Lembro que semanas antes de ter minha primeira relação com um homem, eu me questionava se eu de fato iria 'Perder' alguma coisa e o quê. Se era mesmo algo que eu queria fazer... Transar antes do casamento. E ao mesmo tempo, meu corpo, e minha mente não tinham dúvidas.
Toda sexualidade era 'proibida' para eu e minhas amigas. Pela Lei e pela sociedade. A Lei dizia coisas como se apenas após os 18 anos eu estivesse apta para decidir as coisas - ou como se até lá, eu não tivesse o direito a ser um ser sexual, ao mesmo tempo em que sexualizava constantemente a mim e minhas amigas por sermos adolescentes.
Na época eu me enchia de correntes, de roupas pretas, de qualquer recurso visual para parecer um pouco mais agressiva e me sentir representada por fora pelo o que eu era por dentro. A fragilidade com que me tratavam sem tal indumentária chegava a ser desrespeitosa. Como se eu fosse algum tipo de incapaz.
Na época isso tudo não era tão consciente quanto é hoje. Mas estava lá, no mesmo jeito. Me triturando o peito e apertando os quadris. E antes fosse num espartilho, mas era num uniforme de escola mesmo. Feio, padronizante, broxante e monótono - e não impedia EM NADA que levássemos cantadas na rua.
Qual é o espaço que nossas adolescentes têm hoje em dia para buscar orientação ou vivência da própria sexualidade?
Será que alguma coisa mudou?
Quando o impensável, o condenável, o monstruoso acontece: uma fêmea humana com menos de 18 anos começa a 'uivar para a Lua Cheia', quais as opções que ela tem?
E a fêmea que é mãe dessa outra jovem fêmea e percebe os sinais? Em que situação está essa mãe?
O que seria de nossa sociedade se celebrássemos a menstruação e a sexualidade das nossas fêmeas de maneira segura, respeitosa, festiva e amorosa - independente da idade em que aconteçam?
Que profunda transformação não poderíamos semear?
Se criássemos mulheres que apropriam do próprio corpo, que tomam as rédeas do próprio prazer e da própria liberdade - desde sempre - e isso fosse o ponto de partida da vida delas, e não o de chegada?
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