de crises de pânico. Eu tinha o talento de fazer um carro automático morrer numa rua plana (!!!). Pressão caía, eu me sentia incapaz. Incapaz de atender às altíssimas expectativas dele.
Incapaz.
Impotente.
E presa nisso.
Uma bela noite, na casa de amigos da minha irmã, isso mudou.
Precisávamos dar uma passada no shopping, que era alguns quarteirões dali, mas era noite para andarmos as 3 meninas a pé até lá seria perigoso. Fomos até o escritório do padrasto da minha amiga pedir uma carona. Um estrangeiro, meio hippie, com os cabelos loiros e grisalhos, longos e amarrados num rabo-de-cavalo baixinho, e quase 2m de altura. Companheiro de uma das dançarinas do ventre mais poderosas que eu conheci. Uma figura atípica, quase alienígena ao meio em que eu vivia, mas que me inspirava profunda simpatia. Ele falava muito pouco português e conversamos em inglês. Quando pedimos a carona, ele olhou pra mim e disse:
-"Você. Quantos anos tem?"
- Dezoito.
- Você dirige?
- Eu acabei de tirar, mas ainda não tenho confiança de dirigir. Reprovei várias vezes e...
Antes que eu pudesse terminar minha fala ele simplesmente jogou amigavelmente as chaves do carro na minha direção com um sorriso.
- Já pilotou um carro automático?
- Sim, mas nossa... Eu não consigo, é muita responsabilidade...
- Nah. Você é uma garota inteligente e cuidadosa. Tenho certeza de que é capaz de ir até o shopping e voltar.
E tranquilamente, voltou-se ao seu notebook, continuar seus trabalhos... A tranquilidade dele em confiar em mim, que ele nem se quer conhecia, me paralisou.
Demorei, conversei, pensei, ponderei, e aceitei.
E de repente lá estava eu, conduzindo o maior carro que já havia conduzido, uma Chrysler, 4x4, caminhonete, indo até o shopping, com duas menores de idade no carro. Eu jamais seria capaz de pagar os reparos daquele carro se qualquer coisa acontecesse.
Dirigi, rindo de nervoso, nos primeiros 30 segundos. E depois, foi perfeita serenidade. Só a parte de passar nas cancelas do shopping foi um pouco apertado, mas com jeitinho deu tudo certo.
Foi como um ato de de desobediência civil. A sensação era de estar fazendo algo totalmente fora da lei, mas paradoxalmente, muito justa e muito simples! Todos deveriam ter o direito básico de ir e vir, não?
Lembro de ter chorado, em algum momento logo após o ocorrido.
Um estranho confiou em mim, e isso fez com que eu confiasse em mim.
E confiar em mim mesma me tornou capaz.
Não sei se aquele homem sabe o tamanho do que fez por mim. Talvez fosse ele consciente de que as mulheres e meninas são historicamente desempoderadas e convencidas de que são incapazes (considerando que ele tinha vários traços de ser muito aprofundado em sua espiritualidade alternativa).
Talvez ele só estivesse com preguiça de dirigir.
Não importa.
Ele confiou em mim como ninguém confiava, e aquele gesto me tornou capaz. Ou melhor: deu-me a oportunidade de demonstrar a mim mesma que eu era capaz.
Capaz de dirigir aquele tamanho de carro, eu seria capaz de dirigir qualquer coisa - inclusive minha própria vida.
E agora que eu sabia que era capaz, nada mais seria o mesmo.
Hoje me peguei pensando sobre isso...
E sobre o quanto em nossas vidas que nós deixamos de realizar porque acreditamos quando os outros nos dizem (verbal ou não-verbalmente) que não somos capazes.
E sobre o quanto que o papel que podemos exercer na vida uns dos outros em nos revelar capazes.
Talvez seja esse o papel dos professores, instrutores, achariyas: confiar na habilidade inerente de cada um em florescer a própria espiritualidade, o próprio Poder, o próprio Amor.
Talvez empoderar seja atribuir confiança ao outro.
Seja confiar na capacidade inerente do outro.
E fazer isso com tamanha verdade e tamanha tranquilidade que o outro mesmo acredite-se capaz através dessa mesma confiança e Amor.
Amar ao próximo com tamanha sinceridade e abertura que o próximo descubra em Si Mesmo o Amor Próprio e o Amor a todos os seres.
Curar ao próximo com tamanha serenidade que o próximo descubra Si Mesmo o poder de curar a si mesmo e aos demais.
Demonstrar um ásana [postura] do Yoga com tamanha tranquilidade e confiança, que quem veja acredite na própria capacidade de realizá-lo com igual serenidade.
E assim o Empoderamento e o Amor seguirão como vírus Terra afora.
E estupefada, agora percebo: aquele homem com quem eu só conversei uma única vez, foi um precioso achriya em minha vida.
Gratidão, homem misterioso!
Talvez o que falte, em especial às mulheres, seja alguém que lhe olhe com confiança e tranquilidade e lhes diga: "você é capaz".
Talvez seja esse o papel que eu tenha desempenhar na vida de quem queira trocar comigo. Dizer-lhes: "você é capaz".
Você, que aqui me lê, saiba: você é capaz!
Abraços com Amor,
Satya Devi
No celtinha prata das aulas, sem direção hidráulica ou câmbio automático, diante do meu professor, eu era uma condutora exemplar.
No Astra automático do meu pai, diante dele, eu era uma negação. Tremia da cabeça aos pés, tinha sintomas de crises de pânico. Eu tinha o talento de fazer um carro automático morrer numa rua plana (!!!). Pressão caía, eu me sentia incapaz. Incapaz de atender às altíssimas expectativas dele.
Incapaz.
Impotente.
E presa nisso.
Uma bela noite, na casa de amigos da minha irmã, isso mudou.
Precisávamos dar uma passada no shopping, que era alguns quarteirões dali, mas era noite para andarmos as 3 meninas a pé até lá seria perigoso. Fomos até o escritório do padrasto da minha amiga pedir uma carona. Um estrangeiro, meio hippie, com os cabelos loiros e grisalhos, longos e amarrados num rabo-de-cavalo baixinho, e quase 2m de altura. Companheiro de uma das dançarinas do ventre mais poderosas que eu conheci. Uma figura atípica, quase alienígena ao meio em que eu vivia, mas que me inspirava profunda simpatia. Ele falava muito pouco português e conversamos em inglês. Quando pedimos a carona, ele olhou pra mim e disse:
-"Você. Quantos anos tem?"
- Dezoito.
- Você dirige?
- Eu acabei de tirar, mas ainda não tenho confiança de dirigir. Reprovei várias vezes e...
Antes que eu pudesse terminar minha fala ele simplesmente jogou amigavelmente as chaves do carro na minha direção com um sorriso.
- Já pilotou um carro automático?
- Sim, mas nossa... Eu não consigo, é muita responsabilidade...
- Nah. Você é uma garota inteligente e cuidadosa. Tenho certeza de que é capaz de ir até o shopping e voltar.
E tranquilamente, voltou-se ao seu notebook, continuar seus trabalhos... A tranquilidade dele em confiar em mim, que ele nem se quer conhecia, me paralisou.
Demorei, conversei, pensei, ponderei, e aceitei.
E de repente lá estava eu, conduzindo o maior carro que já havia conduzido, uma Chrysler, 4x4, caminhonete, indo até o shopping, com duas menores de idade no carro. Eu jamais seria capaz de pagar os reparos daquele carro se qualquer coisa acontecesse.
Dirigi, rindo de nervoso, nos primeiros 30 segundos. E depois, foi perfeita serenidade. Só a parte de passar nas cancelas do shopping foi um pouco apertado, mas com jeitinho deu tudo certo.
Foi como um ato de de desobediência civil. A sensação era de estar fazendo algo totalmente fora da lei, mas paradoxalmente, muito justa e muito simples! Todos deveriam ter o direito básico de ir e vir, não?
Lembro de ter chorado, em algum momento logo após o ocorrido.
Um estranho confiou em mim, e isso fez com que eu confiasse em mim.
E confiar em mim mesma me tornou capaz.
Não sei se aquele homem sabe o tamanho do que fez por mim. Talvez fosse ele consciente de que as mulheres e meninas são historicamente desempoderadas e convencidas de que são incapazes (considerando que ele tinha vários traços de ser muito aprofundado em sua espiritualidade alternativa).
Talvez ele só estivesse com preguiça de dirigir.
Não importa.
Ele confiou em mim como ninguém confiava, e aquele gesto me tornou capaz. Ou melhor: deu-me a oportunidade de demonstrar a mim mesma que eu era capaz.
Capaz de dirigir aquele tamanho de carro, eu seria capaz de dirigir qualquer coisa - inclusive minha própria vida.
E agora que eu sabia que era capaz, nada mais seria o mesmo.
Hoje me peguei pensando sobre isso...
E sobre o quanto em nossas vidas que nós deixamos de realizar porque acreditamos quando os outros nos dizem (verbal ou não-verbalmente) que não somos capazes.
E sobre o quanto que o papel que podemos exercer na vida uns dos outros em nos revelar capazes.
Talvez seja esse o papel dos professores, instrutores, achariyas: confiar na habilidade inerente de cada um em florescer a própria espiritualidade, o próprio Poder, o próprio Amor.
Talvez empoderar seja atribuir confiança ao outro.
Seja confiar na capacidade inerente do outro.
E fazer isso com tamanha verdade e tamanha tranquilidade que o outro mesmo acredite-se capaz através dessa mesma confiança e Amor.
Amar ao próximo com tamanha sinceridade e abertura que o próximo descubra em Si Mesmo o Amor Próprio e o Amor a todos os seres.
Curar ao próximo com tamanha serenidade que o próximo descubra Si Mesmo o poder de curar a si mesmo e aos demais.
Demonstrar um ásana [postura] do Yoga com tamanha tranquilidade e confiança, que quem veja acredite na própria capacidade de realizá-lo com igual serenidade.
E assim o Empoderamento e o Amor seguirão como vírus Terra afora.
E estupefada, agora percebo: aquele homem com quem eu só conversei uma única vez, foi um precioso achriya em minha vida.
Gratidão, homem misterioso!
Talvez o que falte, em especial às mulheres, seja alguém que lhe olhe com confiança e tranquilidade e lhes diga: "você é capaz".
Talvez seja esse o papel que eu tenha desempenhar na vida de quem queira trocar comigo. Dizer-lhes: "você é capaz".
Você, que aqui me lê, saiba: você é capaz!
Abraços com Amor,
Satya Devi
11.01.2016
Virgindade: 'perdi' o quê?
Hoje eu me peguei mergulhada no terror que eu sentia quando era pré-adolescente e adolescente da expressão "Perder a Virgindade"...
Lembro que semanas antes de ter minha primeira relação com um homem, eu me questionava se eu de fato iria 'Perder' alguma coisa e o quê. Se era mesmo algo que eu queria fazer... Transar antes do casamento. E ao mesmo tempo, meu corpo, e minha mente não tinham dúvidas.
Toda sexualidade era 'proibida' para eu e minhas amigas. Pela Lei e pela sociedade. A Lei dizia coisas como se apenas após os 18 anos eu estivesse apta para decidir as coisas - ou como se até lá, eu não tivesse o direito a ser um ser sexual, ao mesmo tempo em que sexualizava constantemente a mim e minhas amigas por sermos adolescentes.
Na época eu me enchia de correntes, de roupas pretas, de qualquer recurso visual para parecer um pouco mais agressiva e me sentir representada por fora pelo o que eu era por dentro. A fragilidade com que me tratavam sem tal indumentária chegava a ser desrespeitosa. Como se eu fosse algum tipo de incapaz.
Na época isso tudo não era tão consciente quanto é hoje. Mas estava lá, no mesmo jeito. Me triturando o peito e apertando os quadris. E antes fosse num espartilho, mas era num uniforme de escola mesmo. Feio, padronizante, broxante e monótono - e não impedia EM NADA que levássemos cantadas na rua.
Qual é o espaço que nossas adolescentes têm hoje em dia para buscar orientação ou vivência da própria sexualidade?
Será que alguma coisa mudou?
Quando o impensável, o condenável, o monstruoso acontece: uma fêmea humana com menos de 18 anos começa a 'uivar para a Lua Cheia', quais as opções que ela tem?
E a fêmea que é mãe dessa outra jovem fêmea e percebe os sinais? Em que situação está essa mãe?
O que seria de nossa sociedade se celebrássemos a menstruação e a sexualidade das nossas fêmeas de maneira segura, respeitosa, festiva e amorosa - independente da idade em que aconteçam?
Que profunda transformação não poderíamos semear?
Se criássemos mulheres que apropriam do próprio corpo, que tomam as rédeas do próprio prazer e da própria liberdade - desde sempre - e isso fosse o ponto de partida da vida delas, e não o de chegada?
Lembro que semanas antes de ter minha primeira relação com um homem, eu me questionava se eu de fato iria 'Perder' alguma coisa e o quê. Se era mesmo algo que eu queria fazer... Transar antes do casamento. E ao mesmo tempo, meu corpo, e minha mente não tinham dúvidas.
Toda sexualidade era 'proibida' para eu e minhas amigas. Pela Lei e pela sociedade. A Lei dizia coisas como se apenas após os 18 anos eu estivesse apta para decidir as coisas - ou como se até lá, eu não tivesse o direito a ser um ser sexual, ao mesmo tempo em que sexualizava constantemente a mim e minhas amigas por sermos adolescentes.
Na época eu me enchia de correntes, de roupas pretas, de qualquer recurso visual para parecer um pouco mais agressiva e me sentir representada por fora pelo o que eu era por dentro. A fragilidade com que me tratavam sem tal indumentária chegava a ser desrespeitosa. Como se eu fosse algum tipo de incapaz.
Na época isso tudo não era tão consciente quanto é hoje. Mas estava lá, no mesmo jeito. Me triturando o peito e apertando os quadris. E antes fosse num espartilho, mas era num uniforme de escola mesmo. Feio, padronizante, broxante e monótono - e não impedia EM NADA que levássemos cantadas na rua.
Qual é o espaço que nossas adolescentes têm hoje em dia para buscar orientação ou vivência da própria sexualidade?
Será que alguma coisa mudou?
Quando o impensável, o condenável, o monstruoso acontece: uma fêmea humana com menos de 18 anos começa a 'uivar para a Lua Cheia', quais as opções que ela tem?
E a fêmea que é mãe dessa outra jovem fêmea e percebe os sinais? Em que situação está essa mãe?
O que seria de nossa sociedade se celebrássemos a menstruação e a sexualidade das nossas fêmeas de maneira segura, respeitosa, festiva e amorosa - independente da idade em que aconteçam?
Que profunda transformação não poderíamos semear?
Se criássemos mulheres que apropriam do próprio corpo, que tomam as rédeas do próprio prazer e da própria liberdade - desde sempre - e isso fosse o ponto de partida da vida delas, e não o de chegada?
10.31.2016
Será que a gente vai se tornando parecido com quem trocamos Amor [talvez por existir muita troca energética]...
...ou é o Amor que, através das pessoas, nos conscientiza aquilo que nós sempre fomos?
Mistérios.
O que sei é que me tornei um pouco de todos que amo e amei.
E esse caleidoscópio
meio cubista
meio erótico
me realiza
E me poetiza.
<3
Não estranho
Não ser reconhecida
A cada amor que chega
O caleidoscópio atualiza
Agora mesmo
Já não sou mais a mesma
Da moça que começou a Poesia
Amei o Sol na janela
Amei a música que ouvia
E amei o sentir
Desse Amor que sentia
Quando é Espelho na frente de Espelho
Nem sempre o reflexo
Nem nexo
Minha vida quando simétrica
tem sido assim:
mundo afora
várias mandalas de mim
Quando assimétrica
fico meio caos
perco a métrica
e a vida concreta
parece psicodélica
E assim eu vou
me dissolvendo
no Amor
em suas tramas
teias
e venenos
Ora reta
Ora curva
Ora vestida
Ora nua
Ora madura
Ora crua
Até que chegue minha Hora.
...ou é o Amor que, através das pessoas, nos conscientiza aquilo que nós sempre fomos?
Mistérios.
O que sei é que me tornei um pouco de todos que amo e amei.
E esse caleidoscópio
meio cubista
meio erótico
me realiza
E me poetiza.
<3
Não estranho
Não ser reconhecida
A cada amor que chega
O caleidoscópio atualiza
Agora mesmo
Já não sou mais a mesma
Da moça que começou a Poesia
Amei o Sol na janela
Amei a música que ouvia
E amei o sentir
Desse Amor que sentia
Quando é Espelho na frente de Espelho
Nem sempre o reflexo
Nem nexo
Minha vida quando simétrica
tem sido assim:
mundo afora
várias mandalas de mim
Quando assimétrica
fico meio caos
perco a métrica
e a vida concreta
parece psicodélica
E assim eu vou
me dissolvendo
no Amor
em suas tramas
teias
e venenos
Ora reta
Ora curva
Ora vestida
Ora nua
Ora madura
Ora crua
Até que chegue minha Hora.
10.28.2016
Minha Bruxa usa alguns colares de caveiras.
Cada caveira uma vida passada
Um mantra
Um nome
Uma paixão
Uma professora
Uma aluna
Uma filha
Uma ancestral
Uma amiga
Que diferença há entre
o crânio revestido de rosto
e os crânios nus?
...apenas um hiato de tempo
e o toque amoroso das mãos que lhes fizeram colar.
Vai ver a cabeça que cria colares de crânios
quer desafiar a Degoladora
para ter a honra de ser colar também.
- Satya Nateshwari Devi
Cada caveira uma vida passada
Um mantra
Um nome
Uma paixão
Uma professora
Uma aluna
Uma filha
Uma ancestral
Uma amiga
Que diferença há entre
o crânio revestido de rosto
e os crânios nus?
...apenas um hiato de tempo
e o toque amoroso das mãos que lhes fizeram colar.
Vai ver a cabeça que cria colares de crânios
quer desafiar a Degoladora
para ter a honra de ser colar também.
- Satya Nateshwari Devi
10.06.2016
Descobri no Tabu, um Lar
Descobri no Amor, um refúgio
Descobri na fé, um alívio
Descobri na luta, uma disciplina
E no gozo, a Liberação
O que é meu não me pertence
Mas eu que pertenço a esse chão
Ao céu, às chamas e às águas
O que eu toco, não simplesmente toco
Sou tocada também
Nada me define
Me limita
Me aprisiona
Não há o que defender
Que mereça ser defendido
Pois o que mereceria defesa,
não é perecível
O que é Eterno
é apenas Sentível
A cada Um
A cada Uma
E a cada Om
Intransferível
9.19.2016
Quando chega o Tempo,
No lugar do Onde,
Iluminada pela Sabedoria
De todos os yogues e tantrikas
A Luz coagula e se concentra
no pseudo-soma rubro da videira
Gera a sagrada faísca...
...E Fogo!
Incinerando constante
O medo ignorante
É Sol de Shakti nas águas da madrugada
A verdade abre suas pétalas ao céu
Lótus rendido à Lua Cheia de Shiva
Que dança seus ciclos vertiginosos
Sobre os caleidoscópios de devotos
Agora,
andrógenos
No lugar do Onde,
Iluminada pela Sabedoria
De todos os yogues e tantrikas
A Luz coagula e se concentra
no pseudo-soma rubro da videira
Gera a sagrada faísca...
...E Fogo!
Incinerando constante
O medo ignorante
É Sol de Shakti nas águas da madrugada
A verdade abre suas pétalas ao céu
Lótus rendido à Lua Cheia de Shiva
Que dança seus ciclos vertiginosos
Sobre os caleidoscópios de devotos
Agora,
andrógenos
- Satya Devi
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