3.10.2016

"Não vistes as nuvens no céu, Jeremias?
São sensuais como as curvas do corpo humano.
Por que seria errado uma nuvem dançar molhada e lânguida?
Por que seria errado uma mulher dançar molhada e lânguida?
Ambas anunciam o jorrar da vida
Implacável, crônica e aguda
Sobre nossos jardins já tão podados
Secos, explorados e abandonados"


- Satya Devi
em oníricos delírios
Quem há de levantar a voz
no meio do coro de gemidos
do mar de corpos
ungidos
pelo mel e leite
que lhe são inerentes?

E dizer
Qual prazer
é certo
qual é incerto
qual é errado
qual é pecado
qual é obrigatório

Quem quer que
ocupe sua boca
com palavras ocas
sobre o que um Ser
deve ser livre para fazer

Tem a boca desocupada
E portanto não sabe nada
Sobre o verdadeiro prazer
Ou sobre a initimidade do Ser
E por não conhecer o que diz
Como pode saber a verdade?

E se soubesse
O que garante que
A verdade é a mesma prece
para tantos corpos diferentes?

Somos todos mortais
Há lendas que dizem
que nem mesmo Deuses
são imortais

Quão enorme
é a arrogância
de interromper
beijos apaixonados
para julgar os toques
e dizer quais os apropriados!

Qual doença
que se abateu neste
que possui tão forte crença?

Ó divino coro de súplicas e gemidos
A estas vozes arrogantes, não deem ouvidos
Riam-se delas como uma criança ri de si mesma
E continuem sempre plenas
O que a Divina Criança inventou
nessas corporais brincadeiras

Aqui onde os samadhis são sorrisos
Aqui onde os toques são kripas
Aqui onde Amor é olhar
Aqui onde corpo é altar
E Deus será desnecessário

Quando a comunhão completa for um fato
Em cada corpo que cada corpo alcançar

- Satya Devi

3.06.2016

Sobre a Paz de Ser consigo mesma

Existe um treino, um cultivo, uma disciplina
De focalizar unidirecionalmente a atenção
Em direção ao centro do self

Esta essência não é nem fria, nem quente
Nem pesada, nem leve
Nem grande, nem pequena
Nem acima, nem abaixo
Mas dentro
Profundamente dentro
Dentro do dentro do dentro de dentro de nós

E quando estamos prestando atenção a ela
Em verdade, nos vemos - e enxergamos.
E uma grande pacificação se instala

Com o treino
com o tempo
Aprenderemos a Ser
Independente do Estar
Importará cada vez menos o tempo
Cada vez menos o lugar
E o que está ao nosso redor

E mais se conseguimos lembrar de voltar
A esse não-lugar
Onde a contemplação se dissolve na contemplação de si mesma
Como dois espelhos colocados um na frente do outro
Refletem o Infinito

E a todos os momentos de nossos dias
Plenos de prazer e de dor
Cada vez mais fluirá essa Paz de se Ser consciente de si mesma
Que transbordará Amor sem causa e sem restrição

Faço dessa contemplação o meu Sadhana
Não para agradar a alguma força
Nem para gerar "bom karma"
Nem para "alcançar liberdade"

...Mas porque estou em profundo Amor.
Em silenciosa e ardente Paixão.
Como um fogo gélido
Que dissolve todo o Universo.

- Satya Devi