6.01.2013

A Ousadia Sagrada

"Eis que Deus cometeu a mais obscena das ousadias: A Vida.
Pois não seria a vida uma grande ousadia cósmica?
O coração que ousa pulsar no silêncio...?
A luz que ousa brilhar na escuridão...?
O verbo que ousou tornar-se carne...?
O Um que ousou tornar-se Dois só pelo prazer e dor de voltar a ser Um...?
Aquilo que ousou Manifestar-se em meio ao Imanifesto...?
Ah! Sem dúvida que sim! Deus há de ser um obsceno e irreverente Criador!
Sem o poder da Ousadia, nada haveria se não um grande Vazio...
Sem Ousadia, não há Criação!
Sem Ousadia, não há Destruição!
E sem Criação e Destruição, nada há.
Ousemos, pois!
Como Deuses!
Como Deusas!
Que cada respirar, que cada ação, que cada sentir carregue em si um toque dessa Ousadia Divina!
Pois não há ousadia maior para o ser humano que render-se ao sussurro do Sagrado em seu coração!
Tal qual a gota d'água que rende-se ao Oceano, ousando assim conter todo o Oceano dentro de si, mesmo sabendo que é gota!
Tal qual o amante ousa amar antes de mais nada.
E não seria o Amor a mais profunda ousadia da Vida?
Não seria o Amor a ousadia da maior das ousadias?
Pois foi porque Deus ousou Amar que houve a ousadia de Manifestar o Imanifesto!
Eis que então no epicentro do terremoto das Ousadias Divinas, reside a mais cristalina pureza: o Amor.
O argumento perante ao qual Tudo se cala: Deus. Amor.
Ousemos então!
O Amor já É.
Deus já É.
Ousar é preciso!"
- Jessika Gomes

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