6.23.2014

Só hoje.

Só hoje eu não vou te mandar uma mensagem.
Só hoje eu vou fazer de conta que não sou perdidamente apaixonada por você.

Não, hoje não. 

Só hoje eu vou ouvir o meu orgulho, a minha suposta "dignidade". Só hoje serei fiel a minha militância de defender minhas inseguranças. Só hoje eu vou fazer de conta que não lembrei de você, assim como eu acho que você faz todos os dias que não entra em contato comigo. 

Não, hoje eu darei a mim mesma a decência e o orgulho de ser alguma coisa que só posso ser se responder o seu silêncio com o meu silêncio.

Mesmo que você diga que sempre se lembra de mim.
Mesmo que uma parte profunda de mim acredite nisso.
Mesmo que uma parte real de mim duvide disso.
Mesmo que eu não entenda.

E justamente porque não entendo, sofro.
E só porque sofro, hoje eu não direi que te amo.
Como uma criança ferida e emburrada
Que levanta os ombros e diz que "não liga"
Mesmo com as lágrimas de coração partido lavando-lhe a face

Não. 
Hoje eu deixarei que você prove uma pitada do próprio veneno
Como uma adolescente vingativa calcula suas ações
Só para, nem que seja apenas por um momento, 
Eu ter de volta alguma sensação de controle - a mais miserável que seja
Para eu ter de volta a sensação de que está em minhas mãos
Manter minha respeitabilidade por mim mesma
[afinal, uma mulher deve "dar-se ao respeito"]
Manter-me protegida na minha muralha de certezas de areia
Como se eu tivesse certeza de qualquer coisa
E assim aliviar esse pânico paralisante, esse terror, esse desespero
De no fundo saber com todo meu Ser
Que o Amor me destroçará e moerá até extrema brancura 
...como faz com todos nós.
Que ele me degolará, me despirá de toda minha vaidade, orgulho, dignidade, respeitabilidade, certeza 
...como faz como todos nós.
Como já fez comigo tantas vezes antes
Até que eu jurasse nunca mais cometer os mesmos "erros no Amor"
Como se houvesse acertos.
Como se houvesse "certo" e "errado"
Como se houvesse qualquer noção
Do que seja o Amor...

Todos os hojes isso me passa pela cabeça.
Todos os hojes eu te mando uma mensagem dizendo que te amo.

Mesmo que a provável resposta seja o gélido silêncio.
Mesmo que a resposta seja o "eu também"
Mesmo que quando o silêncio se rompa, 
As mais belas poesias deles jorrem como mel
Como o néctar puro da Imortalidade
Acessado num puro momento de êxtase

No fundo, não importa.
Não de Verdade.

Talvez porque... 
Na Verdade...
Não dizer que te amo
Talvez seja uma mentira.

E eu, agora em secreto pacto com a Verdade,
Não tenho outra alternativa.

Recebe, então, Amado,
O pó branco que sobrou de meu coração...
Recebe, então, Amado,
Minha cabeça em bandeja de prata,
Minhas lágrimas de criança,
E a areia que sobrou das minhas certezas...
E saiba, que a cada-todo-dia que eu lhe disser isso,
Estarei entregando-lhe nada menos do que tudo:

- Eu te amo!

Satya Devi

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