1.23.2016



Uma luta épica.

O Dragão Negro estava no topo da torre soltando fogo, bravo como só os animais selvagens sabem ser. A guerreira voava em algum tipo de artefato mágico, ao qual se agarrava, mas não se podia ver muito bem na distância.

Na base da torre, um lago. Largo e de águas translúcidas, mas pouco podia se ver, tudo era escuro e vermelho na presença do Dragão.

A guerreira, bem próxima ao lago, desafiou o o dragão enfurecido com alguma fala, que mergulhou voando em sua direção. Ele poderia devorá-la em uma só bocada. Quando ele estava a toda velocidade em direção a ela, bem perto, ela saiu voando lateralmente a toda velocidade. O Dragão não teve tempo de corrigir sua rota e caiu no lago, que ao contrário do que se pensava, era raso como uma poça d'água e tinha em seu fundo uma rocha lisa e dura. A pancada fez o solo tremer e estraçalhou a cabeça gigante do Dragão, que morreu na queda.

A guerreira saiu voando, quase aliviada, mas percebeu mais alguém a acompanhava além de seu amigo. Um filhote daquele Dragão Negro, apoiado em seus ombros, amável e obediente, como um animalzinho de estimação, sorria-lhe com os olhos. . Foi então que percebeu que o Dragão, era Draga, uma fêmea, e mãe deste filhote, que agora a assumia como algum tipo de mãe ou líder. Um dia, aquele serzinho fofo seria do tamanho e Fúria daquele outro que ela acabara de matar...

- E com esse? O que fazemos? - perguntou a guerreira ao seu amigo. Mas ele não tinha uma resposta.

E então, acordei.

1.16.2016

Cada vez menos me interesso pelas relações ideais
E cada vez mais pelas relações reais

Com toda dor e delícia que cabem a cada uma delas
Com toda a montanha de escombros que vem com elas

Certa vez ouvi que para Machu Picchu ser totalmente engolida pela floresta eram necessários apenas três anos.

Com um pouco de sorte,
um tanto de vida
e dois tantos de morte,
o mesmo há de acontecer com meu coração.

1.13.2016

Ares de Morte

Ares de Morte

É você, não é?
Eu reconheceria este cheiro em qualquer lugar.
Distinto misto
Cheiro de cadáver
Cheiro de Jasmim
Poeira de cinzas no ar
Mingua a Lua cor de carmim

Vieste buscar o que é seu?
Nada aqui nunca foi, em verdade, meu.

Vem,
se te interessa.
Estou aqui

Esta japamala tem tuas rudrakshas
Este canto tem o Teu Nome
Este corpo tem tua Dança
E esta Dança não tem Nome

- Satya Devi

https://www.youtube.com/watch?v=gL4BBnEIKXY

1.08.2016

 Ontem eu acordei desobediente.

Acordei de saco cheio sem ter saco
Acordei seca por cachoeira, por mata, por mar
Acordei sem medo de metrô sem medo de busão
Sem medo de fiu fiu sem medo de tesão

Acordei pronta pra batalha
Entre lutar e correr, corri pra luta.
Entre o vestido e o shorts, quase fui nua
E segui o caminho que bem quis

E com cara de poucos amigos, segui
Olhando nos olhos de quem queria intimidar, eu vi
Que se derrete em vergonha a covardia alheia
Que se despede pra sempre a batucada feia
Dos carros e trens perdidos pelas ruas

Quando a coragem e a ação caminham juntas
E sabem bem para onde querem ir na selva de pedra
É mais triste a moça quanto mais poeta
Caladas nas culpas e isoladas das eras
Quando a beleza morava nos olhos das Feras
E as ferocidades humanas não eram tão cegas

Ontem eu acordei metendo o pé na porta

Chegando na voadora, chegando na hora
Para apreciar o espetáculo furioso da vida
Que não pede nem aplauso nem torcida
E segue seu fluxo além de [todos os nós]

'Ai' de poetas urbanos, que sempre se encontram sós
Mesmo quando cercados pelas multidões cotidianas
Mesmo quando inspiradas versam as rappers suburbanas
O urbano continua a gritar

Ontem eu acordei cansada de ser tonta

Cansada de estar sempre aturdida, sempre zonza
Cambaleante de assombro - de medo - de mim
Quem me dera todos os dias fossem assim!
E eu pudesse cada vez mais forte seguir me amando [apesar de mim]

Que pesando em mim seguem as barbáries
Sãs, polidas, aos montes, aos pares
Andando se achando por aí
Achando que o resto é apenas resto
Apenas resto, o Além-de-Si.

Ontem eu acordei furiosa

E não perdi nem tempo, nem perdi hora
Cheguei bem na hora que o apocalipse chegou
Quase que os anjos e eu nos trombamos no corredor
Mas eu, sorridente com o reencontro, pedi licença pra passar.

Ontem eu acordei nervosa

E todos os nervos foram voltando pro lugar
A acidez que escorria acidental pelos lábios
Agora vomitam-se propositadamente sábios
Como palavras que esperaram demais pra se conjurar

Ontem eu acordei sem paciência

E somente a Ela, pedi licença
Antes de sair corroendo as bases do que precisava desmoronar
E quando percebi, eu não era a única corroendo pilares por lá

Ontem eu acordei cansada de me explicar

E não expliquei
Não telefonei
Não mimei
Não ensinei
Não perdoei
o que não tinha mais espaço pra perdoar

Ontem eu acordei muito bem

E tive um dia incrível
Conheci gente inteligente
Gente talentosa, gente temível
Fui ao teatro, viajei e fui dançar.

Ontem eu acordei sedenta por destruir

Amei
abracei
encontrei
perdi
E segui
Apesar de mim

Ontem eu acordei e fiz o que precisava ser feito
[mesmo apesar de mim]
E hoje,
eu danço sobre os escombros do mundo inteiro
[mesmo por cima de meu próprio cadáver]

Ontem eu acordei pra acabar
AGORA SIM,
Começa-se a meditar
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=8XQ43FdDZZY