Ao longo dessa vida tive a honra e o prazer de conhecer mulheres
muito especiais... Mulheres no ápice do erradiar da própria essência...
Estar perto delas era como estar diante de Entidades.
Algumas delas, tinham selváticos cabelos afro, curvas de se encher a
boca d'água, e o andar de quem sabe que não deve nada para ninguém.
Outras tinham oblíquos olhos de cigana dissimulada, e tocavam
castanholas como quem estala os dedos, e giravam saias como quem não se
importa com o tempo ou espaço...
Conheci também aquela que tinha
nos olhos de criança toda a sabedoria do mundo. E inventava asas de fada
quando corria pelos salões. Como quem soubesse que a vida é curta
demais para se passar sem fantasia...
Conheci bruxas que poderiam
ter saído diretamente de Avalon. Com longos cabelos ondulados,
longuilíneas e pálidas, como elfas que brincam entre os humanos...
Conheci especialistas em sedução. Mestras no Erótico, no sacro-profano,
na Arte do Êxtase. Faziam de cada movimento, uma dança. E de cada
dança, uma bênção - ou maldição. Dependia tudo do olhar de quem olhava.
Conheci Amazonas de quase 2 metros de altura (ou ao menos assim
pareciam), peito aberto e olhar arisco. Braços grossos e pés do chão.
Sabiam muito bem reconhecer e anular seus inimigos - que surgiam de
todos os lados, a todo momento.
Essas mulheres faziam de sua aparência o seu sinal. Sua marca. Sua mensagem. Sua essência.
Faziam de suas palavras, seu legado.
De sua Arte, seu recado.
De suas vidas, um serviço grato aos daqui e aos de Lá.
Essas mulheres não vieram no mundo à passeio.
Essas mulheres não estão aqui para servir ninguém - a não ao próprio
Propósito que as impele a continuar respirando. Que não nem nome, nem
forma, nem palavra que alcance. Mas que lhes é tão real quanto o bater
dos próprios corações.
Essas mulheres estão em todos os lugares.
Aqui.. Ali...
Do lado de cá...
Do lado de Lá...
São médicas, gerentes de banco, dançarinas, poetisas, faxineiras, frentistas, putas, meditadoras, pedreiras, lavadeiras...
Podemos nos deparar com elas dentro de um ônibus, ou num altar de um templo... Em cima de um palco ou de um palanque...
Aí... Fico pensando...
Essas mulheres-entidade.. Essas Deusas...
...E se a Mãe África, poderosa em seu rebolado, tivesse realmente acreditado que seu black power era "feio" ?
...E se a cigana tivesse realmente acreditado que suas saias eram "inapropriadas para a ocasião" ?
...E se a Amazona tivesse realmente acreditado que luta é "coisa de homem"?
...Ou a elfa que sua magreza era "broxante" e que ela deveria colocar silicone nos seios?
...E a mestra da sedução tivesse realmente acreditado que "a culpa era
dela" de ter usado aquelas roupas quando aquele desconhecido lhe passou a
mão?
...Ou que "asas imaginárias de fada" eram ridículas e inapropriadas para uma mulher madura?
O que seria delas...?
E o que seria DE NÓS sem ESSES SERES nos inspirando assombro e fascínio simultâneos?
E a cientista não estudaria - seria analfabeta.
E a Mãe África não se libertaria - seria escrava.
E a cigana não dançaria - seria casada.
E a Amazona não lutaria - seria humilhada.
E a bruxa-elfa não faria bruxarias - seria ridicularizada.
E a fada não encantaria - seria amputada de suas asas.
E nós...
...não teríamos nem cientista
...nem Mãe África cantando
...nem dança cigana
...nem poesia
...nem vitória em batalha
...nem bruxarias e curanderias
...nem encanto
E nossa vida seria assim...
...um grande e épico desperdício de Almas.
Essas mulheres
São todas as mulheres
Que não acreditaram nos outros
Mais do que em Si Mesmas.
Que a pele da Mãe África brilhe livre ao Sol!
Que a cigana rode suas saias vermelhas!
Que a menina vista suas asas de fada!
Que a bruxa acenda seu caldeirão!
Que a amazona empunhe suas armas!
Que a poetisa poetise!
Que a sedutora passe seu batom vermelho!
Que a elfa brinque conosco!
Que cada mulher...
Só seja
O que Já É!
- Satya Devi
Nenhum comentário:
Postar um comentário