Já me basta de grandes planos de mudar o mundo
Já me basta de grandes ambições, pretensões de fazer isso e aquilo
Por favor, por Amor, poupem-me de ser importante!
Já sou importante demais pra mim mesma e isso já me dá um trabalho danado!
Da vida nada se leva, a não ser as cicatrizes que ficam na Alma
Na minha Alma quero rugas profundas de felicidade,
cicatrizes de lições bem aprendidas
e histórias verídicas e bonitas pra contar do lado de Lá
Me poupem de ser importante!
Quero só viver em paz!
Meu tempo aqui é curto demais
E meus amores muito mortais
pra perder tempo empunhando espadas
subindo escadas sociais imaginárias
Dá-me da sabedoria cabocla
de não esquentar a cabeça a toa
Uma rede baiana, uma prosa de boa,
Bons livros pra ler e beijar bastante na boca
Que pode haver de melhor do que isso?
Faço uma oração por todos que se esqueceram disso
Trabalho com tesão e amo arduamente
E quando a noite chega
Brindo minha desimportância com outros desimportantes como eu
O que vai nesta taça é segredo desimportante
Mas recorda-nos rapidamente de nossa pequenez
Perante os segredos desimportantes que nos revela
E quando chegar a hora desimportante de minha partida
Estarei livre para gozá-la em Paz
Não há nada verdadeiramente importante
que estarei verdadeiramente deixando pra trás
Por favor, por Amor, poupem-me dos joguinhos importantes
daqueles que se esqueceram daquilo que é verdadeiro
Quero ser sombra discreta entre estes
E viver meu recanto colorido e luminoso
de desimportâncias artísticas, subversivas, pervertidas
Seu jogo, não me entretém
Sua comida, não me alimenta
Sua água, me é podre
Suas verdades, me são mentiras
Seus amores, são incompletos
Seus corações, doentes.
Deste mundo que me oferecem, eu nada desejo
E de muito pouco [quem sabe, nada] preciso
Faz-me desimportante, por favor! Por Amor!
Esqueçam todos de mim!
Para que eu possa embriagar-me de água pura das nascentes
Saciar-me da comida que alimenta
Encontrar Verdades que valham a pena
E Amar de forma Plena
Como entre vocês, jamais seria permitido
E aqueles que entenderem isso,
venham brindar comigo!
Aqui a água é pura, a terra é viva e a taça é cheia!
Ainda que desimportantes, sabemos que somos
uns para os outros, inesquecíveis!
Únicos! Perfeitos em nossos erros!
E vergonhosamente certos de nossas incertezas
Todas as noites, brindam solitários ou acompanhados, os desimportantes
E o que ocorre após isso
Não é de Todo importante
a ponto de ser descrito em lugar algum.
- Jessika Gomes
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