E se a Bela
E a Fera
fossem só faces
de você?
E a Fera
fossem só faces
de você?
E se a Bela
fosse voraz e furiosa
por detrás de uma máscara de doçura?
fosse voraz e furiosa
por detrás de uma máscara de doçura?
E se a Fera
fosse uma sensível criatura
como é todo ser selvagem?
fosse uma sensível criatura
como é todo ser selvagem?
E se ambas
tivessem que
de repente
conviver no castelo de você?
tivessem que
de repente
conviver no castelo de você?
E é claro
Que é a Bela
Que é 'prisioneira' da Fera.
A ferocidade
detém beleza
Mas nem sempre
beleza
detém ferocidade
Que é a Bela
Que é 'prisioneira' da Fera.
A ferocidade
detém beleza
Mas nem sempre
beleza
detém ferocidade
Mas Fera é um ser selvagem
não faz prisioneiros
nem aprisiona
não toma escravos
nem se permite escravizar
Não deterá Bela
de seguir seu caminho
em liberdade
quando ela assim desejar
não faz prisioneiros
nem aprisiona
não toma escravos
nem se permite escravizar
Não deterá Bela
de seguir seu caminho
em liberdade
quando ela assim desejar
Elas inevitavelmente se apaixonarão
entre ternuras e patadas
assim, meio sem perceber de imediato
como há de ser
entre ternuras e patadas
assim, meio sem perceber de imediato
como há de ser
E a aldeia inevitavelmente
invadirá o castelo
E as perturbarão com suas regras ridículas
e suas ameaças de jogar
Bela no manicômio
e Fera no precipício
invadirá o castelo
E as perturbarão com suas regras ridículas
e suas ameaças de jogar
Bela no manicômio
e Fera no precipício
E uma guerra se origina
Entre a magia do selvagem
e a vazia moral social
Mas o castelo-psique tem seus dons
tem suas magias e recursos
e não sem perdas
e não sem dor
é derrotada a moralidade vazia
talvez por puro milagre.
Entre a magia do selvagem
e a vazia moral social
Mas o castelo-psique tem seus dons
tem suas magias e recursos
e não sem perdas
e não sem dor
é derrotada a moralidade vazia
talvez por puro milagre.
E antes que caia a última pétala
da Rosa encantada
[esse símbolo da própria Poesia]
Antes que se esvaia em nós
a última gota de orvalho da Esperança
Logo antes do último suspiro e inspiração
se esvair completamente de nós
Bela e Fera assumem
- não uma paixão -
mas sim, sua fusão
E assumem-se em silêncio.
Assumem-se para si mesmas.
da Rosa encantada
[esse símbolo da própria Poesia]
Antes que se esvaia em nós
a última gota de orvalho da Esperança
Logo antes do último suspiro e inspiração
se esvair completamente de nós
Bela e Fera assumem
- não uma paixão -
mas sim, sua fusão
E assumem-se em silêncio.
Assumem-se para si mesmas.
O que o conto não conta
é que
A Fera não deixa de ser Fera
E Bela não deixa de ser Bela
O castelo bizarro não deixa de ser bizarro
é que
A Fera não deixa de ser Fera
E Bela não deixa de ser Bela
O castelo bizarro não deixa de ser bizarro
Mas agora, Bela e Fera
são uma só
Só,
Porém, uma.
Única.
Mesma.
Inteira.
são uma só
Só,
Porém, uma.
Única.
Mesma.
Inteira.
E é então que a Bela-Fera
abandona castelo, aldeia,
nobreza e pobreza
rompe as grades do castelo
e embrenha-se na floresta
abandona castelo, aldeia,
nobreza e pobreza
rompe as grades do castelo
e embrenha-se na floresta
E sabe-se que, lá na mata
em algum lugar,
deita-se lânguida uma Bela-Fera
Que respira aliviada
e chora sorrindo
por finalmente
voltar para casa
em algum lugar,
deita-se lânguida uma Bela-Fera
Que respira aliviada
e chora sorrindo
por finalmente
voltar para casa
[um poema em devoção às faces furiosas da Divindade em aspecto Feminino. Jaya Bhairavi Devi!]
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