2.09.2014

Do Romantismo Consciente


O romantismo requer grande dose de coragem.
Não o romantismo vazio, essa reprodução impensada de padrões Disney.
Mas o romantismo consciente. Aquele que conheceu o as dores que amar pode trazer, e ainda assim permite-se amar. 
Aquele romantismo que não foge da ferida, e quer curar-se logo para poder atirar-se com menos medo e mais sabedoria da próxima vez.
Aquele romantismo que já sabe o quanto é amargo o ciclo de expectativa-decepção e ainda assim permite-se reconhecer no outro sua luz e sua sombra - e ainda assim, se apaixona. Perdidamente.
Abdicar das personagens que conhecemos tipo "o bom partido", "a boa moça", "a piranha", "o garanhão", "a boa esposa" e tantas outras máscaras para olhar no fundo dos olhos de cada um não é tarefa simples. Com os personagens e máscaras, nós já sabemos os passos da dança. Em teoria, é seguro. É fácil ser romântico no conto de fadas. Olhar no fundo dos olhos, para além das máscaras, requer olhar para dentro de nós mesmos. E não tem nada que a Alma queira mais - e ao mesmo tempo tema mais - do que olhar para si mesma. Não há mais coreografia ensaiada. Não há mais segurança ou conto de fadas. Não há mais "felizes para sempre" nem "era uma vez". E percebemos que, na verdade, fomos enganados. Isso tudo nunca funcionou de verdade.
Enxergar isso, curar-se disso e ainda assim continuar confiando no Amor, é um patamar absurdo de Romantismo e ao mesmo tempo de conscientização. O romantismo condicional, que só consegue ser romântico no conto de fadas, ou a amargura que nega, rejeita e despreza o Amor, é muito mais fácil.

Romantismo consciente não é pra quem quer.
É pra quem pode.

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