Sim, parto.
Deixo para trás uma cidade. Uma vida que não viverei. Uma pessoa que não serei.
Espero ter deixado um pouco de mim, em retribuição.
Porque levo um pouco dessa vida em mim.
Cada Ser que olhei nos olhos, me revelou uma face do Divino.
Cada palavra que troquei, um brinde de vinho ou de sangue.
Cada beijo, cada abraço,
cada plano não realizado,
cada realização não-planejada
Cansei de fugir de mim
E me encontrei
Me enchi de mim mesma
E me cansei
Transbordei de Amor
E fui sendo esvaziada
Parei de conter
Fluíram as águas
Primeiro pelas frestas
Depois como riacho,
Dilatando como rio
E agora é Oceano
Que de tão cheio
É vazio.
Tão pouco agora tem sentido
Tão pouco agora tem verdade
Que não me resta outro caminho
Se não continuar a caminhar
É no colo da Mãe Te Queira
Que vou descansar de meu sono
E despertar para a labuta que vale a pena
Que a vale a reza,
Que vale o verso
Que vale o poema,
Que vale a vida
Vida que só vale
Se for Inteira
- Satya Devi
12.16.2014
12.06.2014
Momento sensível.
Delicado, frágil, vulnerável.
Ferida aberta
Exposição obscena
De brancas pétalas
Femininas
De perdão
Do certo e do errado
Resta apenas a fratura
Exposta
À Lua Cheia
Lava de sangue e mel
A pele rosada
E gota a gota
Lágrima por lágrima
Lava
A Terra inteira
Em solitário colo
Canta a sereia fora d'água
Entre o quadrado concreto
Invasor
E surdo
E em afeto explícito
Recomendado somente
Aos maiores de alma
Comete-se o mais orgiástico
Dos pecados originais
Em lésbica ternura
Mama a ninfa
Menstruada e nua
No colo da própria Mãe
Parida pra dentro
De si mesma
Delicado, frágil, vulnerável.
Ferida aberta
Exposição obscena
De brancas pétalas
Femininas
De perdão
Do certo e do errado
Resta apenas a fratura
Exposta
À Lua Cheia
Lava de sangue e mel
A pele rosada
E gota a gota
Lágrima por lágrima
Lava
A Terra inteira
Em solitário colo
Canta a sereia fora d'água
Entre o quadrado concreto
Invasor
E surdo
E em afeto explícito
Recomendado somente
Aos maiores de alma
Comete-se o mais orgiástico
Dos pecados originais
Em lésbica ternura
Mama a ninfa
Menstruada e nua
No colo da própria Mãe
Parida pra dentro
De si mesma
12.02.2014
Relações
Entristece-me perceber nossa enorme dificuldade em nos relacionarmos. Não excluo ninguém dessa reflexão - inclusive eu mesma.
Entristece-me perceber como somos tão rudimentares em nossos sentimentos, em nossas angústias, em nossos desejos, em nossas projeções.
Enraivece-me a des-educação e a des-informação quando o assunto é 'relação'.
Entristece-me que não tenhamos a sabedoria, a coragem, e a humildade de dizermos com naturalidade, de alguma forma, de algum jeito: "Percebo um conflito aqui. Você também percebe? Vamos resolvê-lo juntos?".
Entristece-me que não saibamos o 'timing', o momento, o tom de voz de dizermos isso.
Entristece-me que não tenhamos um salão de chão macio e firme, para levarmos as pessoas com as quais conflitamos, e dançarmos com elas, olharmos nos seus olhos, bater e apanhar delas se necessário. Gritar com elas se necessário. Beijá-las ardentemente, se necessário. De preferência nus. De preferência sem interrupções. De preferência de maneira ritualística [para os que gostam de rituais] - já que todo "Outro" é o Deus que não vejo em mim.
Como somos todxs - e me incluo também! - tão inábeis em relações!
Sem a relação comigo mesma, não aprendo a me relacionar com o outro.
Então é necessário meditação! Indispensável!
Sem a relação com o outro, porém, não aprendo a me relacionar comigo.
Então é necessário comunicação plena! Igualmente indispensável!
E o que mais me dói é que enquanto não aprendermos a nos relacionar com nós mesmxs, com x outrx, com o diferente, com o igual, com o meio ambiente, com a comida e a louça acumulada na pia - enquanto isso não acontecer, a hierarquia de dominação permanecerá!
Sim, porque a Dominação só pode existir onde a Horizontalidade não funciona direito. E onde não há um conhecimento profundo sobre Relações, não existe Horizontalidade.
Das poucas técnicas que conheço, que promovem melhoria das relações como Contato-Improvisação, Meditação, Yoga, Dança, Carícia, Arte e Pedagogia Afetiva, deixam de ser questões de vocação ou talento. Deixam de ser algo feito por prazer ou por dinheiro e passam a ser premissa básica para todxs nós - começando por mim mesma que sinto e penso isso tudo - para desenvolvermos uma nossa estruturação coletiva que nos incentive a Liberdade, a Autonomia, o Senso de Realidade, a Comunicação Plena e o Amor!
Tudo o que desenvolve esta Sabedoria sobre Relações é [também] Ato Político e Libertário!
Por Amor, amadxs, aprendamos juntos a nos relacionarmos!
Desenvolvamos técnicas! Sabedoria em 'resolução de conflitos', em 'anti-preconceito', em 'agressividade', em 'sexualidade sadia', em 'afetuosidade real', em 'verdade', em 'comunicação plena'. Escrevamos livros, façamos palestras, que seja essa a primeira e última lição até que saibamos ao menos o suficiente para termos estruturas firmes para construir um mundo novo!
Gratidão!
Prema Seva!
- Satya Devi
Entristece-me perceber como somos tão rudimentares em nossos sentimentos, em nossas angústias, em nossos desejos, em nossas projeções.
Enraivece-me a des-educação e a des-informação quando o assunto é 'relação'.
Entristece-me que não tenhamos a sabedoria, a coragem, e a humildade de dizermos com naturalidade, de alguma forma, de algum jeito: "Percebo um conflito aqui. Você também percebe? Vamos resolvê-lo juntos?".
Entristece-me que não saibamos o 'timing', o momento, o tom de voz de dizermos isso.
Entristece-me que não tenhamos um salão de chão macio e firme, para levarmos as pessoas com as quais conflitamos, e dançarmos com elas, olharmos nos seus olhos, bater e apanhar delas se necessário. Gritar com elas se necessário. Beijá-las ardentemente, se necessário. De preferência nus. De preferência sem interrupções. De preferência de maneira ritualística [para os que gostam de rituais] - já que todo "Outro" é o Deus que não vejo em mim.
Como somos todxs - e me incluo também! - tão inábeis em relações!
Sem a relação comigo mesma, não aprendo a me relacionar com o outro.
Então é necessário meditação! Indispensável!
Sem a relação com o outro, porém, não aprendo a me relacionar comigo.
Então é necessário comunicação plena! Igualmente indispensável!
E o que mais me dói é que enquanto não aprendermos a nos relacionar com nós mesmxs, com x outrx, com o diferente, com o igual, com o meio ambiente, com a comida e a louça acumulada na pia - enquanto isso não acontecer, a hierarquia de dominação permanecerá!
Sim, porque a Dominação só pode existir onde a Horizontalidade não funciona direito. E onde não há um conhecimento profundo sobre Relações, não existe Horizontalidade.
Das poucas técnicas que conheço, que promovem melhoria das relações como Contato-Improvisação, Meditação, Yoga, Dança, Carícia, Arte e Pedagogia Afetiva, deixam de ser questões de vocação ou talento. Deixam de ser algo feito por prazer ou por dinheiro e passam a ser premissa básica para todxs nós - começando por mim mesma que sinto e penso isso tudo - para desenvolvermos uma nossa estruturação coletiva que nos incentive a Liberdade, a Autonomia, o Senso de Realidade, a Comunicação Plena e o Amor!
Tudo o que desenvolve esta Sabedoria sobre Relações é [também] Ato Político e Libertário!
Por Amor, amadxs, aprendamos juntos a nos relacionarmos!
Desenvolvamos técnicas! Sabedoria em 'resolução de conflitos', em 'anti-preconceito', em 'agressividade', em 'sexualidade sadia', em 'afetuosidade real', em 'verdade', em 'comunicação plena'. Escrevamos livros, façamos palestras, que seja essa a primeira e última lição até que saibamos ao menos o suficiente para termos estruturas firmes para construir um mundo novo!
Gratidão!
Prema Seva!
- Satya Devi
11.25.2014
REVERÊNCIA
Há penas
Muitas
Da Vida
Contar
Da Vida
Contar
Contos
De Vida
Não vivida
Não valida
todo o pesar
De Vida
Não vivida
Não valida
todo o pesar
De corpos
pesados
pensados
além da pena
pesados
pensados
além da pena
Sem muito pensar
Nem nenhum pesar
Sinto:
Nem nenhum pesar
Sinto:
A Penas
A Arte
A Dança
A Poesia
Faz a Vida
valer
A Pena.
A Arte
A Dança
A Poesia
Faz a Vida
valer
A Pena.
- Satya Devi
11.18.2014
Tabu
Tabu:
Minha sina.
Minha obsessão.
Meu destino.
Minha origem.
De todos os prazeres que encontrei em Vida,
Poucos deles me envolvem tanto quanto decifrar um Tabu.
E tenho sede
De Epifania
De Integração
...De Verdade.
Da verdade indecifrável da Vida
A parte que me cabe
Primeiro me agita.
Me atiça, energiza, mobiliza.
Mas em seguida
Me Kala*.
- Satya Devi
*Kala = do sânscrito, "tempo".
Minha sina.
Minha obsessão.
Meu destino.
Minha origem.
De todos os prazeres que encontrei em Vida,
Poucos deles me envolvem tanto quanto decifrar um Tabu.
E tenho sede
De Epifania
De Integração
...De Verdade.
Da verdade indecifrável da Vida
A parte que me cabe
Primeiro me agita.
Me atiça, energiza, mobiliza.
Mas em seguida
Me Kala*.
- Satya Devi
*Kala = do sânscrito, "tempo".
10.30.2014
A mulher que pisar fora dos estreitos costumes sociais será rotulada como "vadia", ou ainda [para atos hediondos e pegos em flagrante]: "puta".
Pode ser por usar regata de alcinha no lugar errado.
Pode ser por beijar mais homens em público do que o permitido.
Pode ser por apenas por ser jovem e bonita.
Pode ser por ser segura demais.
Pode ser por ter tido filhos cedo demais,
Pode ser por ter se apaixonado por outra mulher,
Pode ser por ter uma pele escura demais,
Pode ser por ter gritado alto demais numa sala de parto de hospital,
...ou uma combinação de todos esses fatores.
Não haverá punição pior do que os rótulos marginalizantes sobre uma mulher.
Não haverá amigxs para ela.
Não haverá emprego pra ela.
Não haverá família pra ela.
Não haverá segurança física ou psíquica para ela.
Haverá violência.
Haverá descrédito.
...é o que dizem - e fazem.
Mas sinto que tem uma violência
que poucas pessoas se dão conta
Para a "puta",
Para a "preta",
Para a "pobre",
Para a "lésbica",
Para a "mãe jovem demais":
Que é o esvaziamento completo da subjetividade do Ser.
O maior roubo não é a perda de uma falsa respeitabilidade,
Nem de falsas amizades, falsas relações...
...Mas sim ser rotulada e reduzida a uma "norma social quebrada"
Deixa-se de ser Maria, Joana, Ana, Carol...
Passa-se a ser a "falida", a "mãe jovem demais', a "lésbica", a "preta".
E o Ser reduzir-se a isso.
Esquecem-se de que Maria é um ativista social inteligentíssima,
De que Joana tem uma voz absurda de linda e canta como ninguém,
Nem reparam que Ana tem um talento incrível em fazer bolos deliciosos,
E quanto à Carol, poucos sabem, mas ela apesar de todas as dificuldades, tem se realizado com a maternidade e com a cuidadoria, inspirada por sua paixão de 2 anos e meio: Fabinha, sua filha.
Mas essas mulheres talvez tenham tido uma oportunidade
De entender uma verdade doida - e doída:
De que as pessoas geralmente se relacionam
Não com outras pessoas
Mas com os conceitos e rótulos impressos nelas.
E que isso não era válido apenas para os "marginalizados"
Mas mesmo as relações vistas socialmente como "amizade",
Como "afeto", ou mesmo "amor" [!]
Eram tão somente papéis interpretados
Num teatro trágico
Em que todos são atores
Que não tem platéia
E cujas cortinas estão seguradas por uma Anja Negra
Menstruada
Com uma foice nas mãos.
Mas esta que aqui vos narra,
Só vos narra por pura fé
Que é possível tirar a máscara
Nem que seja por um só momento
Adentrar os bastidores do Tempo
E com outros atores desmascarados
Descarados, desencanados, desnudados,
Começar uma nova peça
Em que até a Anja Negra das cortinas
Terá Voz, Ato e Vez
E o roteiro [se houver] há de ser
Uma história de Amor
Com direito a não-final feliz
Satya Devi
Pode ser por usar regata de alcinha no lugar errado.
Pode ser por beijar mais homens em público do que o permitido.
Pode ser por apenas por ser jovem e bonita.
Pode ser por ser segura demais.
Pode ser por ter tido filhos cedo demais,
Pode ser por ter se apaixonado por outra mulher,
Pode ser por ter uma pele escura demais,
Pode ser por ter gritado alto demais numa sala de parto de hospital,
...ou uma combinação de todos esses fatores.
Não haverá punição pior do que os rótulos marginalizantes sobre uma mulher.
Não haverá amigxs para ela.
Não haverá emprego pra ela.
Não haverá família pra ela.
Não haverá segurança física ou psíquica para ela.
Haverá violência.
Haverá descrédito.
...é o que dizem - e fazem.
Mas sinto que tem uma violência
que poucas pessoas se dão conta
Para a "puta",
Para a "preta",
Para a "pobre",
Para a "lésbica",
Para a "mãe jovem demais":
Que é o esvaziamento completo da subjetividade do Ser.
O maior roubo não é a perda de uma falsa respeitabilidade,
Nem de falsas amizades, falsas relações...
...Mas sim ser rotulada e reduzida a uma "norma social quebrada"
Deixa-se de ser Maria, Joana, Ana, Carol...
Passa-se a ser a "falida", a "mãe jovem demais', a "lésbica", a "preta".
E o Ser reduzir-se a isso.
Esquecem-se de que Maria é um ativista social inteligentíssima,
De que Joana tem uma voz absurda de linda e canta como ninguém,
Nem reparam que Ana tem um talento incrível em fazer bolos deliciosos,
E quanto à Carol, poucos sabem, mas ela apesar de todas as dificuldades, tem se realizado com a maternidade e com a cuidadoria, inspirada por sua paixão de 2 anos e meio: Fabinha, sua filha.
Mas essas mulheres talvez tenham tido uma oportunidade
De entender uma verdade doida - e doída:
De que as pessoas geralmente se relacionam
Não com outras pessoas
Mas com os conceitos e rótulos impressos nelas.
E que isso não era válido apenas para os "marginalizados"
Mas mesmo as relações vistas socialmente como "amizade",
Como "afeto", ou mesmo "amor" [!]
Eram tão somente papéis interpretados
Num teatro trágico
Em que todos são atores
Que não tem platéia
E cujas cortinas estão seguradas por uma Anja Negra
Menstruada
Com uma foice nas mãos.
Mas esta que aqui vos narra,
Só vos narra por pura fé
Que é possível tirar a máscara
Nem que seja por um só momento
Adentrar os bastidores do Tempo
E com outros atores desmascarados
Descarados, desencanados, desnudados,
Começar uma nova peça
Em que até a Anja Negra das cortinas
Terá Voz, Ato e Vez
E o roteiro [se houver] há de ser
Uma história de Amor
Com direito a não-final feliz
Satya Devi
9.17.2014
Eu poderia falar de política
Eu poderia falar de problemas sérios
Eu poderia falar de soluções e esperanças...
...É poderia.
Mas sabe... estou cansada.
Tudo parece sempre tão "indo pra frente" mas nunca sai do lugar.
Mas quando eu escuto os nomes santos
Alguma coisa em mim pára. Fecha os olhos. E absorve.
A política também é santa.
Os problemas sérios, as tragédias: lá está o rosto do Amado.
As soluções e esperanças: as garras de Kali.
Posso ver. Posso sentir.
O vento soprando em uma direção diferente.
Sopram pra dentro. Sopram mais frescos.
Vozes em minha cabeça me condenam.
Espiritualidade na minha terra é coisa de preguiçoso,
de inconsequente, de irresponsável,
de quem não tem conta pra pagar.
Ninguém se pergunta quanto custa cada conta paga!
Já parou pra pensar?
Quantos beijos deixou de dar pra pagar suas contas?
Eu já deixei tantos...
E o tempo ruge ao meu lado,
e não sei quando a Fera vai me devorar
Não tenho mais tempo a perder.
Não tenho mais beijos a perder.
Já me escaparam suspiros demais...
Algo em mim quer rugir, quer lutar...
Uma parte mais profunda,
Já venceu e já perdeu,
Já desistiu e persistiu,
E só quer agora ficar.
Até quando, ó Espelho distorcido,
Negarás a mim o néctar da Imortalidade
Que por Milagre foi depositado em minha taça?!
Tu que te derretas!
Que te partas em mil pedaços
Ou que te acertes de uma vez
E resplandeça em Ti o Infinito, sem distorções!
Tu te retorces, te reviras, te agitas e paralisas
Enquanto o cálice se aproxima de minha boca
Estou a um gole da loucura.
Estou a um gole da Eternidade.
A um gole de Ser o que sempre fui
E nunca deixarei de Ser.
Retorce-te no espelho.
Fazes as caretas e truques mais birrentos
Eu só sigo aproximando a taça dos lábios
Não temas a morte, caro espelho,
Nada do que realmente importa, morre de verdade.
E do que morre, nunca foi ou É de verdade.
Abençoa minha partida.
Abençoa minha jornada...
Conheço teu verso, misterioso Espelho...
Duro, frio, opaco e cinza como tu pensas que nunca serás.
Nos vemos no Verso, querido Espelho...
Do lado de Lá...
- Satya Devi
Eu poderia falar de problemas sérios
Eu poderia falar de soluções e esperanças...
...É poderia.
Mas sabe... estou cansada.
Tudo parece sempre tão "indo pra frente" mas nunca sai do lugar.
Mas quando eu escuto os nomes santos
Alguma coisa em mim pára. Fecha os olhos. E absorve.
A política também é santa.
Os problemas sérios, as tragédias: lá está o rosto do Amado.
As soluções e esperanças: as garras de Kali.
Posso ver. Posso sentir.
O vento soprando em uma direção diferente.
Sopram pra dentro. Sopram mais frescos.
Vozes em minha cabeça me condenam.
Espiritualidade na minha terra é coisa de preguiçoso,
de inconsequente, de irresponsável,
de quem não tem conta pra pagar.
Ninguém se pergunta quanto custa cada conta paga!
Já parou pra pensar?
Quantos beijos deixou de dar pra pagar suas contas?
Eu já deixei tantos...
E o tempo ruge ao meu lado,
e não sei quando a Fera vai me devorar
Não tenho mais tempo a perder.
Não tenho mais beijos a perder.
Já me escaparam suspiros demais...
Algo em mim quer rugir, quer lutar...
Uma parte mais profunda,
Já venceu e já perdeu,
Já desistiu e persistiu,
E só quer agora ficar.
Até quando, ó Espelho distorcido,
Negarás a mim o néctar da Imortalidade
Que por Milagre foi depositado em minha taça?!
Tu que te derretas!
Que te partas em mil pedaços
Ou que te acertes de uma vez
E resplandeça em Ti o Infinito, sem distorções!
Tu te retorces, te reviras, te agitas e paralisas
Enquanto o cálice se aproxima de minha boca
Estou a um gole da loucura.
Estou a um gole da Eternidade.
A um gole de Ser o que sempre fui
E nunca deixarei de Ser.
Retorce-te no espelho.
Fazes as caretas e truques mais birrentos
Eu só sigo aproximando a taça dos lábios
Não temas a morte, caro espelho,
Nada do que realmente importa, morre de verdade.
E do que morre, nunca foi ou É de verdade.
Abençoa minha partida.
Abençoa minha jornada...
Conheço teu verso, misterioso Espelho...
Duro, frio, opaco e cinza como tu pensas que nunca serás.
Nos vemos no Verso, querido Espelho...
Do lado de Lá...
- Satya Devi
Ritmo
Ritmo.
Sem ritmo não há Dança.
Sem ritmo não há Arte.
Sem ritmo não há Vida.
Dispensável é a rotina,
Mas o Ritmo jamais.
Seu coração.
Ritmo.
Ciclos hormonais.
Ritmo.
Estações anuais.
Ritmo.
Nascer, crescer, florescer e morrer.
Ritmo.
Fiz que ia, mas não fui.
Ritmo.
Agora vou cresço e explodo.
Ritmo.
Agora paro. Só respiro.
Ritmo.
Agora giro. Olhar fixo.
Ritmo.
Muito rápido, mais devagar.
Ritmo.
Agora lento demais. Acelerar.
Ritmo.
Fecho os olhos abro os ouvidos.
Ritmo.
Solto o corpo. Conduzo a mente.
Ritmo.
Agora começo.
Ritmo.
Agora parece que termino.
Ritmo.
Agora volto.
Ritmo.
Agora vou.
Ritmo.
Agora tudo se esvai em Silêncio.
Deixo que o Ritmo pulse dentro de mim.
Nem sempre haverão tambores e cítaras.
Mas há sempre um Silêncio tocando
O Om em todo som
O Ritmo não muda
só porque eu não o ouço.
Ouço.
E ouso
Dançar.
- Satya Devi
Sem ritmo não há Dança.
Sem ritmo não há Arte.
Sem ritmo não há Vida.
Dispensável é a rotina,
Mas o Ritmo jamais.
Seu coração.
Ritmo.
Ciclos hormonais.
Ritmo.
Estações anuais.
Ritmo.
Nascer, crescer, florescer e morrer.
Ritmo.
Fiz que ia, mas não fui.
Ritmo.
Agora vou cresço e explodo.
Ritmo.
Agora paro. Só respiro.
Ritmo.
Agora giro. Olhar fixo.
Ritmo.
Muito rápido, mais devagar.
Ritmo.
Agora lento demais. Acelerar.
Ritmo.
Fecho os olhos abro os ouvidos.
Ritmo.
Solto o corpo. Conduzo a mente.
Ritmo.
Agora começo.
Ritmo.
Agora parece que termino.
Ritmo.
Agora volto.
Ritmo.
Agora vou.
Ritmo.
Agora tudo se esvai em Silêncio.
Deixo que o Ritmo pulse dentro de mim.
Nem sempre haverão tambores e cítaras.
Mas há sempre um Silêncio tocando
O Om em todo som
O Ritmo não muda
só porque eu não o ouço.
Ouço.
E ouso
Dançar.
- Satya Devi
9.14.2014
Sobre silêncio e palavras
Sobre silêncio e palavras - reflexões sobre um dia e meio em voto de silêncio.
Um dia e meio é muito pouco para dizer qualquer coisa sobre esse voto num nível mais profundo. Mas suficiente para ter uma noção básica de seus efeitos ao menos iniciais. Como um mergulho em alto mar, em que vamos só alguns metros abaixo d'água...
Já há bastante tempo venho estudando a Palavra e o Silêncio. Quanto é possível falar com o corpo, com o olhar! Na casa, minhas companheiras de morada e eu resolvíamos quase tudo apenas com o olhar. Tudo o que importava de verdade.
A palavra acaba sendo uma válvula de escape da consciência. Enchemos nossa cabeça de asneiras, de superficialidades e banalidades como um vício. Como esperar algo diferente de uma sociedade que não cultiva seu íntimo com Amor?
Mas de tudo que fica é esse poder que a Palavra tem de 'formatar' o pensamento. Se não encontramos palavras pra algo, esse algo corre o risco de deixar de ser notado na consciência. Assim, tendemos a notar apenas o que conhecemos palavras pra expressar. No voto de silêncio, a lógica se inverte. A palavra não mais é necessária, a consciência fica livre para experienciar o mundo de um outro ângulo, captando coisas mais sutis - e mais reais do que o bla bla bla do dia a dia.
Sinto também que a palavra acaba sendo usada como um meio de nos identificarmos e afirmarmos individualmente. O silêncio que brota de mim é - ao menos aparentemente - o mesmo que brota de você. Já a sua voz é diferente da minha. Portanto, a voz, a palavra, acaba sendo essa forma de "se fazer/sentir existente" perante o outro ao mesmo tempo que "fazer-se à parte" do outro. Olha só... Se Comunicação é "tornar algo comum", podemos dizer que falar depende necessariamente de um "tornar-se separado". Quando muitos em coletividade fazem voto de silêncio num mesmo espaço, é impressionante como os olhares e os corpos "falam" uma linguagem própria, que é esquecida com o uso indiscrimidado das palavras. Assim como em uma experiência de profunda intimidade, quando dois [ou três ou mais] se fazem Um, ou uma experiência de profunda transcendência, a comunicação verbal é absolutamente desnecessária. Seja num momento de Amor, de Dança, ou qualquer outra situação de experiência de transcendência do "eu". Ainda assim, os corpos bailam, ou vozes cantam, ou tudo junto... Esse é o momento em que Comunicação dá lugar a Expressão. Não há o que "tornar comum", porque não há separação. Mas ainda assim, há algo a expressar, algo a transbordar. Nem que seja simplesmente Silêncio.
Continuo uma grande fã e estudiosa da Palavra e do Silêncio. Tenho estudado este casal divino há meses [ou deveria dizer que tenho sido estudada por eles?] e seguirei estudando. Fica o desejo de em breve fazer um voto de silêncio mais longo e preparado. De preferência longe de qualquer palavra escrita/lida também. As leituras 'aliviam' um pouco nosso vício por palavras. Já que o silêncio pode às vezes ser um tanto desesperador...
A experiência reforça minha sensação de que a Palavra é ao mesmo tempo nossa prisão e nossa libertação.
De que o Silêncio pode ser nossa perdição ou nossa salvação.
Como duas espadas afiadas nas mãos de uma Deusa.
E já dizia a Sábia Senhora de Santana: "que a faca que corta não dá taio sem dor".
Gratidão!
Um dia e meio é muito pouco para dizer qualquer coisa sobre esse voto num nível mais profundo. Mas suficiente para ter uma noção básica de seus efeitos ao menos iniciais. Como um mergulho em alto mar, em que vamos só alguns metros abaixo d'água...
Já há bastante tempo venho estudando a Palavra e o Silêncio. Quanto é possível falar com o corpo, com o olhar! Na casa, minhas companheiras de morada e eu resolvíamos quase tudo apenas com o olhar. Tudo o que importava de verdade.
A palavra acaba sendo uma válvula de escape da consciência. Enchemos nossa cabeça de asneiras, de superficialidades e banalidades como um vício. Como esperar algo diferente de uma sociedade que não cultiva seu íntimo com Amor?
Mas de tudo que fica é esse poder que a Palavra tem de 'formatar' o pensamento. Se não encontramos palavras pra algo, esse algo corre o risco de deixar de ser notado na consciência. Assim, tendemos a notar apenas o que conhecemos palavras pra expressar. No voto de silêncio, a lógica se inverte. A palavra não mais é necessária, a consciência fica livre para experienciar o mundo de um outro ângulo, captando coisas mais sutis - e mais reais do que o bla bla bla do dia a dia.
Sinto também que a palavra acaba sendo usada como um meio de nos identificarmos e afirmarmos individualmente. O silêncio que brota de mim é - ao menos aparentemente - o mesmo que brota de você. Já a sua voz é diferente da minha. Portanto, a voz, a palavra, acaba sendo essa forma de "se fazer/sentir existente" perante o outro ao mesmo tempo que "fazer-se à parte" do outro. Olha só... Se Comunicação é "tornar algo comum", podemos dizer que falar depende necessariamente de um "tornar-se separado". Quando muitos em coletividade fazem voto de silêncio num mesmo espaço, é impressionante como os olhares e os corpos "falam" uma linguagem própria, que é esquecida com o uso indiscrimidado das palavras. Assim como em uma experiência de profunda intimidade, quando dois [ou três ou mais] se fazem Um, ou uma experiência de profunda transcendência, a comunicação verbal é absolutamente desnecessária. Seja num momento de Amor, de Dança, ou qualquer outra situação de experiência de transcendência do "eu". Ainda assim, os corpos bailam, ou vozes cantam, ou tudo junto... Esse é o momento em que Comunicação dá lugar a Expressão. Não há o que "tornar comum", porque não há separação. Mas ainda assim, há algo a expressar, algo a transbordar. Nem que seja simplesmente Silêncio.
Continuo uma grande fã e estudiosa da Palavra e do Silêncio. Tenho estudado este casal divino há meses [ou deveria dizer que tenho sido estudada por eles?] e seguirei estudando. Fica o desejo de em breve fazer um voto de silêncio mais longo e preparado. De preferência longe de qualquer palavra escrita/lida também. As leituras 'aliviam' um pouco nosso vício por palavras. Já que o silêncio pode às vezes ser um tanto desesperador...
A experiência reforça minha sensação de que a Palavra é ao mesmo tempo nossa prisão e nossa libertação.
De que o Silêncio pode ser nossa perdição ou nossa salvação.
Como duas espadas afiadas nas mãos de uma Deusa.
E já dizia a Sábia Senhora de Santana: "que a faca que corta não dá taio sem dor".
Gratidão!
9.04.2014
E foi então que eu olhei pra Ela.
Ela era Eu. Eu era Ela.
Ela sou Eu. Eu Sou Ela.
Vasta. Infinita. Plena de energia e vida.
Sentindo o impulso de doar-se
Tão forte quanto o de respirar
Eu doei.
Eu doí.
E respirei.
E de tão absolutamente Vasta que era
Exalei meu próprio ser para o lado de fora
No prazer inexplicável de expulsar-me de mim
Esvaziei-me de mim mesma
Espalhando-me entre os que me chamavam
Até o total esquecimento
Até que...
Vazio.
Somos todos iguais em Vazio.
E então sentindo o impulso de retornar
Tão forte quanto o impulso de inspirar
Eu retornei
Eu tornei
E respirei.
No prazer infinito e inexplicável de retornar a mim mesma
Eu gozei a Plenitude de Ser novamente
Inteira.
E então eu lembrei
E chorei
E respirei
Pois quando penso que esqueço
Lembro-me que sempre sei.
Pois é preciso esvaziar-se
E é preciso retornar
Por anos a fio
esvaziei-me em outros olhos
outros braços outros corpos
Momentos de expulsar-me de mim
no gozo dos que me recebiam
Por anos a fio
Inspirei a mim mesma de olhos fechados
Abracei ao meu próprio corpo
Momentos de retornar a mim
no desespero dos que tentavam me manter
Eu realmente sinto muito.
Não posso evitar.
É um impulso
como respirar
Da mesma forma que vou
E esvazio-me de mim,
eu volto.
Da mesma forma que volto
E transbordo de mim,
eu vou.
De novo...
E de novo...
E de novo...
E a cada vez que volto
Levo um pouco dos que fui
E deixo um pouco de mim
Por onde passei
Irremediável é a dor
de transbordar-me
onde não encontro braços para receber-me
ou de retornar e mim mesma
em braços que não me deixam partir
Mas compreendo
Que dos braços que se retraem
Ou dos braços que se abrem
Não podem evitar
É um impulso que sentem
Como respirar
Se um dia enlaçam-se os corpos
Fundem-se os olhares
E os braços se abraçam
É pela graça da Suprema Dádiva
Que é doar-se ao mesmo tempo
Quão improvável não é
Que ambos estejam ao mesmo tempo
Doando e recebendo
E no Infinito do cosmos
possam os corpos
no momento exato
se encontrar?
E eu que um dia fui puro Impulso
Hoje sou Rendição
Rendendo-me ao ir e ao voltar
Ao retrair e ao transbordar
Já entendi
Que não há contra o que lutar
Se não contra mim mesma
E se fizer-se o Impulso Divino
Podemos render-nos unidos
Aos Divinos Impulsos
De inspirar e respirar
Retrair e Transbordar
Sair e Entrar
Até que cesse o Divino Impulso
ou o pulso.
Afinal,
Ela era Eu. Eu era Ela.
Ela sou Eu. Eu Sou Ela.
Ela era Eu. Eu era Ela.
Ela sou Eu. Eu Sou Ela.
Vasta. Infinita. Plena de energia e vida.
Sentindo o impulso de doar-se
Tão forte quanto o de respirar
Eu doei.
Eu doí.
E respirei.
E de tão absolutamente Vasta que era
Exalei meu próprio ser para o lado de fora
No prazer inexplicável de expulsar-me de mim
Esvaziei-me de mim mesma
Espalhando-me entre os que me chamavam
Até o total esquecimento
Até que...
Vazio.
Somos todos iguais em Vazio.
E então sentindo o impulso de retornar
Tão forte quanto o impulso de inspirar
Eu retornei
Eu tornei
E respirei.
No prazer infinito e inexplicável de retornar a mim mesma
Eu gozei a Plenitude de Ser novamente
Inteira.
E então eu lembrei
E chorei
E respirei
Pois quando penso que esqueço
Lembro-me que sempre sei.
Pois é preciso esvaziar-se
E é preciso retornar
Por anos a fio
esvaziei-me em outros olhos
outros braços outros corpos
Momentos de expulsar-me de mim
no gozo dos que me recebiam
Por anos a fio
Inspirei a mim mesma de olhos fechados
Abracei ao meu próprio corpo
Momentos de retornar a mim
no desespero dos que tentavam me manter
Eu realmente sinto muito.
Não posso evitar.
É um impulso
como respirar
Da mesma forma que vou
E esvazio-me de mim,
eu volto.
Da mesma forma que volto
E transbordo de mim,
eu vou.
De novo...
E de novo...
E de novo...
E a cada vez que volto
Levo um pouco dos que fui
E deixo um pouco de mim
Por onde passei
Irremediável é a dor
de transbordar-me
onde não encontro braços para receber-me
ou de retornar e mim mesma
em braços que não me deixam partir
Mas compreendo
Que dos braços que se retraem
Ou dos braços que se abrem
Não podem evitar
É um impulso que sentem
Como respirar
Se um dia enlaçam-se os corpos
Fundem-se os olhares
E os braços se abraçam
É pela graça da Suprema Dádiva
Que é doar-se ao mesmo tempo
Quão improvável não é
Que ambos estejam ao mesmo tempo
Doando e recebendo
E no Infinito do cosmos
possam os corpos
no momento exato
se encontrar?
E eu que um dia fui puro Impulso
Hoje sou Rendição
Rendendo-me ao ir e ao voltar
Ao retrair e ao transbordar
Já entendi
Que não há contra o que lutar
Se não contra mim mesma
E se fizer-se o Impulso Divino
Podemos render-nos unidos
Aos Divinos Impulsos
De inspirar e respirar
Retrair e Transbordar
Sair e Entrar
Até que cesse o Divino Impulso
ou o pulso.
Afinal,
Ela era Eu. Eu era Ela.
Ela sou Eu. Eu Sou Ela.
O Alem-Mascara
Personagens.
Quanto da tua vida é atuação?
Quanto é A Tua Ação?
Longe das faces pré-planejadas
Obvias, e (aparentemente) tão reais...
...outro universo.
Nada menos ou mais do que isso.
Universo em que cabe ódio no amor
Em que cabe tédio na paixão
Em que cabe desesperança no desespero
Em que cabe gozo na dor
Em que cabe alegria na ruína
E Poesia na Miséria
Ah, ator, atriz supremx!
Desatada de tuas máscaras
O Imprevisível. O Enorme.
O Divino.
Não há para Ti outro nome
Se não todos os nomes do mundo
Impossível não cair de joelhos, em devoção
Pois reconheço aqui, em Ti,
Nessa Força do Além-Máscara
Aquela e Aquele que tanto fui e busquei
Reconheço-Te.
Mas não a Mim.
Toco-te fundo, palpável, humana
E eu pareço esvanescer como fumaça de incenso
Quando Te toco
Apenas contemplo
A fumaça de incenso
Em seus rodopios no espaço
Se por algum motivo
Não Te toco mais
É desespero
De ver-se desfazendo
Sem nem se quer importar-se
Não de Verdade
E por isso, o medo.
Já não posso mais voltar
A ser a solida vareta de incenso
Que um dia fui
Tampouco me fundo a Ti de uma vez
Como às vezes inevitavelmente desejo
"Que se vá esta carne pesada!"
Penso eu
"Leve-me agora!
Te vejo, te toco,
E me fundiria contigo
não fosse esse peso ridículo!"
Ao que Tu em amorosa Furia responde:
"Tu que pensas que sabes a hora de voltar a mim
A mim ainda não terá enxergado de fato - ainda que tenha visto.
Sabes que nao é ainda nossa hora
Por que te questionas?
E por que ainda perguntas?
Se fundidas estamos
Até o limite da vitalidade
Tu tudo sabes.
Não perguntes em vão..."
"Por que me dói a Alma, então,
Ó Minha Mãe?"
"É dor de parto, minha filha,
Chamai-me agora de Avó
Pois tu agora sois a Mãe de si mesma"
- Satya Devi
Quanto da tua vida é atuação?
Quanto é A Tua Ação?
Longe das faces pré-planejadas
Obvias, e (aparentemente) tão reais...
...outro universo.
Nada menos ou mais do que isso.
Universo em que cabe ódio no amor
Em que cabe tédio na paixão
Em que cabe desesperança no desespero
Em que cabe gozo na dor
Em que cabe alegria na ruína
E Poesia na Miséria
Ah, ator, atriz supremx!
Desatada de tuas máscaras
O Imprevisível. O Enorme.
O Divino.
Não há para Ti outro nome
Se não todos os nomes do mundo
Impossível não cair de joelhos, em devoção
Pois reconheço aqui, em Ti,
Nessa Força do Além-Máscara
Aquela e Aquele que tanto fui e busquei
Reconheço-Te.
Mas não a Mim.
Toco-te fundo, palpável, humana
E eu pareço esvanescer como fumaça de incenso
Quando Te toco
Apenas contemplo
A fumaça de incenso
Em seus rodopios no espaço
Se por algum motivo
Não Te toco mais
É desespero
De ver-se desfazendo
Sem nem se quer importar-se
Não de Verdade
E por isso, o medo.
Já não posso mais voltar
A ser a solida vareta de incenso
Que um dia fui
Tampouco me fundo a Ti de uma vez
Como às vezes inevitavelmente desejo
"Que se vá esta carne pesada!"
Penso eu
"Leve-me agora!
Te vejo, te toco,
E me fundiria contigo
não fosse esse peso ridículo!"
Ao que Tu em amorosa Furia responde:
"Tu que pensas que sabes a hora de voltar a mim
A mim ainda não terá enxergado de fato - ainda que tenha visto.
Sabes que nao é ainda nossa hora
Por que te questionas?
E por que ainda perguntas?
Se fundidas estamos
Até o limite da vitalidade
Tu tudo sabes.
Não perguntes em vão..."
"Por que me dói a Alma, então,
Ó Minha Mãe?"
"É dor de parto, minha filha,
Chamai-me agora de Avó
Pois tu agora sois a Mãe de si mesma"
- Satya Devi
6.26.2014
Feministas, essas chatas...
Eu enquanto pessoa de pele clara não ousaria questionar uma luta negra.
Eu enquanto pessoa crescida em chão de madeira não ousaria questionar uma luta de moradores de rua.
Pelo simples motivo de que eu não senti na pele o que essas pessoas passaram. Posso ter uma noção, adquirida através da empatia e discernimento, mas nunca saberei tanto quanto um negro o que é ser negro - nem quanto um morador de rua o que é ser um morador de rua (a não ser que eu me torne uma um dia).
E exatamente por isso, respeito - e ouço - todas essas vozes!
Mas quando o assunto é feminismo, parece já ter uma alergia pré-existente nos ouvidos alheios. É tão frequente encontrar homens que julgam que sabem mais do que as mulheres o que as próprias mulheres passam e sentem - geralmente com alta dose de insensibilidade ou agressividade. Assim como em várias outras causas sociais. Mas o fato é que assim como eu não sei o que é ter meu patrão pedindo pra eu fazer chapinha pra ter uma aparência "mais higiênica" para os clientes, vocês não sabem o que é menstruação, violência obstétrica, assédio quase constante etc. A não ser por empatia e discernimento. Será que isso é tão difícil de entender?
Mas acredito que tenha um fator especial nesse processo: história pessoal. Claro! rsrs... Falar de "mulheres" é falar da mãe, da filha, da ex, da namorada, da esposa... É falar de pessoas próximas. É falar de intimidade, de traumas, de sonhos, de relacionamentos e frequentemente - de Amor. E é difícil encontrar pessoas nos debates que saibam separar uma coisa da outra. E nem todos estão dispostos a ver por outro ângulo de visão. Exatamente porque isso requer: empatia e discernimento! Habilidades que (advinha só!) estão relacionadas ao feminino em todos nós. Ó ironia!
Sim, feministas são chatas! São exigentes, falam exaustivamente em liberdade, em igualdade, em direitos humanos. Tocam na ferida, dão outras perspectivas para nossos convicções sempre tão frágeis... Um debate feminista pode rasgar nosso coração - sejamos homens ou mulheres. Um debate feminista pode ser apaixonante e aterrorizante ao mesmo tempo. Um grupo de feministas conversando pode ser repetitivo, entendiante - mas sempre desconfortável, sempre inquietante.
Mas não se preocupem. Existe espaço para homens no debate feminista SIM - e são extremamente bem-vindos! Assim como para pessoas brancas no debate sobre racismo. Assim como para pessoas com moradia no debate sobre moradia digna. Assim como para pais e familiares no debate sobre violência obstétrica. Mas para que esses debates sejam frutíferos é preciso partir dos testemunhos de quem sente isso tudo na pele! Com sensibilidade e respeito. E não dizendo a uma pessoa negra que ela podia ao menos "ser um pouco menos negra", ou "se esforçar para fazer chapinha na hora de ir pro trabalho". Não interessa num rebate sobre racismo se eu conheci 3 pessoas negras que foram rudes comigo. Isso é entre eu e essas pessoas. Assim como não interessa, num debate feminista, se você tem problemas com sua mãe, sua irmã ou dificuldades em se relacionar com o sexo oposto. É natural que a mente faça essas associações, é claro... Isso é esperado. Mas também espera-se que num debate sobre uma causa social, separemos nossas "nhacas" emocionais da causa abordada.
Um pouco mais de maturidade, por favor.
Grata.
Eu enquanto pessoa crescida em chão de madeira não ousaria questionar uma luta de moradores de rua.
Pelo simples motivo de que eu não senti na pele o que essas pessoas passaram. Posso ter uma noção, adquirida através da empatia e discernimento, mas nunca saberei tanto quanto um negro o que é ser negro - nem quanto um morador de rua o que é ser um morador de rua (a não ser que eu me torne uma um dia).
E exatamente por isso, respeito - e ouço - todas essas vozes!
Mas quando o assunto é feminismo, parece já ter uma alergia pré-existente nos ouvidos alheios. É tão frequente encontrar homens que julgam que sabem mais do que as mulheres o que as próprias mulheres passam e sentem - geralmente com alta dose de insensibilidade ou agressividade. Assim como em várias outras causas sociais. Mas o fato é que assim como eu não sei o que é ter meu patrão pedindo pra eu fazer chapinha pra ter uma aparência "mais higiênica" para os clientes, vocês não sabem o que é menstruação, violência obstétrica, assédio quase constante etc. A não ser por empatia e discernimento. Será que isso é tão difícil de entender?
Mas acredito que tenha um fator especial nesse processo: história pessoal. Claro! rsrs... Falar de "mulheres" é falar da mãe, da filha, da ex, da namorada, da esposa... É falar de pessoas próximas. É falar de intimidade, de traumas, de sonhos, de relacionamentos e frequentemente - de Amor. E é difícil encontrar pessoas nos debates que saibam separar uma coisa da outra. E nem todos estão dispostos a ver por outro ângulo de visão. Exatamente porque isso requer: empatia e discernimento! Habilidades que (advinha só!) estão relacionadas ao feminino em todos nós. Ó ironia!
Sim, feministas são chatas! São exigentes, falam exaustivamente em liberdade, em igualdade, em direitos humanos. Tocam na ferida, dão outras perspectivas para nossos convicções sempre tão frágeis... Um debate feminista pode rasgar nosso coração - sejamos homens ou mulheres. Um debate feminista pode ser apaixonante e aterrorizante ao mesmo tempo. Um grupo de feministas conversando pode ser repetitivo, entendiante - mas sempre desconfortável, sempre inquietante.
Mas não se preocupem. Existe espaço para homens no debate feminista SIM - e são extremamente bem-vindos! Assim como para pessoas brancas no debate sobre racismo. Assim como para pessoas com moradia no debate sobre moradia digna. Assim como para pais e familiares no debate sobre violência obstétrica. Mas para que esses debates sejam frutíferos é preciso partir dos testemunhos de quem sente isso tudo na pele! Com sensibilidade e respeito. E não dizendo a uma pessoa negra que ela podia ao menos "ser um pouco menos negra", ou "se esforçar para fazer chapinha na hora de ir pro trabalho". Não interessa num rebate sobre racismo se eu conheci 3 pessoas negras que foram rudes comigo. Isso é entre eu e essas pessoas. Assim como não interessa, num debate feminista, se você tem problemas com sua mãe, sua irmã ou dificuldades em se relacionar com o sexo oposto. É natural que a mente faça essas associações, é claro... Isso é esperado. Mas também espera-se que num debate sobre uma causa social, separemos nossas "nhacas" emocionais da causa abordada.
Um pouco mais de maturidade, por favor.
Grata.
6.23.2014
Só hoje.
Só hoje eu não vou te mandar uma mensagem.
Só hoje eu vou fazer de conta que não sou perdidamente apaixonada por você.
Não, hoje não.
Só hoje eu vou ouvir o meu orgulho, a minha suposta "dignidade". Só hoje serei fiel a minha militância de defender minhas inseguranças. Só hoje eu vou fazer de conta que não lembrei de você, assim como eu acho que você faz todos os dias que não entra em contato comigo.
Não, hoje eu darei a mim mesma a decência e o orgulho de ser alguma coisa que só posso ser se responder o seu silêncio com o meu silêncio.
Mesmo que você diga que sempre se lembra de mim.
Mesmo que uma parte profunda de mim acredite nisso.
Mesmo que uma parte real de mim duvide disso.
Mesmo que eu não entenda.
E justamente porque não entendo, sofro.
E só porque sofro, hoje eu não direi que te amo.
Como uma criança ferida e emburrada
Que levanta os ombros e diz que "não liga"
Mesmo com as lágrimas de coração partido lavando-lhe a face
Não.
Hoje eu deixarei que você prove uma pitada do próprio veneno
Como uma adolescente vingativa calcula suas ações
Só para, nem que seja apenas por um momento,
Eu ter de volta alguma sensação de controle - a mais miserável que seja
Para eu ter de volta a sensação de que está em minhas mãos
Manter minha respeitabilidade por mim mesma
[afinal, uma mulher deve "dar-se ao respeito"]
Manter-me protegida na minha muralha de certezas de areia
Como se eu tivesse certeza de qualquer coisa
E assim aliviar esse pânico paralisante, esse terror, esse desespero
De no fundo saber com todo meu Ser
Que o Amor me destroçará e moerá até extrema brancura
...como faz com todos nós.
Que ele me degolará, me despirá de toda minha vaidade, orgulho, dignidade, respeitabilidade, certeza
...como faz como todos nós.
Como já fez comigo tantas vezes antes
Até que eu jurasse nunca mais cometer os mesmos "erros no Amor"
Como se houvesse acertos.
Como se houvesse "certo" e "errado"
Como se houvesse qualquer noção
Do que seja o Amor...
Todos os hojes isso me passa pela cabeça.
Todos os hojes eu te mando uma mensagem dizendo que te amo.
Mesmo que a provável resposta seja o gélido silêncio.
Mesmo que a resposta seja o "eu também"
Mesmo que quando o silêncio se rompa,
As mais belas poesias deles jorrem como mel
Como o néctar puro da Imortalidade
Acessado num puro momento de êxtase
No fundo, não importa.
Não de Verdade.
Talvez porque...
Na Verdade...
Não dizer que te amo
Talvez seja uma mentira.
E eu, agora em secreto pacto com a Verdade,
Não tenho outra alternativa.
Recebe, então, Amado,
O pó branco que sobrou de meu coração...
Recebe, então, Amado,
Minha cabeça em bandeja de prata,
Minhas lágrimas de criança,
E a areia que sobrou das minhas certezas...
E saiba, que a cada-todo-dia que eu lhe disser isso,
Estarei entregando-lhe nada menos do que tudo:
- Eu te amo!
Satya Devi
Só hoje eu vou fazer de conta que não sou perdidamente apaixonada por você.
Não, hoje não.
Só hoje eu vou ouvir o meu orgulho, a minha suposta "dignidade". Só hoje serei fiel a minha militância de defender minhas inseguranças. Só hoje eu vou fazer de conta que não lembrei de você, assim como eu acho que você faz todos os dias que não entra em contato comigo.
Não, hoje eu darei a mim mesma a decência e o orgulho de ser alguma coisa que só posso ser se responder o seu silêncio com o meu silêncio.
Mesmo que você diga que sempre se lembra de mim.
Mesmo que uma parte profunda de mim acredite nisso.
Mesmo que uma parte real de mim duvide disso.
Mesmo que eu não entenda.
E justamente porque não entendo, sofro.
E só porque sofro, hoje eu não direi que te amo.
Como uma criança ferida e emburrada
Que levanta os ombros e diz que "não liga"
Mesmo com as lágrimas de coração partido lavando-lhe a face
Não.
Hoje eu deixarei que você prove uma pitada do próprio veneno
Como uma adolescente vingativa calcula suas ações
Só para, nem que seja apenas por um momento,
Eu ter de volta alguma sensação de controle - a mais miserável que seja
Para eu ter de volta a sensação de que está em minhas mãos
Manter minha respeitabilidade por mim mesma
[afinal, uma mulher deve "dar-se ao respeito"]
Manter-me protegida na minha muralha de certezas de areia
Como se eu tivesse certeza de qualquer coisa
E assim aliviar esse pânico paralisante, esse terror, esse desespero
De no fundo saber com todo meu Ser
Que o Amor me destroçará e moerá até extrema brancura
...como faz com todos nós.
Que ele me degolará, me despirá de toda minha vaidade, orgulho, dignidade, respeitabilidade, certeza
...como faz como todos nós.
Como já fez comigo tantas vezes antes
Até que eu jurasse nunca mais cometer os mesmos "erros no Amor"
Como se houvesse acertos.
Como se houvesse "certo" e "errado"
Como se houvesse qualquer noção
Do que seja o Amor...
Todos os hojes isso me passa pela cabeça.
Todos os hojes eu te mando uma mensagem dizendo que te amo.
Mesmo que a provável resposta seja o gélido silêncio.
Mesmo que a resposta seja o "eu também"
Mesmo que quando o silêncio se rompa,
As mais belas poesias deles jorrem como mel
Como o néctar puro da Imortalidade
Acessado num puro momento de êxtase
No fundo, não importa.
Não de Verdade.
Talvez porque...
Na Verdade...
Não dizer que te amo
Talvez seja uma mentira.
E eu, agora em secreto pacto com a Verdade,
Não tenho outra alternativa.
Recebe, então, Amado,
O pó branco que sobrou de meu coração...
Recebe, então, Amado,
Minha cabeça em bandeja de prata,
Minhas lágrimas de criança,
E a areia que sobrou das minhas certezas...
E saiba, que a cada-todo-dia que eu lhe disser isso,
Estarei entregando-lhe nada menos do que tudo:
- Eu te amo!
Satya Devi
6.21.2014
Meu inverno começa assim...
Com cara de começo mesmo. Dessa vez, o Outono foi muito bem feito. Tanto de mim caiu na terra... Ninguém pensa que as árvores, quando chega a hora de cair as folhas, estão na verdade fazendo oferenda às próprias raízes. Geralmente vemos a perda, a nudez dos galhos, o sacrifício, a renovação... E do sacrifício do solo pra que estes galhos se fizessem? Ninguém se lemba. O outono é a primavera de ponta-cabeça, onde as flores sobem pra baixo - de volta pra casa. E eu, que este ano fiquei tão nua, tenho não-folhas o suficiente para hibernar profundamente até a próxima primavera. Hibernar... Sonhar... É "só" o lado de Lá. Assim como o outono é primavera de cabeça pra baixo, o sonho é, na verdade, o lado de dentro de existir. O lado de cá das pálpebras. Parece-me que o Inverno é quando a natureza fecha os olhos.
É mais fácil agora. tão mais fácil, tão mais leve... Permitir-se decepar das próprias folhas como o vento... Permitir-se despir-se de si pelo tempo... É exatamente esta a medida que nos permitimos rebrotar na Primavera, e nos adornarmos com todas as flores que nos cabem quando chegar o momento. Quem não aceita Inverno, não aceitará Verão. Não de verdade. Mas a aceitação das estações, a gente semeia. A minha, eu cultivo com carinho. Primeiro cultivei em segredo de mim, depois em segredo dos outros, depois sem segredo, e hoje com alegria. E alegria é mais alegre quando a gente partilha. Sempre me emociono quando percebo as estações mudando dentro de mim, criando raízes, tomando espaço... É como recuperar um pedaço esquecido de mim. Um pedaço importante. Um pedaço grande. Tão grande, que nele cabe tudo. Nada falta - nem mesmo a falta. Nem mesmo a pausa. Este espaço é meu refúgio, é meu termômetro, meu metrônomo. Ele me ensina do ritmo, do passo, de mim, do outro e do Mistério - que não se ensina nem aprende, só se vive.
6.12.2014
Fuck Fifa
Na minha fantasia tantrika
Seriam gritos de amor, devoção e orgasmo
os urros de gol da torcida
...Mas não são.
Gozamos louvando a hipocrisia
Enquanto a fifa distrai o alienado
Do outro lado do estádio,
O pró-pensante é massacrado pela polícia
Seriam gritos de amor, devoção e orgasmo
os urros de gol da torcida
...Mas não são.
Gozamos louvando a hipocrisia
Enquanto a fifa distrai o alienado
Do outro lado do estádio,
O pró-pensante é massacrado pela polícia
4.09.2014
De repente sobem alguns venenos... Implantados em nós há anos, décadas... Eles vem cheio de sabor amargo, como um vômito tardio da Alma. Eles não nos pertencem. Foram enfiados. Possivelmente na marra. Fermentaram durante anos, nos atordoaram quando precisávamos nos concentrar para saber a direção certa a seguir, nos embriagaram quando precisavamos estar sóbrias. Nos acostumamos a ele. Achamos até que aquele eh nosso estado "normal" de ser...
Mas por dádiva divina, a Alma pode vomitar.
É preciso saber vomitar. É vital!
De repente aquela náusea estranha da Alma explode em nós e tudo sai de uma só vez. Não dá tempo de nada. Em qualquer lugar e momento, a Alma vomita - ainda que não sem aviso.
É preciso se dispor. Antes de mais nada. É preciso admitir que alguma coisa não anda nada bem. Mesmo que num primeiro momento não se saiba exatamente o que. É preciso se retirar para onde haja um balde vazio e um lugar quentinho para deitar. E às vezes, pode ser que precisemos (re)aprender a colocar tudo pra fora. Seja nossa mestra a Natureza, seja uma pessoa querida que já saiba como.
E então o momento mágico de fúria e visceralidade íntima. Um momento em que não há salto alto, maquiagem ou pose que importe. Entendemos exatamente a enorme bobagem que eh se apegar a futilidades desse tipo. Voltamos ao que realmentr importa: as entranhas da Alma.
Pausa na lógica, na racionalidade. Um segundo de Mistério. Rapido e intenso. Visceral.
E então o alívio. O silêncio. O pranto q escorre pela boca. E a lucidez súbita! A clareza mental. Aquela sensacao de "uooouu!! Eu tava ruuuim meeeesmo! Uau! Que alívio!" A Alma finalmente se reconhece. Saudável dessa vez. E misteriosamente sabe exatamente o que a envenenou. Talvez sejam necessarios ainda mais algumas expelidas até que se saia tudo que precisa sair... E então a Alma estará limpa. Liberta. Pronta para se alimentar novamente - mas agora, nunca mais como antes. Agora a Alma pode reconhecer um pouco melhor o que eh alimento e o que eh veneno. E agora, está liberta.
Eh um momento dificil e confuso qdo nos damos conta do quanto estavamos intoxicadas. Pode demorar algum tempo até que todo o processo pare de passar na nossa cabeca como um video em repeat. Desde o momento do envenenamento ate a liberação final do veneno. Esse eh momento em que precisamos falar, precisamos mais que nunca de cuidados, de ouvidos, de colo. Contar a historia repetidas vezes ate que nao aguentemos mais falar no assunto para diferentes pessoas. Chorar até a ultima gota. Como se a Alma quisesse se certificar de que a lição aprendida fique gravada pra sempre em nós. E para que o maior numero possivel de pessoas saibam que aquilo que "engolimos",às vezes na marra, eh venenoso.
Um susto necessário. Uma lição valiosa. O fato eh que nenhuma Alma eh a mesma depois do primeiro vômito: é sempre mais poderosa.
PS - Para cuidados pós-vômitos de Alma, podem contar comigo! ♡
Mas por dádiva divina, a Alma pode vomitar.
É preciso saber vomitar. É vital!
De repente aquela náusea estranha da Alma explode em nós e tudo sai de uma só vez. Não dá tempo de nada. Em qualquer lugar e momento, a Alma vomita - ainda que não sem aviso.
É preciso se dispor. Antes de mais nada. É preciso admitir que alguma coisa não anda nada bem. Mesmo que num primeiro momento não se saiba exatamente o que. É preciso se retirar para onde haja um balde vazio e um lugar quentinho para deitar. E às vezes, pode ser que precisemos (re)aprender a colocar tudo pra fora. Seja nossa mestra a Natureza, seja uma pessoa querida que já saiba como.
E então o momento mágico de fúria e visceralidade íntima. Um momento em que não há salto alto, maquiagem ou pose que importe. Entendemos exatamente a enorme bobagem que eh se apegar a futilidades desse tipo. Voltamos ao que realmentr importa: as entranhas da Alma.
Pausa na lógica, na racionalidade. Um segundo de Mistério. Rapido e intenso. Visceral.
E então o alívio. O silêncio. O pranto q escorre pela boca. E a lucidez súbita! A clareza mental. Aquela sensacao de "uooouu!! Eu tava ruuuim meeeesmo! Uau! Que alívio!" A Alma finalmente se reconhece. Saudável dessa vez. E misteriosamente sabe exatamente o que a envenenou. Talvez sejam necessarios ainda mais algumas expelidas até que se saia tudo que precisa sair... E então a Alma estará limpa. Liberta. Pronta para se alimentar novamente - mas agora, nunca mais como antes. Agora a Alma pode reconhecer um pouco melhor o que eh alimento e o que eh veneno. E agora, está liberta.
Eh um momento dificil e confuso qdo nos damos conta do quanto estavamos intoxicadas. Pode demorar algum tempo até que todo o processo pare de passar na nossa cabeca como um video em repeat. Desde o momento do envenenamento ate a liberação final do veneno. Esse eh momento em que precisamos falar, precisamos mais que nunca de cuidados, de ouvidos, de colo. Contar a historia repetidas vezes ate que nao aguentemos mais falar no assunto para diferentes pessoas. Chorar até a ultima gota. Como se a Alma quisesse se certificar de que a lição aprendida fique gravada pra sempre em nós. E para que o maior numero possivel de pessoas saibam que aquilo que "engolimos",às vezes na marra, eh venenoso.
Um susto necessário. Uma lição valiosa. O fato eh que nenhuma Alma eh a mesma depois do primeiro vômito: é sempre mais poderosa.
PS - Para cuidados pós-vômitos de Alma, podem contar comigo! ♡
3.29.2014
O Rapé e o Feminino
O mundo
ocidental-industrial que vivemos hoje é regido por uma noção mentirosa de que “mais
é sempre melhor que menos”, de que “tempo é dinheiro”, de “razão versus emoção”
e tantas outras dicotomias em que sempre algo é “superior” ao seu oposto.
Historicamente, essa noção veio dentro de um “pacote social” chamado
patriarcado. Dentro desse pacote, é claro, a noção de superioridade do homem em
relaçao à mulher, brancos em relação a negros, invasores europeus em relação a
nativos americanos e assim por diante.
Não
entrarei em polêmicas a respeito, mas o fato é que tudo que é relacionado ao
feminino foi marginalizado, criminalizado, ridicularizado ou esquecido. Isso
está em todos os nossos hábitos diários justamente por essas noções que postei
no início do texto: “mais é sempre melhor que menos”, por exemplo. O feminino
saudável não possui tais características. O Feminino trabalha com ciclos, com o
“ponto certo”, com a “dose ideal”. A mãe
que amamenta sabe a temperatura exata do leite para seu filho e a quantidade
certa de cobertas para mantê-lo quentinho sem sufocá-lo. A mulher menstruada,
se estiver atenta, poderá perceber que açúcar de menos pode deixá-la nervosa e
açúcar demais pode deixá-la depressiva nesse período. A cozinheira sabe que uma
pequena dose de pimenta pode fazer toda a diferença num prato – seja para torná-lo
maravilhoso ou acabar com ele. A benzedeira sabe que a diferença entre o veneno
e o remédio está na dose.
Que tal
lançar este olhar feminino sobre o rapé?
Um olhar
profundo, holístico e 360 graus?
Vamos lá: O
que é o rapé? O rapé, fisicamente falando, é um grande aglomerado de folhas
medicinais, às vezes queimadas e masseradas artesanalmente por horas até ficar
aquele pozinho fininho que conhecemos. Ele viaja centenas, as vezes, milhares
de km até chegar em nossas mãos. Portanto ele envolve coisas muito importantes:
primeiramente, o trabalho árduo das pessoas que o fizeram. Segundo, tooooodas
as plantas que contribuíram para aquele tubinho e que cederam suas folhas para
nós e o solo que as sustentou, são energia e matéria condensadas para fazer
esta medicina sagrada. Quantas folhas e horas de trabalho não são necessárias
para cada sopro que damos...? São
reflexões importantes que os rapeleiros de verdade deveriam se fazer. Ter uma
consciencia ambiental sobre tudo que consumimos, mas especialmente sobre as
medicinas é, ao meu ver, básico para quem faz uso das medicinas da floresta. Desaprendemos
a ter essa visão porque nossa cultura desvaloriza e marginaliza esse tipo de
cuidado e preocupação com nossos semelhantes e com nosso futuro. Não deixemos
que isso permeie nossas mentes e nosso uso dessas medicinas.
Outro ponto
importante: Mais é mesmo sempre melhor que menos? Para a visão do Feminino
saudável (e mesmo do Masculino saudável), não. O leite mais quente nem sempre é
ideal para o recém-nascido. Mais e mais trabalho nem sempre é melhor para nossa
sociedade. Mais e mais doce nem sempre (na verdade, quase nunca rsrs) é o
melhor pra acalmar a TPM - que inclusive é um sintoma fortíssimo dessa cultura
patriarcal. Um “rapé forte” é sempre melhor que um “rapé suave”? Pra começar,
os rapés são tão previsíveis assim? Ao menos na minha experiência, não. Um tiquinho
de nada de rapé só para uma “limpada” nas vias aéreas durante um processo alérgico
leve já me abriu trabalhos espirituais importantíssimos e já tive vezes de
caprichar na dose e não ter uma experiencia tão significativa. Quantidade nem
sempre é o tópico principal, mas sim a forma de aplicar. A inteção, a reza, o
sopro, o Amor com as pessoas da roda e o lugar da aplicação, o ambiente em que
aplicamos, as condições enrgéticas e físicas dos tubinhos aplicadores (putz,
agora esqueci o nome rsrs), a história do rapé utilizado.... Tudo isso tem um
peso enooorme no processo que nem sempre é lembrado. E acima de tudo: o
momento!
Apenas seu
coração poderá te dizer qual o melhor momento para o rapé. Considere também suas
condições físicas. Faça do rapé, um momento especial, assim como fazer amor. Prepare
o ambiente com uma bela faxina do local, encontre a luz ideal, o assento ideal,
o baldinho ideal, prepare seu corpo tomando um banho e cuidando para ter uma
alimentação o mais saudável possível algumas horas antes do rapé, escolha uma
boa trilha sonora para o momento (ou o silencio). Faça desse momento uma doação
sua para você mesm@ e seus guias. Isso vai criando internamente também um
ambiente psíquico mais saudável, mais receptivo, calmo, harmonioso. Não tem a
ver com mistificar ou colocar um tabu no rapé, mas sim com valorizar este
momento.Valorizar as folhas e o trabalho naquele tubinho e mais: garanto que a experiencia em si é
muito mais agregadora! Muito mais profunda, curativa e reveladora! Nesse
ambiente, nesse “ritual”, a consciencia pode estar tão sensível e receptiva que
a quantidade ou o quanto um rapé é “forte”, é secundário o processo. Preparar o
ambiente é um “código” para o inconsciente e para as energias envolvidas. É uma
maneira de dizer para nosso subconsciente: “Olá, inconsciente, agora vamos
passar por uma experiencia diferente em que você vai poder me revelar processos
e curas que eu estou necessitando este momento da minha existencia. Estou me
preparando para receber você e seus presentes com alegria e amor”. Quer
guarnição maior para uma experiencia do que essa preparação? Encontrar um
momento e espaço limpinho, cheiroso e bonito para sentir-se acolhid@, à vontade
e sem pressa?
Todas essas
são reflexões do Feminino em relação ao rapé. Pode-se aplicá-las a todas as
medicinas.
Vamos
devolver esse olhar cuidadoso a todos os aspectos da nossa vida, e também ao
uso das medicinas.
aux!!!!
3.23.2014
Um brinde aos desimportantes!
Já me basta de grandes planos de mudar o mundo
Já me basta de grandes ambições, pretensões de fazer isso e aquilo
Por favor, por Amor, poupem-me de ser importante!
Já sou importante demais pra mim mesma e isso já me dá um trabalho danado!
Da vida nada se leva, a não ser as cicatrizes que ficam na Alma
Na minha Alma quero rugas profundas de felicidade,
cicatrizes de lições bem aprendidas
e histórias verídicas e bonitas pra contar do lado de Lá
Me poupem de ser importante!
Quero só viver em paz!
Meu tempo aqui é curto demais
E meus amores muito mortais
pra perder tempo empunhando espadas
subindo escadas sociais imaginárias
Dá-me da sabedoria cabocla
de não esquentar a cabeça a toa
Uma rede baiana, uma prosa de boa,
Bons livros pra ler e beijar bastante na boca
Que pode haver de melhor do que isso?
Faço uma oração por todos que se esqueceram disso
Trabalho com tesão e amo arduamente
E quando a noite chega
Brindo minha desimportância com outros desimportantes como eu
O que vai nesta taça é segredo desimportante
Mas recorda-nos rapidamente de nossa pequenez
Perante os segredos desimportantes que nos revela
E quando chegar a hora desimportante de minha partida
Estarei livre para gozá-la em Paz
Não há nada verdadeiramente importante
que estarei verdadeiramente deixando pra trás
Por favor, por Amor, poupem-me dos joguinhos importantes
daqueles que se esqueceram daquilo que é verdadeiro
Quero ser sombra discreta entre estes
E viver meu recanto colorido e luminoso
de desimportâncias artísticas, subversivas, pervertidas
Seu jogo, não me entretém
Sua comida, não me alimenta
Sua água, me é podre
Suas verdades, me são mentiras
Seus amores, são incompletos
Seus corações, doentes.
Deste mundo que me oferecem, eu nada desejo
E de muito pouco [quem sabe, nada] preciso
Faz-me desimportante, por favor! Por Amor!
Esqueçam todos de mim!
Para que eu possa embriagar-me de água pura das nascentes
Saciar-me da comida que alimenta
Encontrar Verdades que valham a pena
E Amar de forma Plena
Como entre vocês, jamais seria permitido
E aqueles que entenderem isso,
venham brindar comigo!
Aqui a água é pura, a terra é viva e a taça é cheia!
Ainda que desimportantes, sabemos que somos
uns para os outros, inesquecíveis!
Únicos! Perfeitos em nossos erros!
E vergonhosamente certos de nossas incertezas
Todas as noites, brindam solitários ou acompanhados, os desimportantes
E o que ocorre após isso
Não é de Todo importante
a ponto de ser descrito em lugar algum.
- Jessika Gomes
Já me basta de grandes ambições, pretensões de fazer isso e aquilo
Por favor, por Amor, poupem-me de ser importante!
Já sou importante demais pra mim mesma e isso já me dá um trabalho danado!
Da vida nada se leva, a não ser as cicatrizes que ficam na Alma
Na minha Alma quero rugas profundas de felicidade,
cicatrizes de lições bem aprendidas
e histórias verídicas e bonitas pra contar do lado de Lá
Me poupem de ser importante!
Quero só viver em paz!
Meu tempo aqui é curto demais
E meus amores muito mortais
pra perder tempo empunhando espadas
subindo escadas sociais imaginárias
Dá-me da sabedoria cabocla
de não esquentar a cabeça a toa
Uma rede baiana, uma prosa de boa,
Bons livros pra ler e beijar bastante na boca
Que pode haver de melhor do que isso?
Faço uma oração por todos que se esqueceram disso
Trabalho com tesão e amo arduamente
E quando a noite chega
Brindo minha desimportância com outros desimportantes como eu
O que vai nesta taça é segredo desimportante
Mas recorda-nos rapidamente de nossa pequenez
Perante os segredos desimportantes que nos revela
E quando chegar a hora desimportante de minha partida
Estarei livre para gozá-la em Paz
Não há nada verdadeiramente importante
que estarei verdadeiramente deixando pra trás
Por favor, por Amor, poupem-me dos joguinhos importantes
daqueles que se esqueceram daquilo que é verdadeiro
Quero ser sombra discreta entre estes
E viver meu recanto colorido e luminoso
de desimportâncias artísticas, subversivas, pervertidas
Seu jogo, não me entretém
Sua comida, não me alimenta
Sua água, me é podre
Suas verdades, me são mentiras
Seus amores, são incompletos
Seus corações, doentes.
Deste mundo que me oferecem, eu nada desejo
E de muito pouco [quem sabe, nada] preciso
Faz-me desimportante, por favor! Por Amor!
Esqueçam todos de mim!
Para que eu possa embriagar-me de água pura das nascentes
Saciar-me da comida que alimenta
Encontrar Verdades que valham a pena
E Amar de forma Plena
Como entre vocês, jamais seria permitido
E aqueles que entenderem isso,
venham brindar comigo!
Aqui a água é pura, a terra é viva e a taça é cheia!
Ainda que desimportantes, sabemos que somos
uns para os outros, inesquecíveis!
Únicos! Perfeitos em nossos erros!
E vergonhosamente certos de nossas incertezas
Todas as noites, brindam solitários ou acompanhados, os desimportantes
E o que ocorre após isso
Não é de Todo importante
a ponto de ser descrito em lugar algum.
- Jessika Gomes
3.11.2014
Kalar a Lama
"...Da Lama que me cabe, Lotus.
Da que nao me cabe, Kali..."
Cabe a mim te dizer, minha cara,
Que certas coisas ja nao te cabem mais.
Kali a lama que coube um dia
Kali a cara que ousou te calar
Kali a cabeça entregue no altar
Kali Durge Namo Nama
[E pousa um pequeno louva-Deus em minha mao esquerda]
Da que nao me cabe, Kali..."
Cabe a mim te dizer, minha cara,
Que certas coisas ja nao te cabem mais.
Kali a lama que coube um dia
Kali a cara que ousou te calar
Kali a cabeça entregue no altar
Kali Durge Namo Nama
[E pousa um pequeno louva-Deus em minha mao esquerda]
2.10.2014
A Serpente Ego
Pobre Ego...
Quando não querem matá-lo, querem domá-lo.
Culpam-no por absolutamente tudo [ou quase tudo] que achamos que temos de "errado".
Colocam-no como algo profano, como se sua existência fosse um "acidente" da criação, algo do que temos que nos livrar para que possamos "entrar em contato" com o que "verdadeiramente somos".
Como se não fôssemos - também - o Ego!
Como se nosso querido Ego não tivesse absolutamente nenhuma função e missão além de atrapalhar nossa vida espiritual.
Ele é o inimigo que carregamos de cá pra lá.
Os muito iluminados que me desculpem, mas eu amo e defendo meu Ego, sim sinhô!
Oxe! Se não fosse o Ego eu não teria noção mental de onde começa e termina quem eu sou.
Como é que eu vou pegar uma fila pra pagar uma conta no banco se eu achar que eu, a conta, o dinheiro, a moça do caixa e o dono do banco somos um único Ser?
O fato de eu ter a plena certeza de que realmente somos um único Ser não altera em nada o fato de que vão me botar pra fora se eu não pagar ao aluguel.
E desculpem, mas por mais iluminado que alguém seja, aluguéis existem. Lide com isso!
E se você não tem aluguel, outras pessoas continuam tendo. A esmagadora maioria das pessoas. E toda essa bagunça socioeconômica que vivemos também continua existindo.
Não pego meu Ego pela violência. Que coisa mais besta!
Pego ele pela sedução! Arma feminina venenosa e fatal que aplico no cão de guarda teimoso que vigia minha noção de individualidade.
Faço-me cadelinha no cio, ou de carne fresca, levando-o até longe de seu posto. Quando ele volta a si, eu já fui Um e voltei. E ele nem viu.
Depois que eu vou e volto várias vezes ele entende que eu sempre volto. Então não faz mais uma oposição vazia. Mas continua por perto caso alguma coisa fique perigosa demais.
Trato-o com carinho, respeito e respeito sua natureza selvagem. Assim, ele não se torna um monstro, mas sim um companheiro leal, compreensivo e amigável. Assim, ele não vira um pitbull estressado que late pra tudo que passa na frente das grades do portão. Mas sim, silenciosa companhia, que basta rosnar baixinho para que eu entenda que algo está errado. Sinuosa serpente que faz de minha pele sua morada e empresta a minha imagem a sua beleza e poder. Deixo- a enrolar-se em meu pescoço, barriga, ventre, o que quer que se apeteça. Confio no meu Ego, e ele em mim. Quando quero empreender alguma viagem em que preciso deixá-la por um instante, basta um gentil pedido de licença para que ela deslize languidamente até meu trono almofadado de Rainha - ainda que às vezes haja alguma manha. Trono este que eu abandono juntamente com toda minha roupa, máscara, coroa e indumentária. Deixo tudo isso aos cuidados de minha amada serpente e sigo nua e despretensiosa rumo à Unidade. Onde nada serei além de nada. "Não serás menos que isso".
E se algum dia eu voltasse nua e descabelada de uma dessas experiências, e não encontrasse mais minha amada serpente, uma grande tristeza tomaria conta de mim. Que seria de mim sem minha protetora querida? De que vale meu trono de Rainha sem suas gélidas escamas para me acariciar? Mas ainda assim, eu respeitaria sua decisão de abandonar-me. Pois meu Amor é incondicional e liberta a mim e a todos os meus amados. Se minha amada serpente Ego, abandona-me, é porque é mais feliz em algum outro lugar que não ao meu lado. E eu, por amá-la profundamente, assim prefiro e fico feliz por ela. Mesmo que com raiva, ciume e tristeza ao mesmo tempo! Mas jamais em sã consciência, eu preferiria que ela permanecesse ao meu lado, estando infeliz. De forma alguma! Eu não seria tão egocêntrica.
Quando não querem matá-lo, querem domá-lo.
Culpam-no por absolutamente tudo [ou quase tudo] que achamos que temos de "errado".
Colocam-no como algo profano, como se sua existência fosse um "acidente" da criação, algo do que temos que nos livrar para que possamos "entrar em contato" com o que "verdadeiramente somos".
Como se não fôssemos - também - o Ego!
Como se nosso querido Ego não tivesse absolutamente nenhuma função e missão além de atrapalhar nossa vida espiritual.
Ele é o inimigo que carregamos de cá pra lá.
Os muito iluminados que me desculpem, mas eu amo e defendo meu Ego, sim sinhô!
Oxe! Se não fosse o Ego eu não teria noção mental de onde começa e termina quem eu sou.
Como é que eu vou pegar uma fila pra pagar uma conta no banco se eu achar que eu, a conta, o dinheiro, a moça do caixa e o dono do banco somos um único Ser?
O fato de eu ter a plena certeza de que realmente somos um único Ser não altera em nada o fato de que vão me botar pra fora se eu não pagar ao aluguel.
E desculpem, mas por mais iluminado que alguém seja, aluguéis existem. Lide com isso!
E se você não tem aluguel, outras pessoas continuam tendo. A esmagadora maioria das pessoas. E toda essa bagunça socioeconômica que vivemos também continua existindo.
Não pego meu Ego pela violência. Que coisa mais besta!
Pego ele pela sedução! Arma feminina venenosa e fatal que aplico no cão de guarda teimoso que vigia minha noção de individualidade.
Faço-me cadelinha no cio, ou de carne fresca, levando-o até longe de seu posto. Quando ele volta a si, eu já fui Um e voltei. E ele nem viu.
Depois que eu vou e volto várias vezes ele entende que eu sempre volto. Então não faz mais uma oposição vazia. Mas continua por perto caso alguma coisa fique perigosa demais.
Trato-o com carinho, respeito e respeito sua natureza selvagem. Assim, ele não se torna um monstro, mas sim um companheiro leal, compreensivo e amigável. Assim, ele não vira um pitbull estressado que late pra tudo que passa na frente das grades do portão. Mas sim, silenciosa companhia, que basta rosnar baixinho para que eu entenda que algo está errado. Sinuosa serpente que faz de minha pele sua morada e empresta a minha imagem a sua beleza e poder. Deixo- a enrolar-se em meu pescoço, barriga, ventre, o que quer que se apeteça. Confio no meu Ego, e ele em mim. Quando quero empreender alguma viagem em que preciso deixá-la por um instante, basta um gentil pedido de licença para que ela deslize languidamente até meu trono almofadado de Rainha - ainda que às vezes haja alguma manha. Trono este que eu abandono juntamente com toda minha roupa, máscara, coroa e indumentária. Deixo tudo isso aos cuidados de minha amada serpente e sigo nua e despretensiosa rumo à Unidade. Onde nada serei além de nada. "Não serás menos que isso".
E se algum dia eu voltasse nua e descabelada de uma dessas experiências, e não encontrasse mais minha amada serpente, uma grande tristeza tomaria conta de mim. Que seria de mim sem minha protetora querida? De que vale meu trono de Rainha sem suas gélidas escamas para me acariciar? Mas ainda assim, eu respeitaria sua decisão de abandonar-me. Pois meu Amor é incondicional e liberta a mim e a todos os meus amados. Se minha amada serpente Ego, abandona-me, é porque é mais feliz em algum outro lugar que não ao meu lado. E eu, por amá-la profundamente, assim prefiro e fico feliz por ela. Mesmo que com raiva, ciume e tristeza ao mesmo tempo! Mas jamais em sã consciência, eu preferiria que ela permanecesse ao meu lado, estando infeliz. De forma alguma! Eu não seria tão egocêntrica.
Onda de Mar
A vida continua dando seus olés. Continuam virando as marés.
Minha jangada - já sem remo - continua sendo jogada de um lado para o outro.
Todos nós uma hora ou outra seremos tragados pelas ondas
Sabemos que nosso inevitável destino nesses sobes e desces é o afogamento.
Mas alguma coisa agora está diferente.
Houve um dia em que eu desisti de remar
Ofereci meus remos em oferenda ao Mar
E uni as mãos em prece.
E não foi pela minha sobrevivência
Nem por um bom destino
que orei.
Imagino que deva ter sido ali
Que alguma coisa mudou.
O fato é que hoje, especificamente hoje,
a maré está excepcionalmente intensa
As ondas, excepcionalmente imensas
E eu acho que perdi minha jangada
Digo que acho porque já não sei dizer se realmente a tive
Ou se sempre este azul salgado sempre esteve ao redor
Apenas eu que não percebia
O que poderia ter sido meu corpo contra um rochedo
Minha jangada jogada contra um iceberg
Não foi.
Mas sim uma nova sensação. Intensa. Imensa.
Dos pés à cabeça.
Algo que não era de todo novidade
Ainda que indecifrável aos sentidos
Tal qual criança corajosa
Que pula de uma só vez na piscina gelada
E por alguns segundos - a mente se pausa
Os sentidos nos inundam com intensidade indescritível
E a mente ainda não deu seu parecer ou sua explicação para tanta intensidade
É nesse momento de suspensão que agora estou
Como tantas outras vezes estive
Mas dessa vez, percebo que talvez não precise sair dele
Dessa vez, vejo tão claro dentro de mim
Que é algo em mim que se "ativa" e profere julgamento
Algo que se "ativa" e dispara a explicar
E dispara a julgar, a se desesperar, a gozar de alegria, a doer-se de desolamento
Dessa vez, eu não tenho nenhum comentário a fazer
Se é bom, se é ruim
Se é triste, se é feliz
Se é certo, se é errado
Sagrado ou profano
Ou melhor: poderia dizer que é tudo isso - e não estaria sendo desonesta.
Dessa vez, por algum motivo que ainda não sei dizer,
Sinto que eu poderia escolher um dos caminhos, quanto ambos
...ou nenhum.
Por que eu teria que achar algo que é inevitável a mim que aconteça?
Por que eu deveria ter que dar um parecer mental sobre acontecimentos que independem da minha vontade ou escolha?
Por que eu não poderia, tal qual a criança que se joga na piscina gelada, apenas ficar com a sensação pura e cristalina da intensidade brutal da água gelada em toda a minha pele de repente?
Não. Eu não escolherei nenhuma reação.
No momento, todas elas brotam igualmente de dentro de mim
E cuido de todas elas com igual atenção e carinho
E todas são igualmente vazias e falsas
E igualmente viscerais e verdadeiras.
Ao longe, ainda posso ver meu corpo triturado contra o rochedo
E minha jangada destruída pelo iceberg
Mas isso tudo mais me parece um sonho
Afinal, esse infinito azul parece que sempre aqui
Dentro de mim
E eu dentro dele
Minhas sensações não mentem.
Eu sempre estive aqui.
Mas mesmo que não tenha estado
Ainda assim sempre estive
Sensações não mentem.
Não se enganam.
Não se vão.
Ainda que eu veja com meus próprios olhos
Meu corpo inerte afundando em algum ponto do Oceano
E minha jangada estilhaçada em algum lugar
Ou melhor dizendo
Vejo meu corpo afundando em múltiplos pontos do Oceano
E minha jangada estilhaçada em vários lugares
Todos eles, igualmente mentira
Todos eles, igualmente verdade
Mas tem uma Verdade que realmente não se vai
Que não tem mentira que lhe faça oposição
A única coisa que não mente é a sensação
Não conclui. Não pensa. Não julga.
Não explica. Não questiona.
Apenas chega e nos invade
Nos inunda
Intensa.
Imensa.
Como onda de Mar
Nos jogando contra o rochedo
E se um dia voltar eu a pensar
A questionar, a concluir, a indagar
Que sejam conclusões honestas
Do tipo que eu não possa escolher entre tê-las ou não
Do tipo que não dependa de como eu me posicione a respeito
Que me sejam certezas das quais eu não possa fugir
Das quais eu não possa pensar ou sentir diferente.
Que me nocauteiem de certeza, de mistério, de arrepio
Que sejam inexplicáveis!
Que sejam ilógicas!
Que sejam indescritíveis!
E não que fiquem me jogando entre múltiplas certezas possíveis
Que nada dizem ao meu Coração e a minha Alma
Apenas me inquietam a mente, tiram-me o sono, e o prazer de sentar-me em silêncio.
Que sejam como Paixão que arrebata
Como presa que vira caça
Como trovão que clareia
Como onda que arrasta
Pois se minhas vãs conclusões
Nem mesmo me façam rendida e entregue
Indefesa perante tanta clareza
Que nem se deem ao trabalho de surgir
Prefiro minhas sensações translúcidas
Meus sentimentos inequívocos
Ilógicos
Incisivos
Cristalinos
Prefiro esse azul do céu que cega
Num impacto de tsunami
Que nada sabe
Nada conclui
Nada pergunta
Mas tudo ordena
Tudo sente
Tudo é
Infinito
Intenso
Imenso
Como onda de mar.
Minha jangada - já sem remo - continua sendo jogada de um lado para o outro.
Todos nós uma hora ou outra seremos tragados pelas ondas
Sabemos que nosso inevitável destino nesses sobes e desces é o afogamento.
Mas alguma coisa agora está diferente.
Houve um dia em que eu desisti de remar
Ofereci meus remos em oferenda ao Mar
E uni as mãos em prece.
E não foi pela minha sobrevivência
Nem por um bom destino
que orei.
Imagino que deva ter sido ali
Que alguma coisa mudou.
O fato é que hoje, especificamente hoje,
a maré está excepcionalmente intensa
As ondas, excepcionalmente imensas
E eu acho que perdi minha jangada
Digo que acho porque já não sei dizer se realmente a tive
Ou se sempre este azul salgado sempre esteve ao redor
Apenas eu que não percebia
O que poderia ter sido meu corpo contra um rochedo
Minha jangada jogada contra um iceberg
Não foi.
Mas sim uma nova sensação. Intensa. Imensa.
Dos pés à cabeça.
Algo que não era de todo novidade
Ainda que indecifrável aos sentidos
Tal qual criança corajosa
Que pula de uma só vez na piscina gelada
E por alguns segundos - a mente se pausa
Os sentidos nos inundam com intensidade indescritível
E a mente ainda não deu seu parecer ou sua explicação para tanta intensidade
É nesse momento de suspensão que agora estou
Como tantas outras vezes estive
Mas dessa vez, percebo que talvez não precise sair dele
Dessa vez, vejo tão claro dentro de mim
Que é algo em mim que se "ativa" e profere julgamento
Algo que se "ativa" e dispara a explicar
E dispara a julgar, a se desesperar, a gozar de alegria, a doer-se de desolamento
Dessa vez, eu não tenho nenhum comentário a fazer
Se é bom, se é ruim
Se é triste, se é feliz
Se é certo, se é errado
Sagrado ou profano
Ou melhor: poderia dizer que é tudo isso - e não estaria sendo desonesta.
Dessa vez, por algum motivo que ainda não sei dizer,
Sinto que eu poderia escolher um dos caminhos, quanto ambos
...ou nenhum.
Por que eu teria que achar algo que é inevitável a mim que aconteça?
Por que eu deveria ter que dar um parecer mental sobre acontecimentos que independem da minha vontade ou escolha?
Por que eu não poderia, tal qual a criança que se joga na piscina gelada, apenas ficar com a sensação pura e cristalina da intensidade brutal da água gelada em toda a minha pele de repente?
Não. Eu não escolherei nenhuma reação.
No momento, todas elas brotam igualmente de dentro de mim
E cuido de todas elas com igual atenção e carinho
E todas são igualmente vazias e falsas
E igualmente viscerais e verdadeiras.
Ao longe, ainda posso ver meu corpo triturado contra o rochedo
E minha jangada destruída pelo iceberg
Mas isso tudo mais me parece um sonho
Afinal, esse infinito azul parece que sempre aqui
Dentro de mim
E eu dentro dele
Minhas sensações não mentem.
Eu sempre estive aqui.
Mas mesmo que não tenha estado
Ainda assim sempre estive
Sensações não mentem.
Não se enganam.
Não se vão.
Ainda que eu veja com meus próprios olhos
Meu corpo inerte afundando em algum ponto do Oceano
E minha jangada estilhaçada em algum lugar
Ou melhor dizendo
Vejo meu corpo afundando em múltiplos pontos do Oceano
E minha jangada estilhaçada em vários lugares
Todos eles, igualmente mentira
Todos eles, igualmente verdade
Mas tem uma Verdade que realmente não se vai
Que não tem mentira que lhe faça oposição
A única coisa que não mente é a sensação
Não conclui. Não pensa. Não julga.
Não explica. Não questiona.
Apenas chega e nos invade
Nos inunda
Intensa.
Imensa.
Como onda de Mar
Nos jogando contra o rochedo
E se um dia voltar eu a pensar
A questionar, a concluir, a indagar
Que sejam conclusões honestas
Do tipo que eu não possa escolher entre tê-las ou não
Do tipo que não dependa de como eu me posicione a respeito
Que me sejam certezas das quais eu não possa fugir
Das quais eu não possa pensar ou sentir diferente.
Que me nocauteiem de certeza, de mistério, de arrepio
Que sejam inexplicáveis!
Que sejam ilógicas!
Que sejam indescritíveis!
E não que fiquem me jogando entre múltiplas certezas possíveis
Que nada dizem ao meu Coração e a minha Alma
Apenas me inquietam a mente, tiram-me o sono, e o prazer de sentar-me em silêncio.
Que sejam como Paixão que arrebata
Como presa que vira caça
Como trovão que clareia
Como onda que arrasta
Pois se minhas vãs conclusões
Nem mesmo me façam rendida e entregue
Indefesa perante tanta clareza
Que nem se deem ao trabalho de surgir
Prefiro minhas sensações translúcidas
Meus sentimentos inequívocos
Ilógicos
Incisivos
Cristalinos
Prefiro esse azul do céu que cega
Num impacto de tsunami
Que nada sabe
Nada conclui
Nada pergunta
Mas tudo ordena
Tudo sente
Tudo é
Infinito
Intenso
Imenso
Como onda de mar.
2.09.2014
Do Romantismo Consciente
O romantismo requer grande dose de coragem.
Não o romantismo vazio, essa reprodução impensada de padrões Disney.
Mas o romantismo consciente. Aquele que conheceu o as dores que amar pode trazer, e ainda assim permite-se amar.
Aquele romantismo que não foge da ferida, e quer curar-se logo para poder atirar-se com menos medo e mais sabedoria da próxima vez.
Aquele romantismo que já sabe o quanto é amargo o ciclo de expectativa-decepção e ainda assim permite-se reconhecer no outro sua luz e sua sombra - e ainda assim, se apaixona. Perdidamente.
Abdicar das personagens que conhecemos tipo "o bom partido", "a boa moça", "a piranha", "o garanhão", "a boa esposa" e tantas outras máscaras para olhar no fundo dos olhos de cada um não é tarefa simples. Com os personagens e máscaras, nós já sabemos os passos da dança. Em teoria, é seguro. É fácil ser romântico no conto de fadas. Olhar no fundo dos olhos, para além das máscaras, requer olhar para dentro de nós mesmos. E não tem nada que a Alma queira mais - e ao mesmo tempo tema mais - do que olhar para si mesma. Não há mais coreografia ensaiada. Não há mais segurança ou conto de fadas. Não há mais "felizes para sempre" nem "era uma vez". E percebemos que, na verdade, fomos enganados. Isso tudo nunca funcionou de verdade.
Enxergar isso, curar-se disso e ainda assim continuar confiando no Amor, é um patamar absurdo de Romantismo e ao mesmo tempo de conscientização. O romantismo condicional, que só consegue ser romântico no conto de fadas, ou a amargura que nega, rejeita e despreza o Amor, é muito mais fácil.
Romantismo consciente não é pra quem quer.
É pra quem pode.
2.05.2014
A mulher dos cabelos de fogo
Cheiro novo no ar. Mas não inédito.
Cheiro de mudanças.
Já sinto a incendiária-explosiva em mim despertando dramaticamente de seu sono sepulcral.
Ela alonga seus músculos lentamente numa flexibilidade bizarra que desafia as leis da física. Ela se levanta e caminha com os olhos arregalados e flamejantes em minha direção. Esfrega suas mãos uma na outra e me pergunta com um sorriso psicótico no rosto: "Que que tem pra hoje?".
É por aqui, moça...
Trocamos um sorriso. O meu alegre, o dela, frenético. Já temos tanta história juntas, que um olhar basta. Ela sabe que eu senti falta dela. Eu sei que ela está feliz de me rever. Eu sempre entrego a ela coisas novas pra incendiar e explodir até que ela se canse. E então como criança que brincou o dia inteiro, eu a colocarei pra dormir depois de um belo banho, lhe darei um beijinho de boa noite enquanto ela orgulhosa me relembra de seus feitos. E eu agradecida, assistirei seu olhar flamejante se transformando em um meigo e doce olhar de criança - sonolenta e realizada.
Quanto ela estiver dormindo então, com um sorriso no rosto eu limparei toda a bagunça e construirei novas coisas para quando ela acordar amanhã. Nunca se sabe quando ela vai acordar incendiária, fada, construtora, mãe, criança, velha, sereia ou árvore. Em todo caso, é preciso limpar.
Afinal, o que eu não faço por Amor, e com Amor a Ela?
Cheiro de mudanças.
Já sinto a incendiária-explosiva em mim despertando dramaticamente de seu sono sepulcral.
Ela alonga seus músculos lentamente numa flexibilidade bizarra que desafia as leis da física. Ela se levanta e caminha com os olhos arregalados e flamejantes em minha direção. Esfrega suas mãos uma na outra e me pergunta com um sorriso psicótico no rosto: "Que que tem pra hoje?".
É por aqui, moça...
Trocamos um sorriso. O meu alegre, o dela, frenético. Já temos tanta história juntas, que um olhar basta. Ela sabe que eu senti falta dela. Eu sei que ela está feliz de me rever. Eu sempre entrego a ela coisas novas pra incendiar e explodir até que ela se canse. E então como criança que brincou o dia inteiro, eu a colocarei pra dormir depois de um belo banho, lhe darei um beijinho de boa noite enquanto ela orgulhosa me relembra de seus feitos. E eu agradecida, assistirei seu olhar flamejante se transformando em um meigo e doce olhar de criança - sonolenta e realizada.
Quanto ela estiver dormindo então, com um sorriso no rosto eu limparei toda a bagunça e construirei novas coisas para quando ela acordar amanhã. Nunca se sabe quando ela vai acordar incendiária, fada, construtora, mãe, criança, velha, sereia ou árvore. Em todo caso, é preciso limpar.
Afinal, o que eu não faço por Amor, e com Amor a Ela?
1.31.2014
Eu estava lendo um texto sobre o despertar do Sagrado Masculino, quando de repente, de brincadeira, falei sozinha:
- Aiai... E meu boy-magia, ein? Quando é que chega? Eu quero minha Alma Gêmea sob encomenda! kkkkkkkkkk
...
Mas a vida não riu comigo.
Não achou graça.
Shiva Nataraj, em construção, me olhava furioso do quadro quase pronto...
Algumas lições a gente não pode se dar ao luxo de simplesmente esquecer.
- Aiai... E meu boy-magia, ein? Quando é que chega? Eu quero minha Alma Gêmea sob encomenda! kkkkkkkkkk
...
Mas a vida não riu comigo.
Não achou graça.
Shiva Nataraj, em construção, me olhava furioso do quadro quase pronto...
Algumas lições a gente não pode se dar ao luxo de simplesmente esquecer.
1.28.2014
Poema escrito pela bhakta indiana Mirabai (aprox.1498-1550)
As cores do Senhor Escuro penetraram no corpo de Mira,
todas as outras cores desbotaram.
Fazer amor com esse Escuro e comer pouco,
esses são minhas pérolas e meu coral.
As contas para meditar [japa mala] e o sinal na testa
esses são os meus anéis e meu xale.
Há ciladas femininas suficientes para mim.
Meu mestre me ensinou isto.
Aprove-me ou desaprove-me:
eu louvo a Energia da Montanha [Parvati] noite e dia.
Eu sigo o caminho que as pessoas em êxtase seguiram por séculos.
Não roubo dinheiro, não firo ninguém.
Do que você me acusará?
Eu senti as oscilações dos ombros do elefante,
e agora você quer que eu suba em uma mula?
Pense um pouco!...
As cores do Senhor Escuro penetraram no corpo de Mira,
todas as outras cores desbotaram.
Fazer amor com esse Escuro e comer pouco,
esses são minhas pérolas e meu coral.
As contas para meditar [japa mala] e o sinal na testa
esses são os meus anéis e meu xale.
Há ciladas femininas suficientes para mim.
Meu mestre me ensinou isto.
Aprove-me ou desaprove-me:
eu louvo a Energia da Montanha [Parvati] noite e dia.
Eu sigo o caminho que as pessoas em êxtase seguiram por séculos.
Não roubo dinheiro, não firo ninguém.
Do que você me acusará?
Eu senti as oscilações dos ombros do elefante,
e agora você quer que eu suba em uma mula?
Pense um pouco!...
Que seja pleno o nosso AGORA!
Independente dos numerozinhos nos calendários ou relógios...
Esse livro de Poesias que é a Existência
está para além de sumários ou números de página
Cada Poema é por si só Absoluto
E não cabe nem ao Poeta, nem ao Leitor,
saber, prever ou julgar
a ordem, forma ou rima
em que eles virão
nem dos que já vieram
Por isso, neste Agora,
Desejo que seu Agora seja Pleno!
Que cada verso deste Poema sem fim
lhe seja único como se fosse o primeiro
e intenso como se fosse o último
Que cada pequena palavra inunde sua Alma
e transborde seu Coração
Que seu Agora
Assim como você mesmo
Seja o que É.
Agora.
Independente dos numerozinhos nos calendários ou relógios...
Esse livro de Poesias que é a Existência
está para além de sumários ou números de página
Cada Poema é por si só Absoluto
E não cabe nem ao Poeta, nem ao Leitor,
saber, prever ou julgar
a ordem, forma ou rima
em que eles virão
nem dos que já vieram
Por isso, neste Agora,
Desejo que seu Agora seja Pleno!
Que cada verso deste Poema sem fim
lhe seja único como se fosse o primeiro
e intenso como se fosse o último
Que cada pequena palavra inunde sua Alma
e transborde seu Coração
Que seu Agora
Assim como você mesmo
Seja o que É.
Agora.
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