12.16.2014

Sim, parto.

Deixo para trás uma cidade. Uma vida que não viverei. Uma pessoa que não serei.

Espero ter deixado um pouco de mim, em retribuição.
Porque levo um pouco dessa vida em mim.

Cada Ser que olhei nos olhos, me revelou uma face do Divino.
Cada palavra que troquei, um brinde de vinho ou de sangue.
Cada beijo, cada abraço,
cada plano não realizado,
cada realização não-planejada

Cansei de fugir de mim
E me encontrei
Me enchi de mim mesma
E me cansei

Transbordei de Amor
E fui sendo esvaziada
Parei de conter
Fluíram as águas
Primeiro pelas frestas
Depois como riacho,
Dilatando como rio
E agora é Oceano
Que de tão cheio
É vazio.

Tão pouco agora tem sentido
Tão pouco agora tem verdade
Que não me resta outro caminho
Se não continuar a caminhar

É no colo da Mãe Te Queira
Que vou descansar de meu sono
E despertar para a labuta que vale a pena
Que a vale a reza,
Que vale o verso
Que vale o poema,
Que vale a vida
Vida que só vale
Se for Inteira

- Satya Devi

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