Talvez
ao longo do tempo
o Yoga mude de cores pra cada praticante
Mude de forma
Mude de perspectiva
Mudem os sentimentos
Hoje em dia meu Yoga é mais cinza
é mais preto no branco
É menos cheio de arabescos e retorcimentos
E mais cru
O Yoga me fez entender que eu precisava lidar com o amargo da vida.
Aí eu lidei, como pude, como deu.
E agora,
o próprio Yoga me parece menos doce.
Toda a vida mudou de perspectiva
Mudou de forma
Mudou de sentimentos
Por que o Yoga continuaria o mesmo?
Apegue-se à sua noção atual sobre espiritualidade,
E estará condenando-se ao conflito
Arriscando afastar-se da própria espiritualidade.
Talvez
Nossa noção sobre espiritualidade
Seja como máscara do Inominável
É só a forma como o Absoluto se (a)presenta.
Um dia a máscara e o Absoluto se separarão.
Apegar-se à mascara é negar o que ela tem a ensinar.
Mas haverá um jeito de diferenciar:
Uma força será relativa, efêmera e dual
A outra, será absoluta, eterna e indescritível.
Maya é nossa amiga.
Se tivéssemos que contemplar a nudez do Absoluto o tempo todo
Transbordaríamos de dor e êxtase simultaneamente
Nascíaramos, pariríamos e morreríamos simultateamente
O tempo todo
Eternamente
A loucura sempre dança de mãos dadas
Com os que dançam junto ao Véu de Maya
Não, não seríamos capazes de suportar a nudez de Deus
Não o tempo todo
Talvez, de vez em quando,
Para que nos recordemos.
Não com este corpo
Não com este cérebro
Não com este estilo de vida
É por isso que os yogues falam em mutação.
É preciso um novo cérebro
Uma nova mente
Capaz de lidar com o Absoluto de forma mais íntima
Se não capaz de vê-Lo
Que seja capaz de sentí-Lo
Capaz de estar cônscio da Unidade
Capaz de ser dentro
e fora
ao mesmo tempo
Fico aqui pensando
Talvez seja esta a saída deste labirinto
Compreender que o Absoluto esteve se apresentando pra mim
Com cada vez menos máscaras
Cada vez mais transparente
E eu não tenho deixado de percebê-lo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário