9.20.2013

Chamado às Divinas Trovadoras

Ó Divinas Trovadoras, Poetisas e Artistas! 
Nós suplicamos vossa ajuda!
Nossos homens esquecem-se de quem são!
Nós imploramos
Cantem-lhes sua beleza, sua força, sua coragem,
Desenhem suas emoções, suas paixões, sua devoção
Dancem sua fragilidade mais pura, sua sabedoria, sua alegria!

As mulheres hoje já voltam para as florestas, encontrar-se com Aquelas que lá se esconderam pelos séculos...
Já re-acendemos nossas fogueiras, queimamos nossas vestes e em breve devemos dançar nuas novamente...
E das que ainda não despertaram de seu sono secular
Já são chamadas por nós em seus sonhos

Mas os homens, ó Trovadoras! Ai, os homens...
Lamentam por entre os cantos a Amélia perdida...
Procuram propriedades e prioridades desesperadoramente...
Escravizam as próprias mães e depois fazem de suas esposas suas mães
E quando não acham - pois toda Amélia está voltando a ser Lilith
Desesperam-se!
Descabelam-se!
Choram desconsolados pelos cantos sem seio que os acolha em sua ignorância violenta

Eles se esquecem, ó Trovadoras,
Do canto que prenderam no peito
Da lágrima que contiveram na garganta
Do fogo inocente que os faziam saltitar por entre as matas e cachoeiras!

Ó Trovadoras, se ainda resta-lhes alguma piedade e uma única gota de Inspiração,
Por favor, atendei nosso chamado!
Pois não é por nada se não por esquecimento que tombam nossos homens
Um a um, desconsolados
Eles padecem, ó Trovadoras, do mesmo Mal que padecemos nós mulheres pelos milênios a fio...
O pior mal de todos os males, que é esquecer da própria Natureza

Por isso, suplicamos a vós, ó Trovadoras,
Canta alto e claro a beleza verdadeira de nossos Homens!
Toquem em suas harpas e sítaras, da paixão profunda e espontânea que brota no coração dos Homens 
Cantem, pelo Amor, alto e claro, de todas as vezes que nossos Homens prostram-se em lágrimas, dilacerados pelas dores inerentes a todos os Seres.
Até que as palavras de frieza e insensibilidade sejam derretidas como a neve se dissolvem na Primavera!
Até que os cantos épicos de violência e ganância sejam emudecidos e esquecidos para sempre!

Lembra-os, ó Divinas Trovadoras, do quão maravilhoso é a dança de mil homens dançando juntos a chegada do Verão
Lembra-os, ó Divinas Dançarinas, da coragem infinita que brota no coração dos Homens apaixonados
Lembra-os, ó Divinas Desenhistas, dos traços de profundo afeto que brotam das janelas das Almas de nossos Homens quando fazem-se pais!

Cantem! Dancem! Louvem!
À energia divina e deliciosa que flui entre os verdadeiros Homens quando partilham de verdadeira amizade
À alegria contagiante e espontânea que brota de piadas, lembranças e absurdos que só os Homens sabem dizer

Lembra-os de que dedicam-se ao mais bravio ato de coragem de todos: que é o Amor.
E justamente às formas mais indomáveis de Amor: o Amor à Mulher selvagem, ao filho peralta, à Mãe cruel ou benevolente, ao Pai exemplar ou ausente e também ao outro Homem ao seu lado, amigo ou amante, companheiro para alegrias e tristezas.
Todos esses Amores o verdadeiro Homem carrega e honra dentro de si
Independente de sua Vontade
Com suas dores e prazeres
E ainda assim, permanecem.

Ó, por favor!
Cantem! Dancem! Louvem!
Mas por favor, cantem alto!
Dancem nuas!
Louvem fervorosas de Fé!
Pois são altos os gritos que gritam as mentiras para nossos homens!
Não deixeis, ó Sagradas Trovadoras, que a mentira contada nos alto-falantes sejam mais altas que seus irresistíveis e sedutores sussurros no coração de cada Homem!

Venham, e venham rápido!
Nossos Homens já desmaiam de sede no deserto pro qual as mentiras os levaram!
Que jorrem de suas divinas bocas as águas sagradas da Plenitude que pode matar-lhes a sede! 
Se a nós mulheres foi proibido beber das águas da Divina Mãe,
que nunca nos faltou em Espírito,
A eles faltou-lhes tudo
E da miséria e violência que nós recebemos por milênios
Eles experimentaram-na por dentro por todo este tempo

Por isso, ó Deusas da Inspiração, Musas e Ninfas,
Nós lhes suplicamos!
Cantai que é agora é tempo de vocês a cantar
As canções proibidas pelos tempos
Que por vocês jamais foram esquecidas

As canções que contam a Verdade
Sobre quem são os Homens de Verdade
Porque, na Verdade,
Dentro de cada Homem de Verdade
Habita uma Mulher calada pela mentira
E dentro de cada uma de nós, mulheres
habita um homem perdido
que desmaia de sede.

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