12.27.2013

Natal

Neste Natal, aprendi o que não sou.
Rio-me de meu esquecimento.
Rio-me de minha recordação.
Cada vez mais rápida, quando a vida me ordena que eu recorde.

Meu Jehoshua íntimo nasceu de parto difícil, longo e doloroso neste ano.
Cercado de espinhos, meu presente me foi entregue sem direito a devolução ou troca.
E eu o abracei.
Do sangue que escorreu, já não me importa mais
Pois o conteúdo deste presente,
Entre os espinhos,
é perfume de flor tão delicioso que inebria, extasia...

Flor.
Semente germinada.
Crescida.
Desabrochada.
Em pétala, cor e cheiro que as palavras não alcançariam

Ah, a doce recordação de quem somos
através da dor da percepção do que não somos...
Quantos espinhos!
Quanta generosidade deste velhinho vermelho...
Deste menino travesso...
E de seus pais,
também meus pais,
De cada ciclo que passa
Me fazer cada vez mais
Inteira

11.08.2013

O que é bruxaria?

Bruxaria é fazer do cotidiano um sacerdócio.
É fazer da faxina da casa, uma purificação íntima.
É fazer da comida do estômago, o alimento do espírito.
É re-conhecer em cada mulher, a Mãe Divina da qual todos viemos.
E em cada homem, o Pai, o Amado.

É fazer de uma caminhada na mata, um encontro com Deus.
É fazer do próprio corpo, uma oferenda.
É fazer do banho, uma prece.
É fazer do acordar de cada manhã, o despertar do Ser.
E do adormecer, a entrega completa aos Mistérios

É fazer do trabalho diário, nosso sacro ofício.
É fazer de nossas relações cotidianas, um encontro entre Almas
É fazer de nosso leito, um altar onde o pecado não alcança
E do coração, um útero.

10.31.2013

31 de Outubro

Sacis e abóboras
Vassouras de palha e maracás
Japamalas e atabaques
Caldeirões e véu de seda

Aqui, a bruxa é da Terra inteirinha 

De solstício a solstício.
Faça chuva ou faça sol
Inverno e Verão
Outono e Primavera

Dançando em círculos a Gira de Freya com o véu de Maya
Entoando mantras pros Orixás
Batendo o bongô no cavalgar trovejante das Valquírias
Ásanas para saudar Tupã

Todas as lendas do mundo
Mitos, símbolos, histórias,
São traduções diferentes de um mesmo canto
Que canta dentro de todos nós

Você está ouvindo?

9.26.2013

Houve um tempo em que eu era viciada em uma certa música melancólica e lânguida.
Ela me lembrava de amores doídos e às vezes me fazia chorar.
Era um vício. Não tinha o que fazer.

Até que eu entendi. Assim do nada, de uma vez só, eu me lembrei...
De um tempo, que foi há muito muito tempo, em que eu adorava essa mesma música triste, mas não tinha um triste motivo que justificasse eu gostar tanto dela.
Então eu inventei um motivo.
E quando este motivo se foi, eu inventei outro...
E depois outro...

Hoje, eu ouço a mesma música - sou cada vez mais apaixonada por ela.
E verto as mesmas lágrimas agridoces.
Dessa vez,
sem desculpa.

Só pelo prazer desavergonhado e obsceno de sentir prazer nessa melancolia lânguida dentro de mim.
Assim mesmo... Descarada.
E sorrindo.

Mulheres da Vida

Mulher da Vida SIM! Como não?!
De Morte já me basta a Morte dos sonhos, do Amor e da libido selvagem!

Mulheres da Vida, Mulheres do Mundo!
Deliciosas carnes transbordando Vida por todos os poros!
Ah, sim! Como não?!
Levando o divino óleo entre as engrenagens que machucam nossos corações
Levando o leite materno para os bebês chorões
Levando a vida pulsante entre as coxas para os sedentos

Mulheres... Mulheres... Da Vida, sempre!
Que de Morte, já me bastam as concretas mulheres cinzas
De sorrisos amarelos e cabelos coloridos
Coloridos? Cores tão pálidas como suas peles sem Sol!
Sensatas e austeras, sempre tão corretas
Só podia ser Mulher de Morte
Uma Morte preguiçosa e esquecida
que esqueceu-se de levar suas vítimas consigo
Ou uma Morte cruel e profana
que faz suas vítimas agonizarem em vida
Antes de voltarem ao Grande Útero do Universo

Mulher da Vida Sim! Precisamos de vocês!
Precisam de nós!
Quem mais poderia dar voz aos injustiçados?
Dar comida aos famintos?
Dar cores à Primavera?
Dar calor aos que morrem de frio?
Dar Amor aos mal-amados?
Dar compreensão aos incompreendidos?

Mulheres da Vida! Jorrem sobre nós suas Divinas Águas
Fertilizem nossas mentes e coração
Permitam a nós, sementes tímidas,
plantarmo-nos em vocês, germinarmos e criarmos raízes e copas
Que não é por nada, ó Divinas,
Se não pela alegria de levar flores a vocês!

Sou devota das Mulheres da Vida!
Mulheres do Mundo!
Que do céu e do inferno já me bastam as histórias mal-contadas!
Que pulse o mundo, tão vivo quanto só o Hoje pode ser
Dentro e fora de mim!
Se não fossem as Mulheres do Mundo,
Quem mais poderia nos dar a lucidez?
Iluminar-nos com a Verdade?
E fazer com que olhemos para o Mundo como ele é,
e ainda assim... amá-lo?!

Sim! Nós, mulheres da Vida! Mulheres do Mundo!
Levamos a Vida e o Amor aonde quer que eles precisem estar
E a Vida e o Amor nos levarão aonde quer que precisemos estar

Esta é nossa suprema bruxaria, nosso único feitiço, nosso Sacro Ofício
E leva-se uma Vida inteira, e um Mundo inteiro - ou mais
Para realizá-lo

Mulher da Vida! Mulher do Mundo!
Graças à Deusa

9.22.2013

O Sentido da Vida

Não há nenhum grande objetivo em viver, a não ser a própria vida.
Não vivemos pra sociedade, pra religião, pra família... É uma mentira dizer que necessariamente precisamos embutir algum sentido à existência para que ela "faça sentido".
"Qual o sentido da Vida?", perguntava-me...
Oras! A vida não precisa de sentido. Muito menos fazer sentido.
A vida justifica-se por si mesma! A vontade, o sentimento, o Ser, o experienciar...
Colocar qualquer outro objetivo nisso que não a Vida por si mesma, é alienar-se da própria Vida. É morrer aos poucos, acreditando que "Ah, é a vida, neh..."

9.20.2013

Chamado às Divinas Trovadoras

Ó Divinas Trovadoras, Poetisas e Artistas! 
Nós suplicamos vossa ajuda!
Nossos homens esquecem-se de quem são!
Nós imploramos
Cantem-lhes sua beleza, sua força, sua coragem,
Desenhem suas emoções, suas paixões, sua devoção
Dancem sua fragilidade mais pura, sua sabedoria, sua alegria!

As mulheres hoje já voltam para as florestas, encontrar-se com Aquelas que lá se esconderam pelos séculos...
Já re-acendemos nossas fogueiras, queimamos nossas vestes e em breve devemos dançar nuas novamente...
E das que ainda não despertaram de seu sono secular
Já são chamadas por nós em seus sonhos

Mas os homens, ó Trovadoras! Ai, os homens...
Lamentam por entre os cantos a Amélia perdida...
Procuram propriedades e prioridades desesperadoramente...
Escravizam as próprias mães e depois fazem de suas esposas suas mães
E quando não acham - pois toda Amélia está voltando a ser Lilith
Desesperam-se!
Descabelam-se!
Choram desconsolados pelos cantos sem seio que os acolha em sua ignorância violenta

Eles se esquecem, ó Trovadoras,
Do canto que prenderam no peito
Da lágrima que contiveram na garganta
Do fogo inocente que os faziam saltitar por entre as matas e cachoeiras!

Ó Trovadoras, se ainda resta-lhes alguma piedade e uma única gota de Inspiração,
Por favor, atendei nosso chamado!
Pois não é por nada se não por esquecimento que tombam nossos homens
Um a um, desconsolados
Eles padecem, ó Trovadoras, do mesmo Mal que padecemos nós mulheres pelos milênios a fio...
O pior mal de todos os males, que é esquecer da própria Natureza

Por isso, suplicamos a vós, ó Trovadoras,
Canta alto e claro a beleza verdadeira de nossos Homens!
Toquem em suas harpas e sítaras, da paixão profunda e espontânea que brota no coração dos Homens 
Cantem, pelo Amor, alto e claro, de todas as vezes que nossos Homens prostram-se em lágrimas, dilacerados pelas dores inerentes a todos os Seres.
Até que as palavras de frieza e insensibilidade sejam derretidas como a neve se dissolvem na Primavera!
Até que os cantos épicos de violência e ganância sejam emudecidos e esquecidos para sempre!

Lembra-os, ó Divinas Trovadoras, do quão maravilhoso é a dança de mil homens dançando juntos a chegada do Verão
Lembra-os, ó Divinas Dançarinas, da coragem infinita que brota no coração dos Homens apaixonados
Lembra-os, ó Divinas Desenhistas, dos traços de profundo afeto que brotam das janelas das Almas de nossos Homens quando fazem-se pais!

Cantem! Dancem! Louvem!
À energia divina e deliciosa que flui entre os verdadeiros Homens quando partilham de verdadeira amizade
À alegria contagiante e espontânea que brota de piadas, lembranças e absurdos que só os Homens sabem dizer

Lembra-os de que dedicam-se ao mais bravio ato de coragem de todos: que é o Amor.
E justamente às formas mais indomáveis de Amor: o Amor à Mulher selvagem, ao filho peralta, à Mãe cruel ou benevolente, ao Pai exemplar ou ausente e também ao outro Homem ao seu lado, amigo ou amante, companheiro para alegrias e tristezas.
Todos esses Amores o verdadeiro Homem carrega e honra dentro de si
Independente de sua Vontade
Com suas dores e prazeres
E ainda assim, permanecem.

Ó, por favor!
Cantem! Dancem! Louvem!
Mas por favor, cantem alto!
Dancem nuas!
Louvem fervorosas de Fé!
Pois são altos os gritos que gritam as mentiras para nossos homens!
Não deixeis, ó Sagradas Trovadoras, que a mentira contada nos alto-falantes sejam mais altas que seus irresistíveis e sedutores sussurros no coração de cada Homem!

Venham, e venham rápido!
Nossos Homens já desmaiam de sede no deserto pro qual as mentiras os levaram!
Que jorrem de suas divinas bocas as águas sagradas da Plenitude que pode matar-lhes a sede! 
Se a nós mulheres foi proibido beber das águas da Divina Mãe,
que nunca nos faltou em Espírito,
A eles faltou-lhes tudo
E da miséria e violência que nós recebemos por milênios
Eles experimentaram-na por dentro por todo este tempo

Por isso, ó Deusas da Inspiração, Musas e Ninfas,
Nós lhes suplicamos!
Cantai que é agora é tempo de vocês a cantar
As canções proibidas pelos tempos
Que por vocês jamais foram esquecidas

As canções que contam a Verdade
Sobre quem são os Homens de Verdade
Porque, na Verdade,
Dentro de cada Homem de Verdade
Habita uma Mulher calada pela mentira
E dentro de cada uma de nós, mulheres
habita um homem perdido
que desmaia de sede.

8.31.2013

Eu desisto!

A melhor desistência é aquela
que nos faz desistir
de desistir
Ainda assim,
é uma desistência
Da qual também,
podemos desistir.

E então, entendemos...
Que pra além de desistências e resistências
Uma parte de tudo
não muda nada
Desistindo
Resistindo
Existindo
ou não.

Mas uma parte dessa nada que somos
muda muito
quando lembramos disso

Porque lembramos
que ainda que nada mude,
a parte do todo que somos
muda tudo
quando mudamos
esse nada que somos.

E desistir
mesmo quando de desistir
é uma escolha
E uma escolha,
mesmo que tentemos resistir,
é sempre
mudança.

8.27.2013

Antigamente, quando sentia a avalanche de algum poema se aproximando, corria para o papel e caneta ou computador mais próximo... Como se fosse perdê-la para sempre.
Hoje, entendo que nem que queira fugir dela, eu posso...
Cada poema é poema para o próprio momento em que surge
Se anoto, é por puro acaso. É porque precisa ser escrito.
Ou para mim mesma que um dia repetirei os mesmos versos
[ainda que a leitora já seja um ser diferente da autora até lá]
Ou para outros olhos que um dia passarão pelos mesmos versos que eu

Hoje a poesia não é mais um rompante. É um estado de espírito. Um estado de Ser.
Inverte a lógica da lógica e flui do coração pra cabeça
E se a garganta não faz uma ponte decente entre eles
É nó na certa.

Não, sem desespero pelo poema que passou sem ser escrito.
Pela música que passou sem ser gravada
Quando eu precisar, outro poema virá.
Outra música virá.
Inéditos! Insubstituíveis!
E não se repetirão

Afinal, não é isso que é a vida?
Transformação constante de poemas que não voltam...?

8.24.2013

Do Tempo

E de repente passou pela minha cabeça como um filme, o quanto a vida passa vertiginosamente rápido!
O que foi, não volta. É sempre pra frente. E o que é, um dia não será mais. Gostemos ou não.
Da mesma forma que tudo nos é dado, tudo nos é tirado.
O ar que respiramos, o corpo que usamos, o paladar, a visão, a audição, tudo isso, é uma questão de tempo, até nos ser tirado. E é só uma questão de tempo até tudo isso ser dado a outros seres que virão. Um fluxo constante e tão forte quanto a própria vida de vida se alimentando de vida - através da "morte".

[...]

Toda a beleza e deslumbre de cada Ser, e todos os Multi-versos que cada um carrega dentro de si, tão lindos, tão preciosos, tão únicos...
...um dia não existirão mais. 
E ainda assim são absolutamente lindos da sua própria maneira!

[...]

A gente pode olhar pra tudo isso, e simplesmente tentar ignorar pra fingir que vivemos em Paz.
Ou podemos olhar diretamente pra isso, nos perguntando: O que é que mesmo sabendo que será completamente desintegrado por este furacão do tempo, ainda assim, escolhe viver...? 
Qual é a flor que mesmo sabendo do tornado que se arma rapidamente a alguns metros ao lado, ainda assim, decide desabrochar...?
O que é que mesmo que seja destruído tem valor que transcende o tempo?
E então podemos ir ainda mais além, nos perguntando: São estas coisas, essas flores que desabrocham no armar da tempestade, que tem permeado minha vida?
São estas questões que preenchem meu tempo e tomam minha energia?

Porque se não forem, bem...
O furacão vai passar.
E não vai pedir licença, nem te dar um tempo extra.
E do mísero instante de existência, do milésimo de segundo que é a vida...
...terá sido vazio.

A oportunidade que nos é dada já é escassa!
Já é rápido demais! Difícil demais...
...pra simplesmente esquecer 
do que realmente importa.

8.22.2013

E depois de vestir-me completamente de mim mesma,
com cada véu, cada cor e cada renda no lugar exato que expressem quem sou,
tendo jogado fora toda máscara, todo adorno e toda mancha que não pertenciam a mim,
Num suspiro, sorrio de Plenitude.
Contemplo para cada traço, cada curva, cada tom, cada som
Eu poderia julgar cada um belo ou feio
em aceitável ou condenável
Mas dessa vez, não deu
A Paz de Ser por completo,
sem excluir nenhuma das partes que eu podia ver,
Era irresistível
- O êxtase do Ser

E então de repente,
como gotas d'água que começam a brotar das pedras
surge em mim uma vontade inédita
Um novo universo de possibilidades e desafios aos poucos se revela
Nessa suave vontade irresistível
de aos poucos
despir-me completamente
de mim mesma.

8.20.2013

A Verdade

Não é uma questão de de opinião
Não é uma questão de pensar, entender ou debater.
É uma questão de lembrar
O que sempre soubemos
Mas aos poucos esquecemos
De como saber
Ser

8.11.2013

O Vestido

Ganho de presente de aniversário dos seus pais, um vestido-bata indiano [que vc sempre achou lindo, mas nunca teve coragem de comprar por falta de coragem de usar] e nunca me senti tão bem numa roupa antes.
Dessa vez eles não brigaram comigo porque minha roupa era simples demais, esquisita demais, ou estava suja demais, ou usada demais.
Dessa vez, com a mesma naturalidade que eles compraram roupas apenas pretas pra mim durante 7 anos, compraram um vestido indiano roxo ontem.
Dessa vez, minha mãe não se importou se era algo dentro ou fora de moda. Importou-se apenas que era elegante - e fácil de lavar, porque eu sou péssima nisso.
Dessa vez, pela primeira vez, ela quis que eu usasse algo totalmente fora do esquadro. Totalmente eu.
Mais do que me aceitar - meus pais me compreendiam!
Eles, da sua própria forma de saber, sabem quem eu sou.

A prova estada ali. Estampada em roxo, preto e amarelo. Em flores, decotes e tecidos. 
Meu corpo, meu rosto, meus contornos pareciam ter sido feitos pra vestidos como aquele. Sem amarras - e cheios de formas. Cheios de cores. Cheios de flores.
Dava quase para sentir o cheiro do incenso ao meu redor, ou ouvir os passos pelos corredores de algum templo perdido no tempo e no espaço.
Por um instante todos ali fomos transportados para algum lugar assim...
Um lugar onde eram cabíveis vestidos como aquele...
Deixamos para trás um momento e um lugar de opressão e tirania do quadrado, do cinza, do duro e do artificial
...E nunca mais voltamos.
Calou-se então em mim - talvez para nunca mais falar - a voz que dizia que vestidos indianos, longos, roxos e esvoaçantes, não são aceitáveis de se vestir no dia-a-dia.
Calou-se então mim - quem sabe pra nunca mais falar - a voz que dizia que ser quem eu sou não é aceitável no dia-a-dia.

7.30.2013

Partilha de um Sonho: A primeira lição com a professora preta velha

Eu teimava em sair daquela pequena casinha, onde algumas carteiras escolares se dispunham na frente de uma lousa. Nela, uma professora preta velha de cabelos grisalhos, óculos grandão e olhar amoroso escrevia coisas. Ela tranquilamente esperou eu me cansar de tentar sair. As portas não estavam fechadas, mas alguma coisa me fazia ficar. Entendi aquilo como um sinal de que eu deveria estar ali naquele momento por algum motivo. 
"Senta aí..." disse ela quando viu que eu tinha desistido.
Sentei-me. Ela me disse coisas que não consegui entender, tentando fazer com que eu compreendesse alguma lição. Até que ela chamou um homem para entrar na sala. Ele estava profundamente triste por ter perdido os movimentos de suas pernas. Empurrando sua cadeira de rodas ele entrou com dificuldade da casinha e ficou ao lado dela, que trocou algumas palavras com ele, fazendo-o abstrair de sua dor, e fez menção de escrever algo na lousa.
"Com licença" disse ela a ele, que estava entre ela e a lousa;
O homem então apertou um botão na cadeira de rodas que o fez sair do lugar. Fiquei surpresa. Aquela cadeira não era automática. Não bastasse isso, ela lhe disse com toda naturalidade possível para pegar uma caneta na mesa ao lado. Como se nada tivesse acontecido, ele se levanta da cadeira de rodas, pega a caneta e entrega a ela. Ela então lança um olhar firme nos olhos dele. Ele nem se quer tinha percebido o que tinha feito.
Só então ele percebe que o motivo pelo qual estava chorando tanto já não existia mais. Ele estava andando. Todos ficamos muito comovidos, e ele muito agradecido, e se retirou da casinha, não sem antes a professora agradecer a ele por ter vindo.
Então ela vira-se para mim e diz
" Vê? Quando ficamos choramingando pelo o que não podemos fazer, nada acontece. Esqueça que você não pode, e você poderá. Simples assim. Esqueça que você não pode, e você poderá."

7.28.2013

Oração da Dor

Da profunda dor do sonho não realizado, do grito calado e do impulso contido
Floresce a compreensão - e a promessa - de nunca mais calar o que precisa ser dito, de nunca mais conter o que precisa ser liber(t)ado.
A vida já contém o suficiente
Amem!

7.25.2013

De repente tudo parece zerado.
Nada ficou no mesmo lugar em relação a poucos dias atrás.
De repente, mudam números de telefone, endereços, nomes, zeram-se até os arquivos do computador!
E amanhã, a faxina que ordena que deve acontecer, promete mudar também os móveis da casa - mais uma vez.
Sabemos um pouco do que foi, sentimos brutalmente a realidade do agora, mas ninguém tem noção do que será.
Sabemos que o que foi jamais será igual - e que o que virá não será como hoje.
E ainda que isso nos diga muito, nada diz.
Pois o medo é surdo, mudo e paralítico.
E a vida é movimento - e exige. Flexibilidade, entrega e que dancemos ao seu ritmo.
Cheguei a ter a estúpida idéia de que tudo que tinha para transformar já tinha sido transformado, portanto as coisas se estabilizariam.
Mas para além de transformar todas as faces da vida, existe o ponto em que ela se torna incontrolável,
Depois desse ponto, ela torna-se absurda,
E depois, completamente irreconhecível. 
Como se nada do que tivesse sido, tivesse um dia sido.
Como se nada do que tivesse respirado, tivesse um dia respirado.
Mutilada de passado, tento olhar a frente e nada consigo ver se não ofuscante Luz
Um Sol no horizonte cega meus olhos - e já não sei dizer se ele nasce ou se põe.
Já não sei muito bem de onde venho
Já não sei muito bem pra onde vou
Já não sei se andava ou se dormia alguns segundos atrás
Mas sei - e sei em tamanha Verdade que chega a doer na Alma- que aqui estou.
E sei - em tamanha Verdade que chega a tremular a carne - que esta música continua tocando... E tocando... E tocando...
Danço.
Como poderia eu fazer outra coisa se não dançar?
Se já nada sei, se já nada vejo se não essa Luz que ofusca, se já nada busco, nada carrego, nada faço, o que me resta se não dançar essa música que toca?
Pois já tive passos... E agora eles não estão mais aqui
Já tive lindas paisagens... E agora elas não estão mais aqui
Já tive firmes certezas... E agora elas não estão mais aqui
Mas a música... Ah! A música permanece...
E sei - com tanta Verdade que me preenche por inteira - que ela permanecerá! Tocando...
E tocando...
E tocando...
Você 
também sente?
Você 
também dança?

7.19.2013

Sobre pecados e Deuses

Deusa, mulher ou menina que aqui me lês,
Dos homens que te cercam, quantos deles te fazem sentir verdadeiramente mulher?
Dos homens cercados por ti, quantos deles fazes tu sentirem-se verdadeiramente homens?
Dos homens que te cercam, quantos deles fazem-te arrepiar a espinha de desejo?
Quantos deles te inspiram um beijo? Um chamego, um abraço?

Dos homens que te beijam,
Quais deles despertam a Deusa Selvagem em ti?
Destes que despertam, quais deles a honram?
Destes que honram, quais deles a amam?
Destes que a amam, quais deles a temem?
Destes que a temem, quais deles permanecem te beijando quando esta Deusa  em fúria desperta?

E quando brota em ti a menina indefesa proibida de ti pela dureza da vida,
Quais deles oferecem-te colo?
Destes que oferecem colo, quais deles não tiram algo 'a mais' desse colo?
Destes que não tiram algo a mais, quais deles não pedem nada em troca?
Destes que nada pedem, quantos permanecem ao teu lado quando esta menina vira mulher novamente?

Dos homens que te desejam,
Quais deles continuam te desejando quando nem tu mesma te desejas?
Destes que ficam, quais deles estariam ao teu lado se tua pele não fosse tão macia e teus lábios não tão voluptosos?
Destes, quais deles continuam ao teu lado quando tens toda volúpia e insaciável desejo?
Destes que continuam, quais deles continuam te desejando quando tens todo este fogo...
...por outro?

Não é pecado temer.
Não é pecado tremer.
Não é pecado desejar.
Não é pecado chorar.

Homens são homens. Homens são crianças. Homens são velhos.

Mas negar é pecado.
Fugir eternamente é pecado.
Mentir é pecado.
Falsificar-se de si mesmo é o maior pecado que se pode cometer.

Deusa que me lês,
Não espere que caia aos teus pés o Deus invencível
Forte, belo, compreensivo, amoroso, pontual e infalível.
Não espere o príncipe encantado
cheio de desejos, honras, status e fantasias.
Não espere o herói que te salva de todo perigo
Que te coloca no pedestal e nos holofotes
Ansioso por declarar ao mundo seu puro amor por ti.

Não!
Mas sim o Ser homem
Que é criança, adulto, velho
Medroso, corajoso, poeta, racional
Pai, filho, irmão
Pervertido, bêbado, santo e devoto
Tudo isso
Nada disso
Tipo isso
Ou o que quer que for em Verdade

Mas que ele se faça Deus
Em mostrar-lhe cada uma de suas feridas profundas
Em admitir-lhe em lágrimas cada um de seus medos
Em encarar com a coragem de Thor sua Kali em fúria
Em expor toda sua delicadeza em poemas de Amor
Em confessar-lhe suas mais indecentes fantasias
e pedir para que confesse-lhe as suas.

Que ele se faça Deus 
Em olhar-te nos olhos quando precisas
Em afastar-se quando pedes
Em libertar-te quando exiges
Em honrar-te mesmo quando não vês

Pois tu, ó Deusa,
Não se faz Deusa por ser apenas linda
Apenas fera, apenas donzela,
Apenas Kali ou apenas criança

Mas sim por ser todas elas
Aceitando todas elas
Honrando todas elas
Amando todas elas
Com-sciência
- incondicionalmente.

O mesmo se aplica aos Deuses
Não condene teus amados
À irremediável dor e loucura de afastarem-se de si mesmos
Como tu mesma foste condenada pelos séculos
A não-ser o que verdadeiramente és.

E para o homem - ou mulher - que faz-se Deus para ti,
faça-se Deusa para Ele, se assim tua Alma pedir
Aceitando-te também
Amando-te também
Expondo-te também
Por inteira

Pois não é a ausência de pecado
Mas sim a nudez 
Que trans-forma homens e mulheres
em Deuses.

7.17.2013

A criança dos cachinhos loiros

Quando estava prestando vestibular e pensava no período final da minha faculdade, sempre tinha uma mesma visão: um apartamento amarelinho [idêntico ao que eu moro hoje] pro qual eu voltava depois das aulas, e uma criança de cerca de uns 4 anos com os cabelinhos lourinhos encaracolados [idênticos aos meus qdo criança] corria pra me abraçar cheia de saudades. Sorríamos em profunda Paz e alegria.
Morria de medo dessa visão. Será que eu engravidaria no período da faculdade?! Respirava fundo e tentava espantar essa visão. Decretava internamente que eu só seria mãe muito tempo depois daquilo. Mas a visão continuava e continuava...
Hoje entendi que aquela criança não era minha filha - era eu mesma, de bem com a adulta em mim.

7.13.2013

Da Lama que me cabe

Da Lama que me cabe - Lótus
Da que não me cabe - Kali 
E tu, que aqui me lês, 
Responda a ti mesmo se for capaz:
Desta Lama que engoles, 
Quanto dela verdadeiramente te cabe?
E da Lama que te cabe,
Quanto dela verdadeiramente saboreias?

A Voz

Aos poucos, sem saber
A gente vai lembrando
De sempre ouvir aquela voz
Que sempre sabe o que fazer

Aos poucos, sem saber
A gente vai ouvindo
Que sempre que lembrar daquela voz
Vai saber fazer

Aos poucos, sem ouvir,
A gente vai fazendo
E sempre que lembramos daquela voz
Sabemos parar

Aos poucos, sem fazer
A gente vai lembrando
Que sempre que ouvimos dessa voz
Sabemos

Aos poucos, sem parar
A gente vai lembrando
De que sempre ouvimos
Que sempre soubemos
Que sempre fizemos
Mesmo sem saber
Mesmo sem lembrar
- E então seremos

7.06.2013

A Dança de Shiva - uma partilha de Dança e Espiritualidade

Hoje fui a um workshop de dança. O tema: o masculino e o feminino no movimento. A oposição.

Pra quem entende o corpo como uma existência espiritual, bem como o masculino e o feminino e sua união também como profundamente espiritual, era inevitável. Eu estaria lá. Tudo acontecendo de forma muito mágica e 'conspiradora' para que eu lá estivesse - e muito bem acompanhada por bailarinas cujo trabalho sou fã.

O professor do workshop um bailarino que estudara ballet clássico, dança do ventre, tribal, jazz e muitas outras danças. Uma energia andrógina, um masculino-feminino que confunde e incomoda qualquer mente fechada. Tinha visto uma apresentação dele uma única vez ao vivo. Anos se passaram e eu não me esqueci daquilo. Fiquei sem entender como é que em 3 minutos ele tinha transformado meu completo estranhamento pela dança dele em completo hipnotismo e erotismo.

O work começou com uma roda em conversa sobre o que entendíamos por masculino e feminino. Ele categorizou o masculino em "ativo, forte, impactante" e o feminino em "receptivo, sensual, delicado". Fez também uma ênfase em que o que era "masculino" não pertencia necessariamente somente aos homens e vice-versa. De início rejeitei a idéia. Afinal, o feminino também poderia ser impactante e ativo! Afinal, o que não são as deidades furiosas femininas? Kali...? Durga...? Mas depois percebi que eu mesma estava partindo do pressuposto de que o passivo e delicado não eram tão legais quanto o ativo e forte. Deixei a questão do agressivo em suspenso, e me entreguei ao processo.

Conceitos à parte, iniciaram-se os passos. Aí que a coisa começou de verdade...

Ele nos entregou [estávamos em 5 mulheres e 1 homem] movimentos masculinos das danças árabes, das danças tribais africanas, flamenco entre outros. E sempre pedia uma postura 'forte', 'impactante' nos movimentos. Vários deles, trabalhando movimentos de 'fecundação' da Terra, imponência e força. Alternado a isso, alguns movimentos que já conhecíamos de dança do ventre e tribal, de receptividade e feminilidade. Foi incrível! Aqueles passos "machos" foram mexendo comigo de um jeito muito forte! Para além dos conceitos e noções, o corpo fala! E o meu corpo ali aprendia a falar em força, imponência, ativamente, impactante - intenção explícita no movimento! Conforme eu fui me entregando aqueles movimentos algo profundo em mim ia se mexendo. Eu não me sentia menos mulher, mas me sentia vigorosa, viril, poderosa. Era uma energia forte, alegre e expansiva que crescia em mim. Quando fui solicitada a retornar ao "feminino", ao rebolado, ao delicado, eu simplesmente achei chato demais! E só então percebi o quanto que meus movimentos, que eu julgava tão femininos como quebradas de quadril, colocação de braços e tronco etc, só me eram tão estéticos aos olhos justamente porque estavam carregados da força e da imponência "masculina". Sem essa energia da força, o movimento tornava-se mais lânguido, mais relaxado, mais receptivo - e mais chato! Ao mesmo tempo, com a força demais, agressividade demais, imponência demais, a coisa ficava vazia, violenta e absurdamente feia! kkkkkk...

Pude compreender que a beleza dos movimentos está justamente nesse "sexo" que é feito no corpo entre energias masculinas e femininas a cada movimento. Para além de preconceitos de "passos de homem" versus "passos de mulher" existe um universo de oposição que é muito gostoso! Uma dança sem energia feminina é uma dança bruta e feia. Uma dança sem energia masculina é chata e parada. Coloque ambos 'transando' no corpo e algo fascinante começa a acontecer! Uma dança flamenca típica é um ótimo exemplo disso. Tem-se todo o impacto e força e ao mesmo tempo a delicadeza dos floreios, a sutileza do teatral e a sensualidade. Uma Dança do Ventre impactante também tem seus momentos de imponência. E o que funciona no corpo, funciona na vida!

Trabalhar com a oposição e a alternância - para além dos conceitos de masculino e feminino, que nada mais são do que uma das formas de oposição manifestadas no universo - possibilita uma profunda transcendência. Brincar com a dualidade nos possibilita chegar à unidade. Quando mais conscientemente essa oposição é feita - tanto no corpo quanto na Alma - mais profunda é a transcendência, que vem da Plenitude que se instala a partir da união dessas forças. E se funciona no corpo, funciona na vida! Quanto mais conseguimos mergulhar no prático, racional, objetivo e intencional e ao mesmo tempo no subjetivo, intuitivo, devocional e emotivo, maior a possibilidade de transcendência. De compreensão, de aceitação, de Plenitude! Negue a oposição e estará negando à Unidade!

Pessoalmente, ainda não cheguei a uma conclusão final sobre o que são "características do feminino" ou "características do masculino". Desconfio eu que essas forças são forças para além da compreensão cultural ou racional - são forças que se manifestam e explicam por si mesmas. A característica do feminino é feminino e ponto final. O mesmo para o masculino. Na Dança, no corpo e na vida, o que importa não é saber se o "ativo" é masculino ou feminino, ou se a agressividade é masculina ou feminina, mas sim saber que ativo se opõe a passivo - ponto final. Lembrando sempre que ambas as características co-existem dentro da cada indivíduo independente de seu gênero ou opção sexual.

"Dualizar" as forças é útil para permitir que esse "sexo", esse "re-encontro" aconteça. E a partir dele, um "gozo" que leve de volta à Unidade. Seja o gozo de achar um movimento bonito, seja o gozo de sentir-se pleno por equilibrar as energias agressivas e pacificadoras em nossas relações, ou o que quer que seja... Enxergar a dança, o corpo ou a vida dessa forma é um caminho espiritual possível, lindo e apaixonante!

Gratidão a todas as 'forças conspiradoras' do Universo que permitiram que eu tivesse mais essa importante peça do quebra-cabeça na compreensão da Vida e seus movimentos! Que eu possa sempre estar atenta para que outras mais possam vir!

7.01.2013

Sobre batuques e bongôs

O que será que acontece entre este bongô e eu?
Que quando eu me rendo aos seus batuques, o mundo se cala em música e ritmo...
Que esqueço do mundo, dos outros e de mim?
Que todos os conflitos ficam do lado de fora do Ser, e apenas Ser me basta?

Não sei. Talvez jamais saiba.
Mas o mais importante não é explicar, e sim saber que é possível
Mesmo apesar do mundo, apesar das pessoas, da vida e da morte,
Batucar a existência em meu próprio ritmo, com um sorriso no rosto e Paz no coração.

Tantas outras lições o bongô me traz...
Uma delas, que é muito tênue a linha que separa o ritmo correto do incorreto.
Outra é que a batida forte demais machuca. A fraca demais, não satisfaz.
E às vezes já estamos prontos para tocar coisas muito mais complexas do que pensamos.
Mas se não estivermos, no pior dos casos, tudo que pode acontecer é uma ou outra batida saírem meio tortas - nada mais que isso. O batuque segue seu fluxo...

Outra lição é a de que muitas vezes as mãos sabem mais do que a cabeça
E é preciso ensinar a cabeça a aprender com as mãos. Não só o oposto.

Ou ainda que o "gingado" é irresistível, e parte do processo, quando batucamos no ritmo certo
E que para estar no ritmo certo é preciso prestar muita atenção na música que está sendo tocada.

É... Preciso tocar bongô mais vezes...
Ou será que é ele que me toca...?

6.29.2013

Saudades

Saudades do outro pode doer como uma facada no coração que pulsa
Mas saudades de si mesmo dói como não ter um coração que pulsa.

A Cama

O deitar-se. Devaniar-se pelo espaço e pelo tempo sem destino nem hora pra voltar... A vida seguindo seu fluxo natural pelo entrar e sair do ar, o vai e vem que impulsiona meus devaneios. Aqui, de meu habitat natural, vago pelos pensamentos que o corpo me traz. Re-conheço-me. As mãos deslizam pela pele como os rios fluem para o mar. A vida transforma-se a cada gesto, a cada milímetro, cada ponto do corpo, uma história pra contar. Cada ar que entra é diferente do ar que sai e que nunca mais será o mesmo. E por entre lembranças e esquecimentos, o corpo chama por suas vontades. Minha mente, meu império, onde tudo se torna possível. Meus pensamentos deslizam até desaguarem nele, o homem de meus delírios, o realizador de minhas fantasias, aquele pelo qual me perco - e me encontro. Fantasias e desejos já conhecidos e vividos... Momentos que tão profundamente me marcaram que todas as vezes que me olho, lá estão suas marcas, suas palavras escritas na língua impronunciável do corpo. Amo cada homem que já esteve comigo em Verdade. Amo cada homem que um dia estará. Tudo está aqui. Registrado, tatuado para além do tempo. Todos os amores do porvir, todos os amores já idos. E se antes culpava-me por minha fome insaciável, que parecia que jamais poderia ser saciada, hoje eu a reverencio. Hoje eu a abraço em meu Ser. Que venham os vinhos do Amor até mim! Que fluam os que eu já experimento com os lábios! Cada gota que me vem obriga-me a pedir por mais... A fome que nunca sacia não é a fome do outro, não é a sede de consumir, aniquilando. Mas sim o desejo tão visceral de absorver e de ser absorvida. De lambuzar-se, deliciar-se, extasiar-se de um alimento que não se desfaz na boca com a saliva. Ou será que desfaz e se reconstrói antes que percebamos?

Dessa fome que sinto, pouca coisa escapa. Fome de paixão, de calor, de beijo, massagem, colo, cafuné, soneca durante a tarde, dormir de conchinha. Em meu império de devaneios, não há distinção entre o profano e o sagrado, entre o cuidado e o sexo, entre o proibido e o possível, entre eu e o Universo, com todos os seus seres. Aqui, neste império, eu posso. Aqui, eu sou.  E é então que uma grande compreensão pousa em meu coração. Pois houve um tempo, que me parece cada vez mais fora do tempo, em que eu negava minhas fomes, negava-me meu império de devaneios, negava-me o profano, o sagrado, o certo e o errado. Houve um tempo em que eu era pura negação. Compreendo então que da grande solidão que sinto, da irremediável sede do outro, muito era apenas fome de mim mesma. Saudades de mim. Pois aqui entre os lençóis, sozinha, na penumbra, onde desvela-se um Universo interno infinito como o externo, eu posso ser o que sou em Verdade. Sem isso, sou só metade. Vagando pelas ruas como um zumbi, buscando em outras metades zumbis algo que me complete e preencha. E nunca encontro é claro...

Mas isso agora é passado... Será que um dia realmente foi? Minhas memórias de cérebro contram esta história que meu corpo desmente. Na pele sempre foi hoje. E hoje eu sempre fui inteira. Metade este devaneio. Metade corpo. Uma parte lá outra cá. Unidas como dois amantes apaixonados. Apaixono-me por mim mesma. Em breve, estarei trocando poemas, beijos até que me renda totalmente. Eu sei. Eu sinto. Eu sou. Em breve, descobrirei até onde eu posso me preencher comigo mesma, e até onde o toque do outro me é fome que pode matar. Até lá, afastem-se as outras peles. Minha pele precisa de mim. E aos poucos, a cada batida do coração, a Alma vai penetrando o corpo. Um divino e conhecido líquido vai escorrendo pela minha garganta. Eu. Engolida por mim. Isso é possível? Pra razão, eu não sei. Mas hoje eu sou corpo, o corpo é sempre hoje, e hoje isso não é possível mas acontece com tanta realidade quanto eu mesma. O fluxo não para. Continua indefinidamente. Mais e mais, cada vez mais fundo, cada vez mais preenchida. Qual será o tamanho da Alma? Teria eu tamanho dentro de mim para comportá-la? Teria eu desejo de mim suficiente para acomodá-la? Teria eu tanta libido a ponto de ser penetrada por algo Infinito em puro prazer? Não sei. Sei que hoje quero mais. E mais. E mais. Em minha mente, imagens de todos os que me despertam o desejo. Comem-me, sugam-me, lambuzam-me deles, mas eu não me engano. Não são eles que me devoram, mas sim eu mesma, fantasiada deles. Ainda assim, são eles. Ainda assim, sou eu. Como Alma, sou infinita, sou tudo, estou em qualquer lugar, em qualquer tempo. Eu sei. Eu sinto.

Findam-se as fronteiras. Findam-se as divisões. Dissipam-se as peles. Desfazendo-se como fumaça de incenso. Já não sei mais onde começo ou acabo. Ainda assim, devoro-me. Permito-me. Provo-me. Sem medos. Sem culpas. Sem restrições. Eu sou pura permissão. Eu sou pura libido sendo saciada em sua sede insaciável. Eu sou fluxo de escorre no não-tempo. Eu sou o beijo do amado na língua e a língua do amado. Eu sou o cafuné no dia frio e o puxar obsceno dos cabelos. Eu sou a expansão do Universo, e a contração do abdômen em orgasmo. Eu sou a vida que desabrocha, e até a vida que se esvai... Como sou grande! Como sou eterna! Como senti saudades de mim! Como a mim mesma sem início nem fim.

Então as palavras não alcançam mais a sensação que se manifesta. As músicas podem recordar-nos vagamente dela. Que nunca é igual, que nunca é a mesma, mas que nos canta, nos chama constantemente não importa aonde estivermos. Eu sei. Eu sinto.
E quando volto, nunca sei como nem quando nem onde, faço-me nascer de novo. Nada nunca mais é igual. Como se mais um véu fosse retirado de meus olhos e nunca mais fosse possível voltar. Toco minhas próprias mãos. Meu próprio rosto. Beijo-me com terno amor. Estou agora um véu mais próxima de mim mesma. E a cada vez que minha fome me obrigar a ousar voltar a estar dentro de mim mesma, mais um véu será retirado. Eu sei. Eu sinto.

6.27.2013

Amor e Alegria

Não sei se a vida tem sentido.
Não sei nem se ela faz sentido.
Mas o Amor Verdadeiro e a Alegria dão a ela o sentido que a Razão não explica.

De todas as coisas, Amor e Alegria, sempre!
Pois ainda que este tudo isso não seja nada, se tiver havido Amor e Alegria, tudo terá valido a pena.

Amor e Alegria não precisam de sentido
Amor e Alegria se justificam com si mesmos

Assim como a vida,
que tem dentro de si a morte,
que é semente da vida,
Não pede permissão, 
nem licença, 
nem desculpas pra ninguém por seguir seu próprio fluxo.

6.17.2013

Afinal, que diabos é Espiritualidade?

Já me disseram que Espiritualidade era ler um livro antigo e seguir sua ditadura,
Já me disseram que Espiritualidade era negar o mundo real,
Já me disseram que Espitualidade era uma fuga,
Já me disseram que Espiritualidade era um meio de dominação
...Mas não souberam me dizer porquê.

Já me disseram que Espititualidade eram códigos secretos da Alma que deveriam ser analisados num método quase científico,
Era tentar explicar o ilógico com o racional,
Eram símbolos mágicos que transformavam dimensões,
Que era perigoso, fantástico, bizarro.
...Mas não souberam me explicar porque ainda que tivessem todos os segredos do Universo, não havia sorriso em suas faces.

Já me disseram que Espiritualidade era lutar contra nós mesmos
Uma parte de nós nos aumenta, a outra diminui. Cabia a nós destruir a parte ruim.
Já me disseram que Espiritualidade era livrar-se do mundo e dos outros em nós
E ser pura Alma, pura energia, limpa das 'sujeiras mundanas' do Ego
...Mas não souberam me convencer de que se pode realmente viver alheio ao mundo.

Já me disseram que Espiritualidade era o Bem
Era lutar contra o Mau
Já me disseram que Espiritualidade era vingar a Deus
daquele que o traiu
...Mas não souberam me dizer como uma luta pode ser do Bem, nem como Deus pode não estar no traidor.

É. Já me disseram muitas coisas sobre Espiritualidade....

Mas o que eu sinto hoje é que Espiritualidade é descobrir que importa muito mais o que o Coração sente do que o que os outros dizem.

O que eu sinto hoje é que Espiritualidade é fazer do livro antigo um grande Poema,
para ser recitado, cantado, dançado para nos tornar plenos de Inspiração

Sinto hoje que Espiritualidade é perceber que a dominação só se dá de dentro pra fora, pois as prisões, algemas e punições são ilusões.

Sinto hoje que Espiritualidade é permitir-se cansar-se de tentar explicar e entender cada minúcia, para apenas gozar-se delas, vivê-las, experimentá-las, tal qual um bebê experimenta o mundo. Rindo, chorando, fazendo arte, fazendo besteira, botando sujeira na boca pra fazer cara feia - tudo como se fosse a primeira vez.

Sinto hoje que Espiritualidade é a não-luta. Não é desistência - Espiritualidade é redenção!
Render-se à dor e ao prazer de aceitar o mundo em nós - e os nós no mundo.
Render-se à dor e ao prazer de aceitar o outro em nós - e os nós no outro.
Espiritualidade é sentir que tal qual a mais velha montanha e a mais frágil borboleta, a montanha não é mais Sagrada que a borboleta só porque esta morrerá antes. 
Tal qual a lótus e a lama, uma não é mais Sagrada que a outra apenas porque nos agrada mais a nossos olhos cheios de preconceitos.

Espiritualidade é sentir a Alma no Corpo e o Corpo na Alma, sabendo que são ambos igualmente sagrados.
É perceber que em cada borboleta reside uma montanha. Em cada montanha reside uma borboleta.
A Lama na Lótus. A Lótus na Lama.

Espiritualidade é ouvir no riso de uma criança, o riso do Universo
Ouvir no conselho do velho, o sussurro do Infinito
É perceber que até no cenário mais cinza, poluído e violento - Deus É.
Até naquela certa pessoa... Que é melhor nem pensar muito agora...
Também Deus É.

Mas Espiritualidade também é perceber Deus no sorriso de bom dia, a centímetros de nós, logo de manhã.
O abraço quente na noite fria, o pulsar ofegante a dois, a explosão - também Deus É.
A comida na mesa, o doce do chocolate, o inebriar do vinho - também Deus É.
Você também Deus É.
Eu também Deus Sou.
Somos Um 

PERCEBER isso é Despertar.
SENTIR isso é Espiritualidade.
VIVER de acordo com isso é Devoção.

Despertar é enxergar a Grande Mentira do Mundo.
Espiritualidade é sentir a Grande Verdade Suprema.
Devoção é entregar com consciência cada segundo de sua vida a Ela - que você também É.

Quem percebe de Verdade, sente.
Quem sente de verdade, age.
É um caminho sem volta - de volta para casa.
De volta para si mesmo.

Vamos recitar os velhos poemas dos livros velhos uma última vez - e tranformá-los em lenha para nossa fogueira aquecer nossa festa a noite inteira!
Já estamos enjoados dos mesmos poemas tristes!

Vamos transmutar todos os "laboratórios de espiritualidade" em galerias de Arte!
Todos os palanques em palcos!
Todo o ódio e repúdio em Perdão e Amor!
Já basta de mentiras!

Vamos acolher de uma vez por todas a injustiçada Lama, a sujeira, o Ego
E amá-las como são!
Vamos acolher - pelo AMOR - nossos corpos injustiçados por tantas mentiras
Transmutar suas dores, culpas e doenças em prazer, Amor e saúde!

É... Lindo e ao mesmo tempo terrível. Sublime! Divino!

Espiritualidade não é para os que querem ser dominados - nem para os que querem dominar 
Não é para os que tem medo das feridas internas - nem orgulho de suas cicatrizes
Não é para os que temem o Amor - nem para os os que só querem o Amor
Não é para os que querem aplausos - nem para os que esperam compaixão alheia
Não é para os que têm nojo do corpo - nem para os que têm obsessão pelo corpo

Não é para os que querem um código seguro de conduta
Não é para os que gostam de ter uma licença para sentirem-se superiores ou inferiores
Não é, acima de todas as coisas, para os que necessitam desesperadamente de previsibilidade e segurança.

Pois se Espiritualidade é Perceber, Sentir e Viver Deus [que é todas as coisas],
É, por definição Perceber, Sentir e Viver a própria fluidez constante do Universo.
É, por definição, dançar a música imprevisível de Deus.
A Unidade Absoluta é eterna transformação - e assim, e somente assim, é Infinita e Eterna.

6.07.2013

Gate Gate Paragate

Aos poucos voltam as memórias de um templo esquecido, de um passado esquecido, de uma vida paralela invisível.

As perguntas que me faço continuam vindo, fluindo, como rio...
As respostas também vão vindo... Pouco a pouco, dissipando as ilusões...

Perguntas que não cabem em palavras, questões pra além do sentimento ou sensação, naquele Universo interior que cada um de nós possui dentro de si e é quase impossível compartilhar...
Respostas igualmente impalpáveis, subjetivas, que se dissipam como fumaça de incenso.
Não se pode pegar, não se pode explicar, nada sustenta nem por nada é sustentado, mas invade-nos o peito, e não sentir não é uma opção.

Se antes as perguntas queimavam por respostas, era porque o coração tinha sede.
Aos poucos o rio volta a fluir, direto da Fonte, fluem as águas que banham meus solos.
Aos poucos, volta o subjetivo selvagem a prosperar dentro de mim.
Antes, nem todas as matas do mundo poderiam matar minha sede de abundancia.
Hoje, a vida floresce mesmo nas mais cinzas paisagens.

E muito mais florescerá. Pois neste mundo, é sempre Primavera.
Mas também Inverno.
Mas também Verão
E Outono.

Primavera pelas flores, amores, a flor que desabrocha sem cessar
Inverno pelo silêncio, ou pelas músicas misteriosas, pela Paz
Verão pelo brilho gentil do Sol, pelo verde das folhas, pela brisa que nos acaricia
Outono pelos frutos que se colhe, pela sabedoria dos Salgueiros, pela serenidade

Minha sede ainda é grande, sim.
Porém eu nada mais posso fazer, uma vez que a água já voltou a jorrar
Agora é esperar seu tempo de abrir caminhos, até que jorre em cascatas abundantes
Já não mais preciso beber desta água tão furiosamente.
Já posso apreciar um pouco mais sua textura, sua pureza, seus encantos

Nesta vida,
Sempre haverá uma pergunta a ser respondida, uma questão que ficou...
Sempre haverá uma sensação a ser explicada, um sentimento estranho...
Mas também sempre haverá alguma resposta a algo que nem sempre foi perguntado
Ou uma compreensão profundo sobre alguma sensação.

Tudo é fluir.

E em última análise, a Vida é a grande pergunta
Que só a Morte poderá responder.

Que bom ter perguntas não respondidas, sentimentos por explicar...
Algo a mais para crescer.
Algum ponto a mais para entender.

Posso escolher desesperar-me em minha sede
Ou render-me a ela enquanto contemplo os mistérios das águas da Fonte e bebo suas águas com gratidão.

E... Bem, eu já cansei de desespero.


6.04.2013

O Caldeirão

Eis então que brincando sério de bruxa, descasquei as cenouras. Quebrei os ovos. Ungi com óleo.
Já me bastam de açúcares refinados, brancos, impecáveis. Dá-me o doce mascavo da vida. A força do marrom. A doçura fermentada pela sabedoria.
Já me bastam da farinha branca que alucina o organismo e vicia o corpo. Dá-me o que do que é Integral, do que é entregue, do que é íntegro!
Mistura-se em minha velha tigela tudo obtido até agora, com minha colher de pau.
E entre o romance de tigela e colher de pau, tudo se trans-muta.
Vão-se ovos, cenouras, óleos, mascavos é íntegros.

E o que era dúvida, vira resposta.
O que era incerto, agora é claro.

Ficam as pelotas. Bato com força para que tudo fique homogêneo.
Farinhas e ovos. Açúcares e óleos.
Sonhos e traumas. Bênçãos e maldições.
A Oração é a força que agrega. Força da colher. Força do braço. Do peito. Esquerdo.
A Determinação é a força que dissipa. Força de tigela. Força do braço. Direito.
E entre direita e esquerda, entre colher e tigela, torno-me massa batida.
Homogênea.
Não mais um caldo mole de pensamentos e sentimentos com pelotas de integridade, entrega e sabedoria.
Não mais uma passiva energia vital com pelotas de energia material que me habituei a chamar de "corpo".

Sou então íntegra, entregue, sábia - ainda que doce e forte. Plena.
Sou então alma - ainda que corpo. Inteira.
Porém ainda que plena e inteira, sem fermento eu nada seria.
Apenas uma pitadinha é suficiente.
Não por ser veneno, mas por multiplicar-se dentro de mim.
Não por ser ruim, mas por fazer crescer [e rápido!].

Esparramo-me então na forma previamente escolhida e amaciada pela manteiga e pela farinha íntegra,
E isolo-me do mundo em um gigante útero divino que me aquece.
E este sagrado calor faz vibrar o Amor que me faz crescer.
Ele multiplica-se dentro de mim, faz-me uma colônias de infinitos seres!
Faz de mim casa, mãe, amante e assassina.

Tenho agora duas alternativas: crescer ou morrer..
E então me rendo!
E cresço!

Eis então que vejo que depois de ter quebrado os ovos, ungido os óleos, integrado tudo em um só Ser de plenitude, e rendido-me ao Amor... O que me torno?
Um Ser de um tamanho que desafia as leis da física!
Uma grande, sólida, leve, doce e nutritiva massa unificada - povoada de seres que o Amor semeou dentro de mim!
Agora há já pouco de "mim" - sou infinitos. Sou Infinita!
Descanso então. Cessa o calor. Vá não mais ardo em transformação.
Desaquece o útero que me envolve. É hora de nascer!

Aos poucos, o ar do mundo me envolve. Até que finalmente... Nascimento.
Saio do forno, espalhando perfume e fumaça, que fazem a todos salivar.
E depois de tudo isso, agora que sou tantas, agora que sou infinita, nada mais me resta do que servir-me à mesa.

Sou agora uma oferenda para o Divino - pois quando se é Infinito o finito já não existe mais.
Sussurro-lhe então: olha-me! toca-me! degusta-me! devora-me!
Sacia tua fome do Infinito comigo!
A Dança então continua, com toda a graciosidade da eternidade, enquanto entro dentro de seu beijo, penetro sua garganta, e escorrego para ser mais uma vez transmutada dentro de Ti!
Dentro de mim. Pois tudo Sou.
Bolo, tigela, colher, útero, forma, mesa.
Doçura. Integridade. Sabedoria. Força. Incerteza. Resposta.
A cozinheira. Bruxa. Feiticeira. Poetisa. Degustadora. Devoradora - Deusa!

Foi então...

"Foi então, num ato de mais puro Amor e apaixonamento, que o Criador dotou a Criação do poder de criar!
Pois percebendo seu êxtase em criar, e pelo seu Amor pela Criação, não poderia ter feito outra coisa que não ter doado essa capacidade aos seus amados."
- Jessika Gomes

6.01.2013

A Ousadia Sagrada

"Eis que Deus cometeu a mais obscena das ousadias: A Vida.
Pois não seria a vida uma grande ousadia cósmica?
O coração que ousa pulsar no silêncio...?
A luz que ousa brilhar na escuridão...?
O verbo que ousou tornar-se carne...?
O Um que ousou tornar-se Dois só pelo prazer e dor de voltar a ser Um...?
Aquilo que ousou Manifestar-se em meio ao Imanifesto...?
Ah! Sem dúvida que sim! Deus há de ser um obsceno e irreverente Criador!
Sem o poder da Ousadia, nada haveria se não um grande Vazio...
Sem Ousadia, não há Criação!
Sem Ousadia, não há Destruição!
E sem Criação e Destruição, nada há.
Ousemos, pois!
Como Deuses!
Como Deusas!
Que cada respirar, que cada ação, que cada sentir carregue em si um toque dessa Ousadia Divina!
Pois não há ousadia maior para o ser humano que render-se ao sussurro do Sagrado em seu coração!
Tal qual a gota d'água que rende-se ao Oceano, ousando assim conter todo o Oceano dentro de si, mesmo sabendo que é gota!
Tal qual o amante ousa amar antes de mais nada.
E não seria o Amor a mais profunda ousadia da Vida?
Não seria o Amor a ousadia da maior das ousadias?
Pois foi porque Deus ousou Amar que houve a ousadia de Manifestar o Imanifesto!
Eis que então no epicentro do terremoto das Ousadias Divinas, reside a mais cristalina pureza: o Amor.
O argumento perante ao qual Tudo se cala: Deus. Amor.
Ousemos então!
O Amor já É.
Deus já É.
Ousar é preciso!"
- Jessika Gomes

5.30.2013

Nem se vivesse mil vidas de artista...

"Nem se vivesse mil vidas de artista, não poderia Expirar tanta Inspiração...
Então me rendo. Deixe estar a Inspiração...
Deixe que ela floresca e se desfaça a cada respirar, a cada batida do coração, a cada peça de louça lavada, a cada música dançada... Eu simplesmente desisto de manifestá-la como ela me pede: tudo de uma só vez.
Desisto!
Simples assim.
Volto-me então à vida, à rotina, que é o que me resta...
...Por enquanto."
- Jessika Gomes