Aos poucos voltam as memórias de um templo esquecido, de um passado esquecido, de uma vida paralela invisível.
As perguntas que me faço continuam vindo, fluindo, como rio...
As respostas também vão vindo... Pouco a pouco, dissipando as ilusões...
Perguntas que não cabem em palavras, questões pra além do sentimento ou sensação, naquele Universo interior que cada um de nós possui dentro de si e é quase impossível compartilhar...
Respostas igualmente impalpáveis, subjetivas, que se dissipam como fumaça de incenso.
Não se pode pegar, não se pode explicar, nada sustenta nem por nada é sustentado, mas invade-nos o peito, e não sentir não é uma opção.
Se antes as perguntas queimavam por respostas, era porque o coração tinha sede.
Aos poucos o rio volta a fluir, direto da Fonte, fluem as águas que banham meus solos.
Aos poucos, volta o subjetivo selvagem a prosperar dentro de mim.
Antes, nem todas as matas do mundo poderiam matar minha sede de abundancia.
Hoje, a vida floresce mesmo nas mais cinzas paisagens.
E muito mais florescerá. Pois neste mundo, é sempre Primavera.
Mas também Inverno.
Mas também Verão
E Outono.
Primavera pelas flores, amores, a flor que desabrocha sem cessar
Inverno pelo silêncio, ou pelas músicas misteriosas, pela Paz
Verão pelo brilho gentil do Sol, pelo verde das folhas, pela brisa que nos acaricia
Outono pelos frutos que se colhe, pela sabedoria dos Salgueiros, pela serenidade
Minha sede ainda é grande, sim.
Porém eu nada mais posso fazer, uma vez que a água já voltou a jorrar
Agora é esperar seu tempo de abrir caminhos, até que jorre em cascatas abundantes
Já não mais preciso beber desta água tão furiosamente.
Já posso apreciar um pouco mais sua textura, sua pureza, seus encantos
Nesta vida,
Sempre haverá uma pergunta a ser respondida, uma questão que ficou...
Sempre haverá uma sensação a ser explicada, um sentimento estranho...
Mas também sempre haverá alguma resposta a algo que nem sempre foi perguntado
Ou uma compreensão profundo sobre alguma sensação.
Tudo é fluir.
E em última análise, a Vida é a grande pergunta
Que só a Morte poderá responder.
Que bom ter perguntas não respondidas, sentimentos por explicar...
Algo a mais para crescer.
Algum ponto a mais para entender.
Posso escolher desesperar-me em minha sede
Ou render-me a ela enquanto contemplo os mistérios das águas da Fonte e bebo suas águas com gratidão.
E... Bem, eu já cansei de desespero.
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